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Full text of "The General Chapter 1998, Maynooth, Ireland : launch out into the deep"

MAYNOOTH 1998 





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BX3682 

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1999x 

Spiritar! 

Coli. 



Spiritan Collection 

DuQUESNE University 

The Gumberg Library 




Congregation ofthe Holy Spirit 
USA Eastern Province 



Capa: Evoca^ào de Sào Brendan, o Navigador, 
missionàrio irlandès do século VI. 



CONGREGAgÀO DO ESPIRITO SANTO 

CAPITULO GERAL 1998 
MAYNOOTH- IRLANDA 



'FAZ-TE AO LARGO" 



Casa Generalizia 

Clivo di Cinna 195 

Roma 



^^3^ 



Digitized by the Internet Archive 

in 2009 with funding from 

Lyrasis Members and Sloan Foundation 



littp://www.arcliive.org/details/generalcliapter1999lioly 



"FAZ-TE AO LARGO" 

Roma, 08 de Dezembro de 1998 
Irmàos e Irmàs 

Bis OS textos que levam a cada um e a cada urna, 
Espiritanos professos e leigos associados, a testemunho 
e OS apelos do Capitalo Goral reunido em Maynooth, 
Irlanda, de 12 de Juiho a 08 de Agosto de 1998. 
Segando as instragòes do Capitalo, o Conseiho Goral 
encarregoa-se da redacgào final. 

Algaém tinha expresso o receio de qae o Capitalo nào 
"fìcasse em àguas de bacalhaa" sem nada prodazir! 
Penso que nào Ihes enviamos textos mortos. Foi ama 
assembleia viva, vinda de todos os lagares onde existe a 
Congregagào, qae os elaboroa. É preciso assimilà-los. 
Este avrete ficarà tetra morta se o pomos definitivamente 
nama estante, ou nama gaveta ao abrigo da poeira. Mas 
pode ser portador de vida se Ihe damos tempo para o ler 
e para o discutirem comanidade. 

O documento nào substitai a nossa Regra de Vida na 
qaal o Capitalo nào qais tocar, a nào ser em algans 
pormenores. Eie é ama actaalizagào da nossa Regra. 
Reafirma o sentido da nossa vocagào espiritana na 
sitaagào actaal do mando. Permite-nos avallar as nossas 
actividades e as nossas motivagòes. Tomà-lo a sèrio é 
de algum modo prestar atengào à voz de toda a 
Congregagào. documento pode entào tornar-se um 
elemento para construir, no sea espirito e na sua 
organizagào, a unidade da nossa familia espiritana 
dispersa e diversificada. 

Meditando estes textos, podemos também reconhecer 
neles de alguma maneira a voz dos espiritanos qae nos 



precederam, presentes na assembleia de Maynooth 
corno testemunhas invisiveis. Os nossos fundadores 
foram citados muitas vezes e o Capitalo aprovou um 
programa de sensibilizagào à nossa tradigào. Respondia 
assim a um maior desejo da Corigregagào, de 
reencontrar a sua inspiragào originai, agora que se 
aproximam os nossos aniversàrios. 

Em cada um dos grandes pontos do programa do 
Capitulo, apreendemos, na experiéncia espiritana actual, 
sinais de vitalidade, comò que promessas que nos 
convidavam a ter confianga, a comprometermo-nos 
pienamente na nossa missào hoje, a convertermo-nos. 
Com Conseiho Geral, desejamos que meditando estes 
textos, escutando os delegados, trocando entre nós 
intuigòes e ideias, recebamos um novo sopro daquele 
que é Protagonista da nossa missào. 

Acreditamos que no Capitulo Eie nos fez 
compreender o que o Senhor quer dizer à nossa 
Congregagào, nesta etapa da sua jà tao longa história, 
alguma coisa comò a pai avrà dita a Simào Fedro que 
tinha trabalhado toda a noite sem nada apanhar: "Faz-te 
ao largo" (Luc.5.4). Sentimo-nos chamados a opgòes 
novas e radicais, nào forgosamente espectaculares, ao 
servigo dos mais desprotegidos, a uma larga 
colaboragào com os outros, a uma fraternidade vivida no 
nesso pròprio Instituto e, através de tudo isso, a uma 
verdadeira vida espiritual. 

F rate rn al mente 




Pierre Sctiouver, CSSp. 
Superior Geral 



0. INTRODUQÀO 

A CONGREGAgÀO COMO UM VELEIRO 

A imagem, utilizada por Libermann (ND VII, 145) num 
sentido um pouco diferente, pode evocar a estrada da 
Congregagào nestes ùltimos anos e situar o Capitalo de 
Maynooth. 

0.1 Que se passou em Maynooth? 

0.1.1 No dia a dia: sinais, testemunhos, espirito 

Na missa de acolhimento, na tarde de 12 de Juiho, os 
delegados dos diversos continentes langaram no 
fontanàrio, ao fundo da capela em Maynooth, a àgua 
dos grandes rios da terra. Cada um dos participantes 
levava qualquer coisa do seu pais e da sua Igreja, de 
que eie proprio nào estava pienamente consciente e 
que irla descobrir um pouco mais no contacto com as 
diferengas dos outros. encontro em Maynooth foi 
uma descoberta da riqueza multiforme da Con- 
gregagào e também do nivel que a acgào do Espfrito 
exerce em nós e em que somos chamados a 
comprometermo-nos, para além das convengoes 
superficiais. 

O ambiente de festa desta phmeira tarde nào veio 
semente do Campeonato do mundo de futebol, cuja 
final vimos na televisào. Eie ia continuar ao iongo de 
todo o Capitulo. Provinha sem dùvida da beleza do 
contexto e do excelente acolhimento da Provincia da 
Irlanda, da qualidade da preparagào e da organizagào, 
que deixava antever que tudo iria correr bem. Mas a 
alegria era sem dùvida antes de tudo a expressào das 
atitudes de confianga e de disponibilidade de uns para 
com OS outros sob a acgào do Espirito do Senhor. 



Notava-se um clima de oragao, nào so na liturgia, 
umas vezes mais selene outras mais simples, mas 
também na apresentagào dos testemunhos e no 
recolhimento da escuta. 

Logo no dia seguinte, o incentivo espirituai para o 
primeiro dia de retiro, velo da Àfrica, do Reitor do 
SIST (Enugu) que era um dos 15 delegados africanos 
(entre 63). Durante a missa de abertura, as veias 
acesas entregues aos delegados, aos membros do 
Conseiho Geral e aos convidados, reflectiam a luz 
simples que o Espirito dà a cada um para a 
comunicar. 

Trés Domingos de excursóes fizeram-nos seguir os 
tragos da pré-história e da história da Irlanda: 
Rockwell com a Abadia de Santa Cruz e Cashel, 
Armagh e o Centro Navan na Irlanda do Morte e por 
firn a peregrinagào a Knock no Ceste. Oradores 
excepcionais puseram-nos em contacto com a 
sociedade e a Igreja em que estào comprometidos, 
para questòes que ultrapassam as fronteiras do seu 
pais. que nos disseram a Presidente da Irlanda, 
Mme Mary McAleese, os Arcebispos de Dublin e de 
Armagh, Mgr. Connel e Mgr Brady, o Dr. Sutherland, 
economista e o P. Enda McDonagh, teòlogo, ressoou 
em nós comò um eco do que o Espirito nos dizia nas 
nossas trocas de impressòes. 

Criaram-se depois relagoes amigàveis entre nós, 
apesar de todas as diferengas. A rapidez das eleigoes, 
acolhimento feito aos relatórios do Superior Geral e 
do Ecònomo Geral e às apresentagoes das 
experiéncias significativas, suscitaram unanimidade 
dos participantes vindos dos quatro canto do mundo, 
de qualquer idade, de vàrias culturas e competéncias. 
Mesta unanimidade impressionante, reconhecemos a 
acgao do Espirito no meio de nòs. 



0.1.2 Urna experiéncìa da Congregagào, hoje 

O que vivemos durante o Capitulo nào era a euforia 
fruto de um bom ambiente. Sentimos ai a expressào 
dum movimento real da Congregagào. 

Vivemos num tempo em que vàrias circunscrigoes 
tém consciéncia de que nào sobrevirào tais comò sào, 
mas que possuem ainda o seu dinamismo espiritano. 
Ao mesmo tempo uma nova vida espiritana se 
desenvolve por toda a parte, por vezes com as dores 
do nascimento. Como Abraào, avangamos por causa 
duma promessa, sem conhecer o pais aonde 
chegaremos. 

Tomamos consciéncia do nivei em que se situa, seja a 
nossa esperanga ou seja o risco de se afundar... comò 
Titanio? Nào é o momento de nos dividirmos por 
questòes sem importància ou por susceptibilidades 
individuais. A convicgào de estarmos num periodo de 
opgóes cruciais explica talvez em parte a unanimidade 
da assembleia de iVIaynooth. 

De qualquer modo fizemos a experiència espiritual 
concreta da Congregagào tal comò eia é hoje. 
Pudemos avaliar os quatro dominios importantes no 
programa do Capitulo. Discernimos ai os pontos 
concretos da fidelidade criativa e as orientagoes 
portadoras do futuro do nesso carisma. 

Manifestàmos o desejo de que todos os Espiritanos 
tomem parte no movimento da Congregagào tal comò 
emergiu mais claramente durante a nossa assembleia. 
Em diversos momentos, o Capitulo mostrou que 
todos, qualquer que seja a sua insergào particular, 
podiam viver as grandes orientagóes de Maynooth. A 
assembleia pediu também que, nas diferentes 
circunscri9oes, se fagam tentativas para reatar os 



lagos com os confrades que tèm estado distantes da 
Congregagào. 

0.2 Olhar sobre o periodo que precedeu o Capituio 
de Maynooth 

0.2.1 Um tempo para urna nova arrancada 
missionària 

Durante os ùltimos trinta anos, a nossa missào mudou 
muito com a tomada de responsabilidades pelas 
Igrejas locais, o enfraquecimento das antigas 
circunscriQóes e o desenvolvimento das novas. Ao 
mesmo tempo, a Congregagào tomou consciéncia do 
seu pròprio carisma e expressou-o na nova Regra de 
Vida. Assim comegou este tempo de discernimento 
que nos dà sensa^ào de instabilidade. Nós 
reexaminamos as nossas antigas obras e estudamos 
novos projectos para que os nossos compromissos 
correspondam tanto à nossa missào especifica comò 
aos nossos meios. 

Com a aproximagào do Capituio, o conhecimento da 
dificuldade da missào e da nossa fraqueza corria o 
fisco de nos preocuparmos so com a manutengào e a 
gestào das obras existentes. Dai a questào que um 
Grupo pòs: "o Capituio devia examinar em que 
medida a manutengào e a consolidagào foram 
preferidas à missào. futuro da Congregagào depen- 
derà da sua fidelidade à sua missào especifica." 

As iniciativas dos nossos fundadores e dos nossos 
predecessores tiveram comò ponto de partida a 
tomada de consciéncia das necessidades dos pobres 
do seu tempo. Para que a Congregagào conserve 
este dinamismo, é preciso que o Capituio examine as 
necessidades mais urgentes de hoje. Sentimos o 
apelo para deixar uma vez ainda as nossas posigóes 



adquiridas e nos tomarmos disponiveis para o que é 
mais urgente e que corresponde melhor à nossa 
vocagào. 

A nossa situa?ào mais modesta nas igrejas locais e 
nas sociedades cada vez mais secularizadas, 
contribuiu para nos sensibiiizar ao que a nossa 
relagào missionària podia comportar de dominagào. O 
desejo duma nova arrancada missionària era também 
o dum novo estilo, de novas relagoes com as 
pessoas. 

A experiéncia duma Congregagào mais diversificada, 
espalhada no mundo inteiro em grupos mais 
pequenos, ensinou-nos igualmente a importància da 
qualidade das reiagoes entre nós, na comunidade, na 
pràtica da solidariedade, no exercicio da autoridade. 
Sem a confianga mùtua, a organizagào de pouco 
serve. 

Diante de desafios complexos, particuiarmente o de 
nos debrugarmos sobre as causas dos sofrimentos e 
das injustigas que oprimem os mais desprotegidos, 
desenvolve-se uma maior colaboragao. Eia 
estabelece-se com os lideres das Igrejas locais, com 
OS outros institutos e com numerosas associagóes, e 
de maneira muito particular com os leigos próximos 
de nós. 

Tragos da vida espiritana foram assim postos em 
evidència: 

• A autoridade do testemunho, diferente dum poder 
institucional; 

• A fecundidade dum espirito que se comunica e 
duma educagào que se dà, que ajudam as pessoas 
a agir por si mesmas, e que valem mais que uma 
eficàcia directa e ràpida; 



• A mensagem contida numa caminhada de amizade, 
mais forte que as palavras; 

• Dm compromisso que va até ao dom da vida; 

• Relagóes de colaboragào que representam mais 
que um simples ganho em eficàcia. 

O tipo de relagào missionària e comunitària que 
emerge é marcado pela discrigào que é talvez uma 
caracteristica da acgào do Espirito. Um verdadeiro 
gesto de amizade nào é invasor nem possessivo. 
Quanto mais simples e respeitoso, mais impacto 
produz no coragào dos outros. A adesào profunda ao 
Evangeiho é suscitada mais pela qualidade da 
relagào do que pela intensidade da sedugào ou pelo 
martelar dos argumentos. Està qualidade de vida 
vem-nos do sopro do Espfrito. Isso leva-nos a uma 
outra caracteristica da nossa experiència. 

0.2.2 A preocupagSo de captar as fontes 

O Capitulo de Itaici foi notàvel devido ao lugar dado à 
experiència espiritana comò fonte para pesquisar 
aonde nos conduzia o Espirito e aonde encontrar uma 
nova vitalidade para uma missào que, antes de ser 
estratégia, era espiritualidade. Isto nào era um 
caminho inteiramente novo. A experiència espiritana 
havia jà sido integrada na elaboragào da nossa Regra 
de Vida. Religiosos que tiveram ocasiào de ler a 
nossa Regra de Vida, apreciaram-na muito. 
Comparando-a à mais antiga da sua Congrega?ào, 
um deles dizia: "A nossa Regra é seca, Jurìdica. A 
vessa é vigosa". 

No Conseiho Alargado de Dacar, a forma(;:ao 
permanente apareceu fundamental neste periodo da 
nossa história. O Directório da Formagào exprime 
assim desafio: "Formando-nos permanentemente 



nos diversos aspectos da nossa vocagào, damos 
progressivamente corpo a urna espiritualidade que 
unifica nosso compromisso: sabedoria ao mesmo 
tempo "humana" e evangèlica, individuai e comunitària, 
dom a receber e tarefa a realizar" (DF 106). 

No Senegal, também tomàmos consciéncia do 
caràcter cada vez mais africano da Congregagào, nào 
so por causa do nùmero de membros mas também 
devido a um estilo e um espirito particulares. Em 
Dacar encontràmos a inspiragào duma Igreja viva e 
duma história que sobretudo a visita a Gorée tornou 
presente. O Conseiho Geral Alargado de 1989 tinha 
sido realizado em Arusha, na Tanzania, outro lugar 
importante das origens da nossa missào no 
continente. Foi igualmente para pesquisar as fontes 
de inspiragào que fomos ao Brasil em 1992 e à 
Irlanda em 1998, e nào ficàmos decepcionados. 

Pouco a pouco, fomos descobrindo que o mais 
importante para a Congregagào era captar as fontes 
vivas onde eia haurisse de novo sentido e energia 
para urna missào dificii, num tempo em que os seus 
membros provém mais de outros continentes do que 
aquele onde eia nasceu. Em Maynooth falàmos das 
"fontes de inspiragào". Antes de ser um corpo 
organizado para a acQào, a Congregagào é e deve 
ser um corpo organizado para captar inspiragào, 
comò um grande navio que desfralda todas as velas e 
cuja tripulagào é solidària para o melhor e para o pior. 
Estas preocupagóes manifestaram-se também ao 
longo da preparagào do Capitulo de Maynooth. 

0.3 Preparagào do Capitulo 

Mais do que fazer um programa e definir assuntos para 
discussào a partir do escritório, o Conseiho Geral, 
seguindo a visào evocada acima, procurou ir beber à sua 



pròpria experiència de seis anos de convivència da 
Congregagào e à experiència de todos os membros. Dm 
sumàrio da experiència dos Conselheiros com as suas 
questóes, foi enviado a todos os membros para apresen- 
tarem as suas questóes e a sua pròpria experiència. As 
respostas colectivas de 49 circunscrigoes entre 69 e as 
respostas individuais, foram estudadas, sintetizadas e 
resumidas por uma comissào ad hoc. 

As respostas reflectiam a consciència darà dos nossos 
limites actuais em pessoal, apesar do desenvolvimento 
das novas Fundagoes e Provincias. Os confrades que 
responderam à consulta insistiram sobre a necessidade 
de uma boa e prudente gestào do pessoal e das fìnan- 
gas. Apesar disso, a posigao dominante era de ir para a 
frente, com o sentimento de que se os assuntos que nos 
preocupavam nos fechassem às novas necessidades e 
às novas perspectivas, correriamos o risco de perder a 
inspiragào e com eia a pròpria vida. 

Foi a partir deste traballio preparatòrio que o Conseiho 
Geral, com a ajuda do Secretàrio Geral do Capftulo, 
redigiu os "Quatro fundamentos da Vida Espiritana", 
expressào essencial do programa do Capitulo. Deles 
apresentamos agora um resumo, comò àmago das 
mudangas e das orientagóes de Maynooth. 

0.4 Documento de trabaiho do Capitulo: Quatro 
Fundamentos da Vida Espiritana 

A pergunta posta ao Capitulo de Itaici era: "Aonde nos 
conduz Esplrito?". A resposta a està pergunta, 
encontramo-la na Biblia, na nossa tradigào espiritana, e 
também na nossa experiència actual, tal comò se 
reflecte nas respostas ao questionàrio pré-capitular. A 
partir destas respostas, o Conseiho Geral propòs quatro 
grandes temas para o Capitulo: A nossa Missào - As 



nossas fontes de inspiragào - A nossa vida em comum - 
O POSSO ministério partilhado. 

As respostas revelam a realidade que a nossa vida 
subentende: a necessidade de estarmos solidamente 
enraizados na vida do Espirito Santo. Ai é que està a 
fonte do nosso dinamismo interior, para além das 
experiéncias superficiais e das questóes da administragào 
e da organizaQào. Sem este sopro, nós nào passamos de 
"um bronze que soa e de um cìmbalo que retine" (I Cor. 
13.1). Ao mesmo tempo, reconhecemos que Libermann 
fundou a sua congregagào a partir das necessidades do 
mundo do seu tempo. 

Na fidelidade a Libermann, alguns pontos nào nos 
parecem negociàveis: anùncio do Evangeiho aos mais 
abandonados, vida de comunidade, santidade pessoal, 
Vida de oragào e disponibilidade ao Espirito Santo. 
Compete-nos Verificar a fidelidade da Congregagào à 
sua missào na Igreja" e "animar a vitalidade religiosa e 
apostòlica das membros do Instituto" (RVE 214). 

0.4.1 A nossa missào (cf. Jo.20,21-22 e Act. 1,8) 

A nossa experiéncia é a de uma missào que 
ultrapassa inteiramente as capacidades humanas e 
nos faz sentir a necessidade de receber a forga do 
Espirito Santo. Està forga vem-nos pela Igreja onde 
Jesus continua a sua missào, à qual somos particular- 
mente chamados. 

Ao encontro dos pobres de Deus 

O Espirito conduz-nos para estarmos ao servigo de 
todos OS homens, sobretudo dos pobres, dos 
excluidos e marginalizados, para os ajudar, para viver 
e trabalhar com eles, para tomar efectivo o Reino de 
Deus nas obras de justiga, de paz e de reconciliagào. 



10 



Chamados ao diàlogo 

O apelo do Espirito Santo é incessantemente revelado 
no testemunho da nossa pròpria Igreja, e também no 
testemunho de pessoas e grupos de diversas culturas 
e experièncias espirituais. Nós sentimos a neces- 
sidade de diàlogo com estas outras testemunhas da 
revelagao de Deus. Estas experièncias encontram-se 
sobretudo nas situagoes de primeira evangelizagào, 
que continua a ser a nossa principal prioridade. 

Inculturagào do nosso carisma 

Os jovens espiritanos provèm sobretudo de culturas 
diferentes daquelas onde a Congregagào nasceu. O 
Espirito Santo convida-nos à inculturagào do carisma 
espiritano. Eie abre-nos a formas que reflectem as 
culturas de origem dos nossos jovens confrades. Na 
nossa heranga, ha a orientagào para a missào "ad 
gentes" e um interesse especial pela Àfrica. 

Nas novas Igrejas, sentimo-nos chamados a suscitar 
dinamismo missionàrio e a promover o apoio 
concreto da missào da Igreja. 

Pontos particulares 

Nós experimentamos a forga de transformagào do 
EvangeIho que conduz à conversào, ao renovamento 
e à reconciliagào, antes de mais em nós mesmos. 
Nas Igrejas locais, o dinamismo da evangelizagào 
passa muitas vezes pelo ministério paroquial. Este 
ministério deve fazer-se em comunidade e segundo 
critérios espiritanos. 

Novas iniciativas missionàrias sào bem-vindas. Mas é 
preciso um discemimento comunitàrio, para assegurar 
a solidariedade e a continuidade evitando a dispersào. 
Estamos comprometidos em obras educativas, e 



11 



recebemos novos pedidos de compromisso neste 
dominio. A educagào é também um lugar de anùncio 
do Evangelho. 

A formagào, inicial e permanente, deve preparar os 
espiritanos para darem uma resposta criativa às 
realidades e exigèncias presentes e futuras da 
missào. As realidades mudam; é preciso portante 
reavaliar continuamente os nossos programas de 
formagào. 

O nesso compromisso missionàrio inclui todas as 
fases da nossa vida. Mesmo na reforma ou na 
doenga, continuamos a viver "està vida de amor e de 
santidade que o Filho de Deus levou na terra..." 
(Regrade1849&RVE3). 

0.4.2 As nossas fontes de inspiragào (cf. Rom. 
8,26 - RVE 85 e 89) 

Vamos buscar a nossa forga e a nossa perseveranga 
à familiaridade orante com a Palavra de Deus e à 
celebragao regular da Eucaristia. Como espiritanos, a 
nossa Vida de oragào està intimamente ligada à vida 
apostòlica; temos uma relagao particular com o 
Espirito Santo, fonte de toda a verdadeira missào e 
com o Coragào Imaculado de Maria. Recebemos a 
nossa inspiragào particular do carisma dos nossos 
fundadores e da nossa história. 

Exaurimos a forga deste carisma, partilhado com os 
outros confrades, na fidelidade criativa a uma mesma 
Regra de Vida, na nossa experiència comum do 
Evangelho e no apelo comum. Uma vida de 
comunidade simples, fratema e verdadeira, na 
solidariedade e fidelidade, é fonte de maturidade 
humana vivida na paz e na alegria. A nossa vida 



12 



comum é enriquecida pela diversidade cultural, pela 
qual nosso carisma se manifesta no mundo de hoje. 

A nossa expehéncia actual é de viver em simbiose 
com aqueles aos quais o Esplrito nos envia. Tomamos 
consciéncia de nós próprios sermos evangelizados. 
Evangelizando os pobres, procuramos também ser por 
eles evangelizados. A nossa amizade e diàlogo com 
eles, crentes ou nào crentes, que foram tocados pelo 
Evangeiho, inspira-nos e encoraja-nos. 

Uma Vida inspirada pela contemplagào dos caminhos 
do Esplrito na história nào pode admitir um 
pessimismo duràvel. Eia encoraja-nos a sermos 
optimistas diante dos desafìos do nosso mundo. O 
Espirito faz-nos entrever e discernir os sinais dos 
tempos (Cf. RVE 86). 

0.4.3 A nossa Vida em comum "Cor Unum et 
Anima Una" (Cf. Vita Consecrata, 72) 

Chamados a viver em comunidade 

mesmo Espirito que nos chama à missào, chama- 
nos também à vida de comunidade. Vivemos a nossa 
vocagào na grande comunidade da Congregagào ou 
da circunscrigào, e na comunidade espiritana locai. 
Muitas das nossas comunidades actualmente sào 
inter-culturais, internacionais e inter-geragòes, sinais 
de que é possivei uma nova sociedade. Esperamos 
que se desenvolvam, com uma formagao adaptada. 

Testemunho e discernimento 

Num mundo dilacerado e individualista, a comunidade 
é um testemunho de comunhào evangèlica. Cada um 
de nós é chamado a integrar a sua caminhada pessoal 
e seu apostolado na Congregagào. Descobrimos 



13 



entào sentido da obediència: a cxxnunidade toma-se 
o lugar privilegiado do discernimento da vontade de 
Deus. Eia é também o remédio contra a tendéncia de 
nos centrarmos em nós mesmos no nosso trabaiho. 

Solidariedade 

A Vida de comunidade morre quando os seus 
membros nào tém verdadeira abertura uns para com 
OS outros. Nos casos diffceis, nào basta apelar para a 
diferenga de culturas. É preciso desmascarar certos 
desvios: uso dos carros, contas pessoais e outros 
aspectos da nossa maneira de viver em oposigào com 
o nosso ideal de partilha. A nossa vida em comum 
deve melhorar os canais de solidariedade que 
permitem fazerface às necessidades de cada um. 

Viver so: apelo à fìdelidade 

Se por vezes um espiritano tem de viver so, deve ficar 
darò que està situagào nunca sera normal. É 
inquietante verificar que tantos confrades vivem sós. 
Toma-se dificii ver na "comunidade regionai" urna 
alternativa credfvel. Estas comunidades raramente 
reùnem as caracterlsticas indicadas na RVE 32.2. A 
Congregagào deveria tomar posigào diante deste 
problema. 

0.4.4 Ministério partìlhado (Cf. Vita Consecrata 56 
e RVE 24.3) 

A generosidade dos leigos que desejam partilhar a 
nossa missào, a nossa espiritualidade é um dom feito 
à Congregagào e sobretudo à nossa missào. Con- 
tinuamos abertos a novos desenvolvimentos da 
colaboragào dos leigos. Este atractivo testemunha a 
riqueza da nossa tradigào e a profundidade do nosso 
compromisso. Tanto a tradigào de Poullart des Places 



14 



corno a de Libermann sào sufìcientemente abertas 
para dar lugar a compromissos diversificados na 
nossa missào ou na nossa espiritualidade. Urna tal 
coiaboragao permite a continuidade e a difusào do 
espirilo espiritano nas obras donde decidimos retirar- 
nos. 

Em muitas circunscriQoes ha jà coiaboragào com 
outros Institutos sobretudo no campo da formagào. 
Urna tal colaboragào em projectos comuns, deveria 
ser encorajada a todos os niveis: eia serve a nossa 
missào e optimiza o uso dos nossos recursos. 

0.5 Urna visào mais unificada da Vida Espìritana 

A visào do Capitalo de Maynooth faz-nos viver de 
maneira mais unificada as quatro dimensóes do nosso 
compromisso: missionàrio, comunitàrio, espiritual, aberto 
à colaboragào. Estes componentes da nossa vida 
religiosa missionària reforgam-se uns aos outros comò os 
fios de uma corda. 

Uma missào de proximidade e de testemunho exige uma 
verdadeira vida espiritual e eia é ao mesmo tempo fonte 
de inspiragào. A conversào do coragào é indispensàvel 
para uma verdadeira vida fraterna e està em 
compensagào é uma grande fonte de dinamismo e de 
purificagào do coragào. A unidade entre espiritanos 
sustenta os nossos compromissos missionàrios e, em 
compensagào, este gènero de compromisso, especifico 
da nossa vocagào, é o qua nos mantém mais 
firmemente unidos. A colaboragào pode reforgar a 
inspiragào pròpria de cada um dos parceiros e criar ao 
mesmo tempo uma unidade mais profunda entre eles. 

Para empregar um simbolo utilizado no Capitulo, a nossa 
Vida missionària é comò uma grande peregrinagào ao 
encontro dos povos da terra, prioritariamente dos mais 



15 



desfavorecidos. Eia faz-nos viver ao mesmo tempo urna 
peregrinagào ao encontro dos nossos confrades e dos 
nossos colaboradores na sua singularidade. Na linha de 
mùltiplos encontros, somos levados a fazer urna espécie 
de peregrinagào no interior de nós mesmos. Toda a 
nossa Vida se toma urna marcha sob a conduta do 
Espirito, cxim Jesus para o Pai. 

O simbolo do navio pode traduzir o que està em jogo na 
visào da nossa organizagào que o Capitulo aprovou. 
navio fez-se ao largo com o curso da história deste 
tempo e nào tem caminho para regressar ao porto. 
Avanga sob a forga do vento que sopra nas suas velas 
desfraldadas. A tripulagào cosmopolita mas unida, faz as 
manobras delicadas do velame e do leme, necessàrias 
para aproveitar o vento e manter a proa num mar 
agitado, no melo duma flotiiha de parceiros impelidos 
pelo mesmo vento e embarcados para a mesma 
aventura. 



16 



1.1 EVANGELIZAQÀO ENTRE OS NÓMADAS 

DO PAiS BORANA 

Etiòpia 

Urna imensa regiào 

Borana é a regiào mais meridional da Etiòpia, tocando 
a fronteira norie do Quénia e tendo cerca de 120.000 
km^ . A populagào, composta por vàrios gmpos étnicos 
(OS Borana, que sào a maioria, os Guji, os Gabra, os 
Gburji, etc.) é um povo de pastores semi-nòmadas. Eles 
vào e vém nesta imensa regiào, à procura de pastos e 
de àgua para os seus rebanhos, de que depende a sua 
sobrevivéncia. Actualmente somos sete os espiritanos 
no pais Borana: dois dos Estados Unidos/Este, très da 
Nigèria e dois da Holanda, e trabalhamos em très 
centros: Dadim, Dhoqolle e Yavello. Em Dadim, 
trabalhamos em estreita colabora^ào com trés 
Missionàrios Médicos de Maria, que fazem connosco 
uma so comunidade apostòlica. Cada gnjpo conserva a 
sua identidade e a sua autonomia auferindo beneficios 
do apoio mùtuo, do traballio em equipa e da partiiha da 
expehència. 

Profundo respeito pelas pessoas 

Desde o principio demos grande importància ao respeito 
pelas pessoas e pelo seu modo de vida. Partindo da sua 
situagào, procuràmos sempre conservar o melhor da sua 
cultura e do seu modo de vida, vendo a maneira de em 
seguida os integrar nos nossos métodos de evan- 
gelizagào e na nossa fé cristà. É um processo multo 
lento, sobretudo se somos tentados a avallar os frutos 
pelo nùmero dos baptismos. E, na verdade, os nùmeros 
nào sào multo encorajantes, se considerarmos que a 
nossa missào celebrou jà o seu jubileu de prata : 250 
católicos em Dadim, 30 em Jijiddu, 60 em Doqolle e 30 



17 



em Yavello. A nossa esperanga é que a nossa 
aproximagào, quer dizer o estar com as pessoas, em 
tempo de paz comò nos periodos agitados, partilhar a 
sua Vida, dialogar e comunicar-ihes a Boa Nova de 
Jesus Cristo no contexto da sua cultura e do seu modo 
de Vida, permitir-lhes-à aproximarem-se da plenitude da 
Vida que Jesus leva a todos os homens. Nós jà 
descobrimos que os Borana, através do diàlogo e da 
partiiha, nos tém ajudado a compreender a nossa 
pròpria fé e a tornà-ia mais forte. 

A cerimònia do café 

A nossa principal maneira de evangelizar é o ensino na 
aldeia. Às vezes somos nós que nos convidamos, outras 
sào as pessoas que, ouvindo falar de nós, nos pedem 
para Ihes fazermos uma visita. A partiiha da Boa Nova 
faz-se sempre no contexto da cerimònia do café, que 
està no centro do ritual popular. Reunimo-nos numa 
casa; fazem passar gràos de café, e cada um toma um 
punhado para os descascar. Os gràos descascados sào 
em seguida juntos e fritos com óleo ou manteiga. Antes 
de se Ihe deitar leite, uma parte deste óleo é distribuido 
aos que se querem untar com eie. Uma vez preparado o 
café é deitado numa grande malga de madeira e o mais 
idoso benze-o. Em seguida é distribuido a todos os 
assistentes, comegando pelo homem mais veiho para 
acabar pela moga mais nova. Durante este tempo lè-se 
uma passagem do Evangeiho, pòem-se perguntas e 
dào-se explicagòes. A cerimònia termina com uma 
oragào, feita pelo catequista ou pelo padre. Ao fim de 
dois anos mais ou menos, as pessoas que seguiram 
este ensinamento sào convidadas a entrar no 
catecumenato. Evidentemente, a vida nòmada exige que 
se sigam as pessoas durante as suas deslocagoes, o 



18 



que nem sempre é fàcii, visto elas irem à procura de 
novas pastagens e de àgua para os seus rebanhos. 

Integragào de simbolos 

Na comunidade arista temos procurado inculturar a 
mossa celebragào da Eucaristia. Os sacrificios de 
animais sào um rito importante para os Borana; durante 
este rito, os assistentes passam a mào sobre o animai, 
orando pela paz, pela chuva, pela seguranga... pela sua 
sociedade. Este gesto, introduzimo-lo na cerimonia do 
ofertório da missa: todos sào convidados a estender a 
mào sobre as oferendas pedindo pela paz, etc. Temos 
também tentado introduzir algumas oragóes eucaristicas 
sob a forma de diàlogo, que é a forma tradicionai de 
oraQào entre os Borana. 

Oferecer às pessoas novas escolhas 

A educagào foi desde o principio um elemento importante 
do nosso apostolado, com o fim de oferecer a estas 
pessoas, de facto marginalizadas porque sào pastores, 
novas escolhas na vida e tornà-las capazes de 
assumirem, na economia do pais, o seu verdadeiro lugar 
de principais produtores de carne. A educagào tem 
também comò objectivo unir gmpos étnicos que vivem 
uma tradigào de animosidade e de hostilidade reciproca. 
A nossa politica de acolher nas nossas trés escolas, 
criangas de diferentes grupos étnicos e de fazer da 
educagào religiosa a base da moralidade e do viver em 
comum, tem sido particularmente eficaz. A inter- 
nacionalidade da nossa comunidade tem tido também o 
seu impacto. As pessoas admiram-se de ver homens e 
mulheres de diferentes cores e nacionalidades, viverem 
juntos na paz. 

desenvolvimento tem sido também um outro elemento 
importante de aproximagào geral de evangelizagào. A 



19 



principio era sobretudo urna questào de ajuda alimentar; 
agora o acento é posto em programas de desen- 
volvimento a partir das comunidades. Estes sào 
inspirados sobretudo pelo programa DELTA, cujo fim é 
ajudar as pessoas a identificar os seus problemas e a 
procurar solugòes para eles. Isto tem contribuido para 
ganhar a confianga entre as pessoas de diferentes 
grupos étnicos. 

Um futuro prometedor mas incerto 

Mesmo se em termos de resultados palpàveis a nossa 
acQào é multo lenta, ha sinais de esperan^a que deixam 
antever um futuro promissor. A nossa presenga, 
sobretudo nos momentos dificeis, favoreceu uma 
atmosfera de confianga e de benevolència, que leva as 
pessoas a serem mais receptivas ao que nós dizemos 
do Evangeiho e da educagào. Actualmente, dois jovens 
Borana estào no Quénia para seguir um curso de 
catequese e um outro està na nossa casa espiritana de 
filosofia na Tanzania, com a vontade de entrar na 
Congregagào. nosso maior problema vem da falta de 
seguranga para o futuro, no que diz respeito ao pessoal 
e finangas. É preciso na nossa Congregagào uma 
vontade de partilhar os nossos recursos financeiros e 
humanos, para que os grupos internacionais comò o 
nosso, alcancem uma solida estrutura assegurando-lhe 
pessoal e continuidade. 

Peter OSUJI 



20 



1.2 PERCURSO DE PRIMEIRA EVANGELIZAQÀO 
Senegal, Guiné-Conakry, Guiné-Bìssau, Mauritania, 

Argélia 

Poder-se-ia afirmar que a primeira evangelizagào é 
antes de mais uma caminhada missionària que se 
realiza nos contextos onde a Boa Nova ainda nào é 
conhecida, onde a Igreja nào està presente com as suas 
instituigòes; e està caminhada missionària consiste 
antes de tudo em criar lagos de amizade, escutar, 
assinalar "sementes do Verbo" e comegar um caminho 
em comum. As paràbolas deste tipo de presenta seriam 
discurso de Paulo aos atenienses e o encontro de 
Pedro com o centuriào Comélio.^ Està definigào em 
sentido lato inclui também os nossos confrades que 
trabalham num melo mais especificamente islamisado, 
comò a Mauritania ou a Argélia. A primeira evan- 
gelizagào é um processo activo: estar com um povo, em 
solidarledade concreta com eie; està caminhada 
implica uma dupla conversào: a do missionàrio e a das 
pessoas que eie encontra. 

Estar com, em situagào de aprendizagem 

A primeira evangelizagao, em qualquer lugar que seja, é 
antes de mais uma dinàmica que privilegia o estar com 
um povo, a vontade de partilhar a sua vida. Isso é 
impossivei se nào nos pomos resolutamente em situagào 
de aprendizagem, na posigào de alguém que comega. 
Ha vàrios caminhos de aprendizagem: 

• Primeiro, aprender a lingua; 

• Fazendo isto, entra-se também no universo cultural 
de um povo, tanto no que eie tem de tradicional 



' Claude Tassin: conversion de Corneille et conversion de Pierre, 
Spiritusn°141, pp. 465-475. 



21 



(grandes ritos da vida, tradi^òes orais, história) corno 
no que eie tem de instàvel; 

• Entrar na cultura religiosa dum povo: é preciso tempo, 
muito tempo... Penetrar no mundo tradicional, nos 
seus mitos e ritos, nos seus inumeràveis sacrificios, 
perceber o sentido das màscaras... e em tudo isso a 
procura de mais vida, de fecundidade e de boas 
relagóes com o outro, com Deus. Entrar no mundo do 
Isiào, com seu Livro, a sua teologia, as suas 
pràticas... por vezes o seu lado extremista; 

• Entrar na história dum povo: história antiga; história 
muitas vezes dolorosa, seja por causa da colonizagao, 
seja pelo desprezo e esquecimento contemporàneos 
em certas etnias minoritàrias; 

• É um caminhar inteiramente nesso, uma capacidade 
de empatia, de estar em bom relacionamento com as 
pessoas. É sentir-se à vontade com um povo, 
partilhar a sua vida quotidiana; aceitar viver em 
qualquer parte e af se sentir bem. 

Em redes de solidariedade 

A primeira evangelizagào exprime-se também num agir, 
em redes de solidariedade concretas, sendo importante 
o que se é, nào o que se faz: 

• Trabaiho paciente de lutar com as minorias, para que 
elas sejam reconhecidas. Ha culturas e llnguas 
desprezadas em conjuntos mais amplos. Quando os 
confrades ajudam as pessoas a defenderem-se 
contra as injustigas feitas aos "pequenos", lutam para 
que OS direitos humanos sejam respeitados e para 
que nasga uma cultura de democracia, isso comporta 
um trabaiho de Justiga e Paz. 

• Trabaiho de desenvolvimento nas comunidades 
humanas: sobretudo o trabaiho de abrir pogos. 



22 



• Trabalho de educagao, favorecendo a criagào de 
escolas, de lugares de formagào das conscièncias. 

• Ajudar a tornar consciéncia das mudangas às quais 
ninguém escapa: subversào das linguagens e das 
dependéncias, dos valores e dos poderes, es- 
boroamento das coerèncias camponesas... Ajudar 
urna cultura a unir-se às outras, a entrar num debate 
com OS outros, é urna tarefa delicada. 

• Participar numa cultura de reconciliaijào e de paz, nas 
regióes atingidas pela guerra. 

Urna dupla conversào 

Estar com as pessoas e viver com elas, estando 
inteiramente solidàrios para que possam ter urna vida 
melhor, conduz a uma dupla conversào: a do missionàrio 
e a das pessoas. A conversào das pessoas pode ir, 
depois de um primeiro anùncio, até à sua entrada na 
Igreja. Mas a primeira evangelizagào supoe e implica a 
conversào do missionàrio; ha vàrios lugares que 
interpelam: 

• Entrar numa outra lingua e numa outra cultura é um 
trabalho de despojamento, uma caminhada espiritual 
no sentido em que a entendia Libermann: "despojai- 
vos...". 

• Privilegiar as atitudes de escuta e de compreensào; 
comportar-se comò hóspede de um povo. É multo 
duro, por exemplo entre os nossos confrades da 
Mauritania. É S. Paulo que repara na inscrigào "Ao 
Deus desconhecido" e cita os poetas gregos. 

• Aprender a gratuidade: o tempo das visitas, as 
ocasióes das conversas. Disseram-me em qualquer 
parte a propòsito dum missionàrio: "eie trabaiha todo 
tempo, nào se pode falar com eie". 



23 



• Testemunhar, estando por vezes simplesmente e 
corajosamente presente, corno os nossos confrades 
da Argélia. Este gènero de presenta jà diz muito e é 
solidariedade. 

Sem dùvida a conversào é também urna outra maneira 
de ver o lugar do missionàrio, diferente daquela que se 
aprendeu no seu meio: sair do ciericalismo, fazer-se 
humildemente irmào, entrar naquilo que as pessoas 
procuram, nos seus problemas, nos seus costumes, no 
significado que elas dào à sua vida. Isto nào é possivei 
se nós próprios nào somos sempre fiéis a este Espirito 
que nos ensina a rezar, a chamar a Deus "Pai", que solta 
gemidos em nós num trabaiho de nascimento dum 
mundo novo. 

Os lugares de conversào sào mùltiplos; mas aqui 
converter-se é talvez fundamentalmente "ir ao encontro 
dos outros", é "sair", ousar habitar as fronteiras da Igreja, 
para que cada povo reviva a manhà de Pentecostes, 
quando cada um ouvia falar das "maravilhas" de Deus 
na sua pròpria lingua. 

Gerard MEYER 



24 



1.3 A EDUCAgÀO NA MISSÀO ESPIRITANA 
Estados Unìdos / Este 

O carisma espìritano continuado 

Nos Estados Unidos, ha muito tempo que estamos 
envolvidos em numerosas tarefas de educagao. Estas 
instituigòes estào marcadas com o selo espiritano à 
maneira da nossa propria formagào corno espiritanos, 
"por osmose": o ambiente da instituigào e o testemunho 
vivido pelos espiritanos que estào comprometidos neste 
ministério particuiar da educa<;;ào. É diariamente que os 
estudantes fazem a experiència dos vaiores dos seus 
educadores e estes sào passados por eles quase sem o 
saberem. 

Sendo cada vez menos numerosos os espiritanos em 
Duquesne e no Colégio do Espirito Santo (Holy Ghost 
Prep), temo-nos posto o problema da continuagào do 
carisma espiritano nestas instituigòes. Sentimos neces- 
sidade de esclarecer o que faz uma instituigào espiritana 
de educagào, aqui e agora. O processo que temos 
escolhido é em parte planificado e em parte deixado à 
inspiragào. Eie supóe uma grande colaboragào com os 
leigos nestas instituigòes. 

Projectos missionàrios 

Ha uma evolugào paralela nas duas instituigòes. As duas 
comegaram por formular um projecto missionàrio para a 
sua escola. 

projecto de Duquesne enumera cinco preocupagòes: 
elevado nivei académico, vaiores morais e espirituais, 
ambiente ecumènico, espirito de servigo e problemas do 
mundo. Enquanto o "Holy Ghost Prep" abrange um 
corpo de professores e de estudantes muito diferentes, 
no seu projecto missionàrio encontramos expressas 



25 



preocupagoes semelhantes: elevado nivel académico, 
formagào moral, intelectual e espiritual, servigo dos 
pobres, constituigào duma comunidade e desenvol- 
vimento dos dons pessoais. Os dois projectos tèm a 
preocupagao da educagào da pessoa no seu todo, e nào 
apenas no nivei intelectual. 

Estes projectos por eles mesmos nào sào significativos, 
mas sào a base duma reflexào continua ao longo dos 
anos pelas diferentes instàncias destas instituigóes. 
Deste modo é a redacgào dos projectos, a reflexào 
conduzida a partir deles por todas as pessoas com- 
prometidas neste traballio e a execugào das impiicagoes 
destes projectos, que tèm constituido a base a partir da 
qual està "institucionalizado" o carisma espiritano destas 
obras. 

Os desenvolvìmentos 

Para nós, urna instituigào espiritana de educagào deve 
ter em consideragào a Igreja que chama a servir, o 
mundo que somos chamados a servir e as necessidades 
das pessoas que encontramos por uma e outra parte. Os 
projectos missionàrios tém-nos ajudado a centrarmo-nos 
neste apelo. As duas instituigóes alcangaram uma sòlida 
reputagào de um aito nivel académico, reconhecido por 
observadores exteriores. Damo-nos conta de que somos 
chamados nào so a instruir jovens, mas a formà-los 
moral e espiritualmente, e a fazer deles pessoas 
responsàveis e adultas. A educagào, num ambiente de 
fé, nào é semente um bem em si mesma, mas torna os 
estudantes capazes de reconhecer e responder à sua 
vocagào de se comprometerem no mundo e de ter a 
preocupagào dos outros. A ènfase està pertanto posta 
neste servigo. 



26 



Universidade Duquesne: urna nova visào 

A vocès que estào reunidos em Capftulo, convidamo-vos 
a olhar Duquesne de urna maneira diferente. Primeiro 
langamos um olhar sobre o que foi realizado. Duquesne 
concedeu diplomas a mais de 225 religiosos e religiosas 
católicos, vindos de mais de 32 paises. Entre aqueles, 
25 estudantes da Àfrica seguiram o programa de 
doutoramento de filosofia em Duquesne, sendo a maior 
parte padres diocesanos e algumas religiosas. So 
durante os ùltimos doze anos, 60 espiritanos obtiveram 
diplomas em Duquesne. Presentemente, 12 espiritanos 
de cinco paises frequentam seis disciplinas a nivel 
superior. 

Nós pensamos que oferecer estudos em Duquesne, é 
apenas uma maneira entre outras de servir a Igreja e a 
missào espiritana no mundo. Apenas esbogamos a àrea 
da pesquisa e da formagào no servigo das preocupagóes 
especificas dos espiritanos no mundo, tais comò o 
programa para a resolugào dos conflitos e os estudos 
para a paz. Como podemos levar os diferentes estudos 
sociais, a teologia e outras disciplinas a fazer progredir a 
nossa missào? Que pode oferecer uma universidade no 
campo da Justiga e da Paz, em face da globalizagào e 
dos problemas sociais e geo-politicos que dai resultam e 
que sào um desafio para a Igreja e para nós mesmos na 
nossa missào? De que modos diferentes pode 
Duquesne ser ùtil às Igrejas locais no mundo? Como 
pode Duquesne ajudar-nos a viver uma colaboragào 
mais profunda com elas? 

Projectos de futuro 

Nós quereriamos continuar a assegurar uma sòlida 
presenga espiritana na Universidade; mas podè-lo-emos 
fazer sem a ajuda concertada de toda a Congregagào? 
Meste momento cruciai somos obrigados a reconsiderar 



27 



o que temos e a avaliar a contribuigào de Duquesne 
para a nossa missào. 

Apelo ao Capitulo para que pega ao Conseiho Geral que 
estabelega urna estrutura que nos permita, corno 
congregagào, utilizar Duquesne do melhor modo para o 
servilo da nossa missào espiritana. A Congregagào tem 
aproveitado este recurso e por isso Ihe estamos gratos. 
É tempo da Congregagào ver Duquesne, nào apenas 
corno um recurso a expiorar, mas também comò um 
compromisso no qual se investiram membros de 
numerosas circunscrigóes através do mundo. 

Chris PROMIS 



28 



1.4 EDUCAQÀO INFORMAL DAS CRIANQAS 

Bangui 

Trabalhei durante vàrios anos na Repùbiica Centro- 
africana, a nivel nacional e na cidade de Bangui, no 
movimento Aita Kue ("Todos Irmàos e Irmàs"), um 
movimento da Acgào Católica das criangas (7 a 14 anos) 
ligado a muitos outros em todo o mundo através duma 
coordenagao internacional (MIDADE). 

Capazes de decidir e de agir 

A pedagogia deste movimento consiste no apostolado 
das criangas mediante as próprias criangas; isso a partir 
duma convicgào partilhada com muitos outros movi- 
mentos: as criangas sào capazes de tomar iniciativas, de 
se unir para agir ao seu nfvel, de transformar relagoes 
segundo a Boa Nova do Evangelho. Dentro deste 
movimento {Aita Kue), as criangas encontram-se com 
um responsàvel uma vez por semana, em grupos de 10 
a 20 membros. Discutem, tomam decisóes e tém 
actividades em comum. 

Um exemplo, entre outros. Arnaldo é órfào de pai; é 
confiado aos cuidados duma das mulheres de seu tio, 
onde nào se sente feliz: censuram-no por comer o 
alimento da familia, sem os seus parentes nada 
pagarem... Volta para casa de sua màe; mas està 
manda-o novamente para casa desta mulher. Final- 
mente fugiu para os lados do grande mercado da cidade, 
trabalhando em casa dum comerciante ao lado dum bar, 
para ganhar algum dinheiro para se alimentar. Ha 
criangas do bairro que pertencem ao Aita Kue; 
conseguem saber onde eie se encontra. Decidem entào 
contactà-lo para ver se conseguem devolvè-lo à sua 
familia. Sào bem sucedidas e convencem-no a voltar 



29 



para casa da sua màe. Mas antes levam-no ao res- 
ponsàvel do grupo para se lavar e vestir roupas limpas. 
A màe agradece-lhes, muito admirada por ver que as 
criangas conseguiram reenviar-lhe o filho. 

Verificamos que as criangas sào capazes de agir com os 
seus melos, mesmo que sejam limitados. Algumas con- 
digoes para que as criangas possam agir na sociedade: 

• estar próximo delas para que possam exprimir-se com 
confìanga (oralmente, ou mediante um escrito, um 
desenho, um poema, uma oragào...); 

• procurar ver com elas o que se pode fazer diante 
duma dificuldade; 

• estar atento para identificar os lideres eventuais; 

• apoiar as iniciativas e ajudà-las a levarem até ao firn 
as suas actividades. 

Nào falar em sua vez 

Procuramos formar os responsàveis para realizarem 
completamente os seus projectos. É preciso evitar maus 
hàbitos: decidir em vez das criangas; falar em seu lugar, 
em vez de Ihes dar a palavra. 

Està formagào demora tempo; conhece insucessos. Mas 
produz frutos: no proprio grupo das criangas, na 
sociedade, na Igreja, e mesmo no responsàvel do 
grupo... Para que està formagào seja sòlida e a 
actividade coerente, é importante trabalhar "em 
cooperagào": estabelecer lagos entre grupos do mesmo 
pais e com outros movimentos no estrangeiro. 

Um mundo a descobrir 

Trabalhar com estas criangas e estes jovens é 
apaixonante; mas nào deixa também de nos incomodar. 



30 



porque isso faz-nos perceber melhor todas as dificul- 
dades e obstàculos que elas encxintram. Com confìan^a 
em Deus e nos homens, mantemos a esperanga de que 
ainda nào està tudo perdido e que o amor é ainda capaz 
de "movimentar alguma coisa neste mundo. 

Emmanuel MEAUDRE 



31 



1.5 ONDE ESTAMOS, QUANTO AO NOSSO 

COMPROMISSO PELA JUSTIQA E PAZ? 

Coordenador da Casa Generalìcìa^ para J&P 

Actuais compromìssos pela Justiga e Paz 

Segundo as directivas do Capitulo Geral de Itaici, o 
coordenador para a J&P desenvolveu mùltiplas 
actividades, procurando clarificar o sentido e os métodos 
de traballio para a J&P, comprometendo-se numa tarefa 
de formagào neste dominio, mesmo fora da Con- 
gregagào, colaborando com outras congregagoes e 
diversos organismos. Trabaihou em estreita colaboragào 
com o Conseiho Geral, sobretudo com o conselheiro 
encarregado de seguir particularmente este aspecto da 
nossa missào. 

Os nossos compromissos actuais sào sobretudo; 

Solidariedade com as pessoas em situagào de 
confuto 

Em muitos lugares, os espiritanos continuam a arriscar 
a sua Vida ficando com as pessoas que vivem 
situagóes de sofrimento indescritivel. apoio recebido 
dos confrades doutras circunscrigòes, a ajuda e a 
amizade manifestadas àqueles que vivem e trabalham 
em situagoes dificeis, sào um Sinai evidente de que o 
Espirito trabaiha nas nossas vidas. Na Casa 
Generalicia, estando bem cientes de que quase nada 
podemos mudar nestas situagóes, fazemos o que està 
ao nesso alcance para conservar o contacto com 
estes confrades, por meio de cartas, fax ou telefone. 



^ Està apresentagào foi acompanhada de projecgoes a cores com 
a ajuda dum programa Power Point. 



32 



Traballio em rede 

Ha cada vez mais colaboragào entre as autoridades 
que se preocupam com a justiga social. Nós estamos 
em ligagào com a rede AEFJN, com a Uniào dos 
Superiores Gerais, com a SEDOS, com congregagóes 
e instituigóes de leigos, sobretudo no que diz respeito 
à justiga social. 

Formagào para a paz 

Muitos espiritanos perceberam a importància do 
langamento de programas de formagào comò o 
"Conflict Resolution Program" (Estudo sobre a 
resolugào dos conflitos) na universidade Duquesne e 
suas extensòes na Àfrica. A mistura de diferentes 
gmpos étnicos na missa dominical é uma outra forma 
de construgao da paz no mundo de hoje, assim comò 
OS programas de formagào catequética centralizados 
sobre a paz. A actividade pela paz e a formagào para 
a construir estào a tornar-se prioridades do nosso 
compromisso missionàrio. 

Ministério social e J&P 

"Dirigimo-nos especialmente aos povos, grupos e 
pessoas cujas necessidades sào maiores e aos 
oprimidos" (RVE 4). "Devemos fazer-nos os 
advogados, o sustentàculo e os defensores dos 
fracos e dos pequenos, contra todos aqueles que 
OS oprimem" (RVE 14). 

Hoje, fazemos tudo isso quer através de projectos 
especificos, quer a partir do contexto paroquial. Este 
gènero de ministério toma formas variadas: 

• Educagào: formai e informai, defesa dos direitos das 
pessoas, ajuda às pessoas para elas próprias se 



33 



organizarem na defesa dos seus direitos, formagào 
das pessoas para a ideia e a pràtica de J&P. 

• Trabaiho de desenvoivimento: no campo e na 
cidade, escolas de aghcultura ou técnicas, organismos 
de agricultores, comercializagào, aprendizagem, ajuda 
para o langamento de pequenas empresas, sistemas 
de créditos, informagào para o controlo da natalidade. 

• Refugiados: servigo junto dos refugiados, dos 
imigrados, dos presos, das vitimas da SIDA, dos 
drogados, dos jovens sem formagào nem emprego 
nas cidades, das populagóes rurais em àreas 
afastadas. 

Perspectivas de futuro 

1. Muitas formas de ministério social mencionadas 
acima estào intimamente ligadas à J&P. Mas no 
futuro sera preciso realgar mais o servigo directo de 
J&P, constituindo comissóes e grupos J&P nas 
dioceses e nas paróquias. 

2. Reforgar a rede de ligagòes jà existente entre con- 
gregagoes e gmpos de leigos. 

3. Aprofundar a espihtualidade do servigo J&P. 

John SKINNADER 



34 



1.6 UMAVOZDOSSEMVOZ 
BrasìI 

Viola^ào dos direitos humanos 

O Brasil tem sido muitas vezes objecto da aten^ào 
internacionai nestes ùltimos anos, por causa da violagào 
dos direitos humanos. As criangas, as populagóes 
autóctones, as pessoas da ma, os sem terra, as 
mulheres, o ambiente sào apenas alguns grupos e 
categorias vitimas desta violagào. A maior parte das 
vitimas nào tém voz nem poder. Desde o fim da ditadura 
militar, pelos meados dos anos 80, o Brasil praticamente 
assinou todas as declaragóes internacionais dos direitos 
humanos. Dai, muitas perguntas se pòem, sobretudo 
està: "Porqué ainda tantas violagoes dos direitos 
humanos e pode-se fazer alguma coisa para Ihes por 
fim"? 

Urna ocasìào para agir 

Tais preocupagóes estiveram multo presentes por 
ocasiào dum encontro de coordenadores J&P de 
diferentes congregagòes, organizado pelo Distrito 
espiritano do Brasil Sudoeste. Os participantes 
lembraram que o Brasil tinha enomies riquezas - ocupa 
8° lugar na escala econòmica mundial; que era também 
um pais de desigualdades sociais gritantes, de injustigas, 
de violència e de exclusào. Sobre isso, poucas 
informagòes detalhadas sào dadas no estrangeiro. Os 
participantes lembraram também que quando tais factos 
sào conhecidos e atraem a atengào, a reacgào das 
autoridades brasileiras é fazer todo o possivei para 
reparar os crimes centra os direitos humanos. Numa 
palavra, o Brasil aparecia multo preocupado com a sua 
imagem internacionai. A reacgào à atengào internacionai 
era manifestamente, em muitas ocasióes fonte de 



35 



publicidade no interior do pais. Està publicidade e as 
discussóes que se Ihe seguiam ajudavam muito as 
pessoas a tornar consciéncia dos probiemas levantados. 

Durante o encontro, os coordenadores presentes viram 
claramente que havia ai urna nova ocasiào para 
trabalhar em favor dos direitos humanos e da justiga 
social. Decidiu-se langar um projecto entre con- 
gregagòes para dar urna voz aos sem voz. 

SEJUP e OS seus servigos 

O projecto recebeu o nome SEJUP (Servigo brasileiro de 
Justiga e Paz) e eu fiquei a ser o primeiro coordenador. 
Representantes das congregagóes comprometidas 
reuniam-se mensalmente. No seu cadérne de encargos, 
o SEJUP incluia très missòes importantes: 

1. Denunciar a ìnjustiga 

É urna das principais missòes; denunciar as injustigas 
e apelar à acgào. Individuos e representantes de 
organizagoes foram convidados a enviar mensagens 
de protesto às autoridades brasileiras, pedindo a sua 
intervengào para por fìm a violagòes especificas dos 
direitos humanos. Nós temos estado atentos para 
estabelecer uma infra-estrutura onde os grupos de 
defesa dos direitos humanos e as organizagoes de 
base possam enviar as suas denùncias e os seus 
relatórios sobre estas questòes. 

2. Construir a solidariedade 

É a segunda missào importante do SEJUP desde o 
seu comego: criar contactos e construir a 
solidariedade. Ao longo dos anos, o SEJUP ajudou 
grupos brasileiros para a defesa dos direitos humanos 
a criar contactos, a viver a solidariedade e a trocar 
informagóes com outras organizagoes semelhantes 



36 



noutras partes do mundo. A maior parte destas 
organizagòes brasileiras so usam o portuguès. 
SEJUP escolheu o inglés corno lingua de 
comunicagao internaciona!, e assim permitiu aos 
brasileiros comunicar com os seus homólogos noutras 
partes do mundo. 

3. Ajuda aos ìnvestigadores 

Brasil tem uma longa história de lutas levadas até às 
suas raizes. A maior parte dos materiais, tais corno 
livros, artigos e relatórios, nào estào facilmente 
disponiveis para os ìnvestigadores neste campo, 
novamente por causa das dificuldades de lingua, e eis 
porque a importància destas lutas atrai a atengào 
internacional. 

Site de SEJUP {http://www.oneworld.org/sejup/) é 
presentemente uma das fontes de informagóes em 
inglés mais abundantes neste dominio e acessivei 
aos Ìnvestigadores em qualquer parte do mundo. 

Uso da internet para defender os fracos 

Ao longo dos anos, SEJUP tem utilizado boletins 
impressos, videos e sobretudo a internet para dar uma 
voz aos sem voz do Brasil. Um exemplo interessante da 
utiliza^ào do video foi a coiaboragao com "Miryam 
Productions" da California, cujo director é o nosso 
confrade Paul Moran. Os dois organismos tem 
cooperado na produgào dum video de 28 minutos, 
intitulado "Ttie people of the Quilombos". Eie conta a 
história de comunidades afro-brasileiras na defesa das 
suas terras e da sua cultura centra a ameaga de uma 
expulsào em massa. video està espalhado por muitas 
cadeias televisivas na America do Morte e no Brasil. 

A Internet tem sido o instrumento principal usado pelo 
SEJUP para atrair a atengào internacional sobre a 



37 



violagào dos direitos humanos no Brasil. Urna longa lista 
de assinantes recebe noticias semanais sobre estas 
questóes. Todo o material preparado durante estes anos 
està disponivel num site. Os que recebem estas 
informaQóes utilizam-nas de diversos modos: além de 
mensagens de protesto dirigidas às autoridades 
brasiieiras, isso serve para projectos escolares, para a 
investigagào académica, para boletins especializados e 
para emissoes de radio. 

A Regra Espiritana de 1849, bem corno o § 14 da nossa 
actual RVE apresentam-nos corno "os advogados, o 
sustentàcuio e os defensores dos fracos e dos pequenos 
centra todos aqueles que os oprimem". O projecto 
SEJUP tem-se esforgado por cumprir està missào. 

John KILCRANN 



38 



1.7 ministerio junto dos refugiados na 
provìncia da Àfrica de leste 

Um desafio à nossa porta 

A Provincia da Africa de Leste està desde ha muito 
preocupada com a situagào dos refugiados nos paises 
vizinhos. Os Capitulos tinham sugerido que nós nos 
deviamos comprometer neste ministério, mas foi preciso 
esperar 1994, com centenas de milhar de refugiados 
fugindo do genocidio do Rwanda e entrando pelo 
noroeste da Tanzania, para que este passo fosse dado. 
A diocese de Rulenge foi invadida e a Igreja locai foi 
incapaz de fazer face ao problema pastoral desta gente 
completamente destruida. 

A Provincia julgou que nào podia ignorar o desafio que 
eia tinha à sua porta. Nào tinhamos pessoal para 
nomear para là, mas havia alguns diàconos que estavam 
para ser ordenados. Dois dentre eles disseram que 
estavam prontos para està missào e trabalhar com a 
Igreja locai. Està forma de responder às necessidades 
da Igreja locai e de trabalhar nas suas estruturas foi 
sempre a da Provincia da Àfrica de Leste. Também 
chegaram confrades dos Estados Unidos e da Franga e 
isto foi para a EAP o comego deste servigo junto dos 
refugiados. 

Um coragào para escutar 

Os refugiados sào pessoas que foram desenraizadas da 
sua terra ancestral e da sua casa. Foram obrigadas a 
fazer escolhas absurdas, encontrando-se diante da 
perspectiva de partir para um pais estrangeiro. As 
organizagoes humanitàrias nào puderam dar o que os 
refugiados esperavam, ou seja um coragào que escuta o 
seu sofrimento, que partiiha a recordagào dos seus 



39 



parentes massacrados diante dos seus olhos, que se 
preocupa com as crian^as agora sem escola e com os 
jovens entregues à ociosidade, que encontra algum 
vestuàrio para substituir os trapos que eram os seus 
ùltimos bens, que Ihes asseguram que eles sào pessoas 
com um valor e urna dignidade que nenhuma for^a 
destruidora é capaz de Ihes tirar, que Ihes oferece a 
consolagào da Eucaristia e dos outros sacramentos. 
Trabalhando o mais possivei com a equipa diocesana, 
OS nossos confrades tém lutado para assegurar alguma 
educagào às criangas e aos adultos um pouco de 
aprendizagem. 

Rebanho sem pastor 

A condiQào dos refugiados e dos que procuram asilo é 
um dos sinais dos tempos que reclamam uma resposta 
pastoral. As necessidades pastorais sào ao mesmo 
tempo materiais, psicológicas e espirituais. É um 
ministério diflcii, exigindo um constante dom de si 
mesmo. Os nossos confrades vèm as privagóes, a 
misèria, a confusào, o desespero, e ouvem os gritos de 
angùstia. O traumatismo dos refugiados nào é apenas 
fisico. O sofrimento emocional e a angùstia psicologica 
sào mais destruidoras. A maior parte perdeu todos os 
seus bens, e muitas vezes também os seus entes 
queridos. O cheque deixa-os num estado de prostragào. 
Agindo em nome de Jesus, os nossos confrades sentem 
a verdade das palavras de S. Lucas: "Jesus viu a 
multidào e compadeceu-se dela porque eram comò 
ovelhas sem pastor". Os espiritanos estào activamente 
presentes no melo dos refugiados, procurando os melos 
de melhorar a situagào desta gente tao oprimida. A 
presenta é o fundamental deste ministério. 



40 



Protecgào 

Mas a presenga nào basta. É preciso um acompan- 
hamento. As condigoes de vida nos campos dos 
refugiados sào por vezes desumanas e extremamente 
rigorosas; bastantes vezes criam problemas que 
requerem a ajuda dos padres. Numerosas familias foram 
dispersas - maridos, esposas, criangas, parentes mais 
afastados. Trata-se entào de ver a possibilidade de os 
reunir, ao menos alguns da mesma familia, que podem 
encontrar-se num outro campo ou mesmo neutro pais. 

Educagào 

É inùtil dizer que quando um refugiado deixa o seu pais, 
urna das coisas mais angustiantes, é a escola, desde a 
primària até à universidade. Nos campos, o ensino 
secundàrio e universitario sào proibidos, porque isso 
poderia levar os refugiados a fixar-se definitivamente no 
pais que os acolheu. Apesar desta restrigào, os 
espiritanos tém sido solicitados para dar uma ajuda 
neste dominio. Muitos refugiados tèm grande neces- 
sidade de instrugào. Na verdade a falta de instrugào é 
considerada comò uma das maiores injustigas que Ihes 
é feita. 

Reconciliagào e terapèutica 

Um outro servilo oferecido aos refugiados, é o da 
reconciJiagào, cura e ajuda psicològica a proposito dos 
traumatismos sofridos. A Igreja no Burundi e no Rwanda 
e OS refugiados estào feridos e perderam a esperanga. O 
ùnico vestigio de confianga que Ihes resta é voltarem-se 
para a Igreja para reencontrar a esperanga e viver a 
reconciliagào. Os nossos confrades estào convencidos 
que ministério junto dos refugiados deve tomar uma 
outra orientagào, que tenha em conta a situagào vivida 
pelos refugiados. Trata-se de passar de uma Igreja 



41 



sacramentai a um novo modelo de Igreja, a um novo 
povo. Os catequistas locais sào formados para participar 
neste ministério de cura e de reconciliagào. 

Porque ha refugiados? 

Nào esquegamos que os refugiados sào pessoas 
humanas. Sem negar a importància para a Igreja de se 
preocupar com os refugiados e de estar presente no melo 
deles, devemos perguntar-nos: porque ha refugiados? 

Philip MASSAWE 



42 



1.8 JUSTIQA E PAZ NO DIA A DIA 
Camardes 

Nos Camaròes, corno noutros lugares, os espiritanos 
estào firmemente comprometidos no traballio pela 
Justiga e Paz. Eles fazem parte das comissóes Justiga e 
Paz nas paróquias e dioceses. Parto da sua experiència 
para fazer alguns comentàrios mais pessoais. 

Factos e realldades 

• Em Setembro de 1997, a Amnistia Internacional 
publica um relatório "Camaròes: desprezo flagrante 
dos direitos humanos", um texto multo mal acolhido 
pelas autoridades do pais. O documento dà a 
conhecer perseguigòes de centenas de pessoas 
opostas ao govemo, vitimas de maus tratos, de 
agressòes, de detengòes, de prisoes. 

• A 14 de Fevereiro de 1998, cem pessoas morrem 
carbonizadas devido à explosào dum camiào de 
gasolina acidentado; as pessoas foram recolher 
carburante para o revender, quando se dà o incèndio. 
Os bombeiros so intervém passadas algumas horas. 
Inconsciéncia das pessoas que manipulam a gasolina 
comò se fosse àgua... 

• A corrupgào é cada vez mais geral. Pelo servilo mais 
insignificante é preciso pagar. Cada um procura 
"safar-se": "a cabra come no lugar em que està 
presa". Ha também a luta pelo poder. Sào cada vez 
mais numerosos os pequenos que ficam à beira da 
estrada. 

• Instala-se um clima de inseguranga, consequència do 
desemprego e do fluxo de gente para as cidades. 



43 



Inìciativas e actividades 

...a favor dos presos 

YAOUNDÉ. Na prisào centrai (2300 presos, dos quais 
70% esperam julgamento), a comissào Justiga e Paz faz 
acelerar os processos, contacta advogados para obter 
urna anulagào dos processos. 

MBALMAYO. Novigos espiritanos passam duas manhàs 
por semana para ouvir os prisioneiros e ajudà-los a 
resolver os seus vàrios problemas, particularmente 
estabelecendo urna ligagào com a sua familia. 

BAFOUSSAM. Urna equipa de religiosos, religiosas e 
leigos visitam regularmente os detidos; dizem eles: "a 
situagào nas cadeias degrada-se: superpopulagào, ma 
alimentagào, doengas; sentimo-nos incapazes diante de 
tantas necessidades. . . ". 

MAROUA. A equipa visitante consegue mobilizar alguns 
guardas para o arranjo de duches e W-C. 

BERTOUA. Foi criado um centro de acolhimento para 
receber menores saidos da cadeia. 

...a favor dos jovens dos bairros desfavorecidos 

DOUALA. Urna irmà espiritana mete-se ao traballio para 
desenvolvimento dum bairro, todo eie pantanoso; as 
pessoas unem-se para construir escolas, estradas, 
mercados e pontes; jovens e mulheres organizam eles 
próprios um centro para criangas diminufdas fisicas, 
cooperativas de produgào (secagem de legumes e 
frutas, escultura de objectos, fabrico de compotas, de 
sabào...); mesmo os próprios vendedores de rua se 
organizaram em cooperativa! 

YAOUNDÉ. Uma comissào de desempregados, criada 
pela J.O.C., langa "pequenos trabalhos" criadores de 
empregos; vàrios jovens encontram ai um centrato 



44 



estàvel. Larda Esperanga, fundado ha 15 anos para 
as crian^as da ma, desenvolve hoje très pólos de 
actividades: urna equipa encontra as criangas na ma 
para as ajudar a organizarem-se nas suas actividades 
de sobrevivència; ha também um acolhimento no proprio 
centro com vista ao seu regresso à familia, e urna 
presenta junto dos menores que estào presos {Arca de 
Noè). 

BAFOUSSAM. A comissào "Juventude em dificuldade" 
administra um centro de formagào para os trabalhos de 
construgào: alvenaria, marcenaria, soldadura... Em 
muitas paróquias, um pouco por toda a parte, uma 
comissào da Caritas organiza a partiiha com os mais 
necessitados, sobretudo as pessoas hospitalizadas que 
nào podem pagar a quem cuide delas. 

Tarefas ainda em perspectiva 

• Estas actividades sào muitas vezes o resultado de 
iniciativas individuais; geralmente nào sào concer- 
tadas, coordenadas, com excepgào taivez da 
comissào Justiga e Paz no Yaoundé. 

• A Conferéncia Episcopal vàrias vezes tomou posigào 
a favor dum compromisso na Justiga e Paz; mas 
estas declaragóes parece nào produzirem muito 
efeito: algum eco por exemplo no seu pedido de 
esclarecimento junto das mais altas instàncias do 
poder, no seguimento duma sèrie de assassinatos de 
padres, religiosas e de um bispo. 

• Os Superiores religiosos tém dificuldade em fazer 
passar das palavras ao compromisso rea!. Um boletim 
Solidàrios na Justiga e Paz conseguiu todavia ser 
publicado, dando informagóes sobre as cadeias, a 
situagào das viùvas, dos doentes da Sida. Em 1998 
comegou um tempo de antena Fé e Justiga 



45 



Africa/Europa e redigiu um primeiro documento sobre 
projecto do oleoduto entre Tchad e os Camaróes, 
pondo questóes sobre o custo do projecto, os seus 
riscos para o ambiente, as consequéncias para as 
regióes por eie atravessadas. 

As nossas actividades nas prisóes junto dos jovens 
da ma sào apenas um paliativo para suprir as 
caréncias dos servigos pùbiicos; mas comò obter 
destes servigos uma maior eficàcia? 

Sendo essencial o compromisso da populagào para 
que a luta pela justiga e paz seja eficaz, esforgamo- 
nos por motivar o maior nùmero possivei de cristàos a 
tomarem uma atitude activa em vez da resignagao 
habitual (mediante um recurso aos textos blblicos nas 
homilias, as sessòes de formagào...). Mas sabemos 
nós ver o que as pessoas fazem por elas mesmas? 

A nossa solidariedade com as pessoas sera 
autèntica? Quando um dia, no norte dos Camaróes, 
eu insistia com os catequistas sobre a necessidadè 
duma acgào concertada, um deles diz-me: "Nós, nós 
estamos à frante; e tu, tu onde estàs?". 

Gerard SIREAU 



46 



1.9 SITUAQÀO DE CONFUTO: 

TEMPO DE GRAQA 

Angola 

Campo minado 

Ha praticamente 37 anos que a Congrega^ào, em 
Angola, trabaiha em campo minado pelos horrores da 
guerra, com populagòes marcadas pela mais variada 
gama de sofrimentos. Todos os nfveis da vida social 
foram atingidos por està situa^ào, sobretudo o dominio 
econòmico particularmente marcado pela ganància 
corrosiva de ter e de poder, alimentada pelos interesses 
do capitalismo selvagem das grandes multinacionais que 
dominam completamente a economia, na exploragào do 
petróleo, de diamantes, de madeira e de outras matérias 
primas de grande valor; sào verdadeiros patróes que 
ditam as leis em Angola e marcam o compasso, o ritmo 
da implementagào dos acordos do protocolo de paz 
assinado em Lusaka a 20/1 1/94. 

Rezar e ficar com o povo 

A Igreja em Angola tem consciència de que a evan- 
gelizagao passa, hoje, necessariamente pela con- 
solidagào da paz e pela reconciliagào entre os Angolanos. 
Através das Mensagens Pastorais dos bispos, do 
testemunho e de acgóes pontuais de sacerdotes, 
missionàrios/as e leigos, a favor da justi^a e da paz, e, 
sobretudo, através da oragào, a Igreja, em colaboragao 
com as Igrejas irmàs, as ONG's e a comunicagao social, 
leva a cabo uma acgào que visa, fundamentalmente, 
evitar o que poderia ser um "suicidio nacional". 

Dada a variedade de circunstàncias e de situagóes 
concretas criadas pela guerra, variadas foram também 
as atitudes e os testemunhos dados: desde a ajuda 



47 



prestada a criangas da ma, ao acolhimento de 
deslocados e refugiados, de soldados feridos, de adver- 
sàrios polfticos e/ou militares a proteger; os veementes 
apelos aos responsàveis da comunicagào social, a 
publicagào de livros, até ao risco da pròpria vida para 
levar a Boa Nova e/ou assistir sacramentalmente quem 
vivia em situagào de desespero. Missionàrios/as houve 
que deram bom testemunho pelo simples facto de terem 
ficado com e corno o povo (apostolado de presenga), 
porque ficaram quando tudo aconselhava partir, fugir. 

Convencida de que a paz entre os homens é, antes de 
mais, um dom de Deus, a Igreja insiste sobre o poder da 
oragào. Dai as campanhas de oragao pelo diàlogo e pela 
paz, corno programa permanente dos movimentos 
apostólicos e de alguns institutos religiosos no pais. 

Deus escreve direito por linhas tortas 

O amor de Deus està sobretudo presente ai onde a 
misèria fiumana, provocada pelo pecado do homem, é 
maior. Através dos seus compromissos apostólicos e 
das suas intervengóes ao longo desses anos tao 
conturbados da história de Angola, a Igreja mais nào tem 
feito do que manter acesa a chama da esperanga, 
convencida de que "Deus escreve direito por linhas 
tortas" e de que o destino dos povos està nas suas 
màos. As "armas da paz" tais comò a solidariedade, a 
presenga e acgào dos missionàrios e outros agentes de 
pastoral, a constante intervengào a favor da vida, da 
justiga e dos direitos humanos, e, principalmente, a 
oragào, utilizadas pela Igreja, deram corpo a essa 
esperanga das populagòes. 

Em ambiente de guerra, a fé, a oragào e a fraternidade 
constituem o segredo que explica a grande capacidade 
de sofrimento e de superagao das dificuldades, que se 
encontram nas pessoas com quem se partilham os 



48 



tempos de tragèdia. Essas atitudes das populagóes 
evangelizam, inspiram e estimulam os evangelizadores; 
sào urna ligao de desapego, convite à simplicidade de 
Vida; sào experiència concreta da providència divina e 
da acgào do Espirito Santo, patente em todos os gestos 
de perdào e nas atitudes de amor para com os mais 
desfavorecidos. 

Lugar de escuta da Palavra de Deus 

A situagào de conflito é um verdadeiro teste à f é e à 
forga transformadora da oragào, à esperanga e à 
capacidade real de resposta em amor. Aqui o evan- 
gelizador é interpelado nas suas opgóes, nos seus 
métodos de evangelizagào e programas de acgào; tem 
ocasiào para se manifestar comò servidor do Evangeiho, 
da causa do amor, da vida, da aproximagào das etnias e 
do reencontro dos homens, sensivel ao sofrimento do 
povo que é chamado a servir. Toda a questào é a de 
saber de que lado se està: se do lado da cultura da 
morte ou se do lado da vida e da civilizagào do amor. 

O que se tem vivido na situagào de guerra, tornou-se 
matèria de reflexào, de oragào, de leitura da 
actualizagào da Pàscoa do Senhor; é o "Evangeiho do 
Espirito Santo" à Igreja de hoje, Sinai evidente da sua 
fidelidade a Cristo e ao seu Evangeiho, e ao homem do 
nosso tempo. A situagào de guerra apresenta-se comò 
lugar de escuta da Palavra de Deus no livro da vida , na 
pròpria história do povo e dos individuos, consentindo a 
cada baptizado traduzir a vida de Cristo na sua pròpria 
Vida e a da história de libertagào de Israel, na do povo. 

Deste modo, uma situagào de conflito pode ser tempo de 
graga, de conversào e fonte de inspiragào para o nosso 
carisma espiritano. 

Gabriel MBILINGI 



49 



1.10 UMA EXPRESSÀO AFRICANA DO CARISMA 

ESPIRITANO 

Fundagào da Àfrica de Ceste (WAF) 

Carisma e cultura 

A expressào especifica do nosso carisma espiritano é 
refenda na nossa Regna de Vida (RVE 12), em termos 
que dào a preferéncia a um apostolado que nos leva: 

• àqueles que ainda nào ouviram a mensagem do 
Evangeiho ou mal a ouviram; 

• aos oprimidos e mais desfavorecidos individuai e 
colectivamente; 

• àqueles para os quais a Igreja dificilmente encontrar 
obreiros. 

Como membros da familia espiritana encontramo-nos 
todos diante destes très aspectos do nosso com- 
promisso missionàrio. Mas sabemos por experiéncia, 
que a expressào deste mesmo carisma varia, segundo 
as culturas e mesmo segundo as circunscrigòes. É 
preciso ter isso em mente, quando falamos duma 
expressào africana do nosso carisma espiritano. 

O contexto africano 

A experiéncia vivida em Àfrica, onde somos chamados a 
viver nosso carisma é muito variàvel, marcada por 
problemas basilares, tais comò a falta de servigos 
sociais de base, a exploragào duma maioria de pobres 
por urna minoria de ricos, o colapso da autoridade 
politica, OS conflitos devidos aos rebeldes ou as lutas 
tribais provocando a deslocagào das pessoas e a 
insustentàvel condigào de refugiados. Tudo isto, sem 
dùvida nenhuma, é urna afronta à dignidade humana e 
cristà das pessoas. É nesta situagào que nós somos 
chamados, comò africanos, a viver a nossa missào. Nós 



50 



nào respondemos unicamente porque isso nos afecta, 
mas porque nos sentimos chamados por Deus para 
servir comò espiritanos. 

A nossa inspiragào 

Jovens africanos, entrando hoje numa congregagào 
missionària comò os espiritanos, fomos informados 
também das mudangas que houve na Igreja depois do 
concilio Vaticano II. Sabemos que a imagem da missào 
mudou, passando duma "Igreja que envia a uma Igreja 
que recebe", a uma "colaboragào missionària", na qual 
OS evangelizados sào convidados, quase desde o 
primeiro contacto, a serem companheiros da missào 
com aqueles que os evangelizam. Este convite é uma 
inspiragào bem-vinda na Africa, onde os missionàrios 
espiritanos vindos do ultramar, tém trabalhado desde ha 
um século. O nascimento da Provincia da Nigèria e da 
Fundagào da Àfrica de Oeste, duas circunscrigóes cujo 
crescimento é hoje o mais ràpido da Congregagào, sào o 
fruto desta inspiragào. 

Visto nùmero crescente de africanos na Congregagào, 
é previsivei que eles sejam, cedo ou tarde, os agentes 
principais da actividade missionària espiritana, nào 
somente na Àfrica, mas também noutras partes do 
mundo. É um sonho para uma nova realidade, que so 
poderia estar implicita numa Congregagào cuja missào 
principal era trabalhar pelos "pobres negros" na Àfrica ou 
nas colónias (ND XIII, 170; 1851). Està realidade que 
emerge, chama-nos a novas orientagóes, da parte da 
Congregagào e dos seus membros africanos. 

O nesso desejo 

Nós, espiritanos africanos, gostariamos de criar uma 
identidade missionària espiritana que seja africana, que 
corresponda à realidade da nossa situagào africana e 



51 



que seja outro tanto fiel à inspiragào dos nossos 
fundadores. Segundo o lugar e a època em que 
vivemos, e solidàrios com a nossa familia espiritana, 
comprometemo-nos a colaborar no nosso ministério com 
as Igrejas locais e igualmente com as comunidades 
espiritanas intemacionais. É por isso que o nosso 
ministério nos leva a situagóes de primeira evan- 
gelizagào, à pastora! paroquial, ao compromisso na 
educagào, às pessoas deslocadas e aos refugiados, e 
às criangas da rua, que estào a ser uma caracteristica 
nào so da Àfrica, mas de todas as grandes cidades nos 
paises do terceiro mundo. 

O nosso modelo: a familia africana 

Chamados a viver a nossa vocagào em comunidade, 
ficamos sempre ligados às qualidades tradicionais de 
base da nossa vida comunitària espiritana, que sào a 
simplicidade do nosso estilo de vida e uma hospitalidade 
acolhedora. Nas nossas comunidades, as pessoas sào 
bem-vindas, e nós mantemos os lagos estreitos com as 
nossas familias, que continuam a desempenhar um 
papel importante nas nossas vidas. 

melhor exemplo que temos em Àfrica para inspirar a 
nossa maneira de viver em comunidade, é a familia. 
nosso modelo familiar é o da familia alargada. Este tipo 
de familia caracteriza inteiramente o modo de vida 
africano. Existimos porque somos uma familia, e a 
familia existe porque é larga. 

A nossa pertenga à Congregagào espiritana dà-nos, a 
nós e aos outros, um verdadeiro sentido da familia, da 
nossa participagao na missào da Igreja, e da partiiha dos 
recursos humanos, que é um valor particularmente 
apreciado na Àfrica. 

Gabriel LUSENI 



52 



1.11 A EVANGELIZAQÀO DE UM MISSIONÀRIO 

Amazónia 

Tenho 39 anos de presenta, de actuagào pastoral e de 
convivio com o povo da Amazónia, na prelazia de Tefé, 
no norte do Brasil. Nào tenho nenhuma especializaqiào, 
nem jeito para anàlises e reflexóes profundas, mas comò 
missionàrio, tento dizer onde encontro a minha 
inspiragào para viver o carisma espiritano. 

Assumir a caminhada do povo 

Procuro conhecer a realidade vivida pelo povo e assumir 
a sua caminhada. Sublinho alguns aspectos desta 
inculturagào: 

• A necessidade de observar, de ver e de aprender o 
jeito comò evangelizar no Brasil e de modo 
particular na Amazónia. 

• Esforgo de aprender e falar bem o portuguès, em 
particular a maneira de falar do povo para bem me 
fazer compreender e estar próximo do povo 
amazonense. Claro que isto exige escuta e contacto 
permanente com o povo. 

• Adaptar-se ao ritmo despreocupado e lento do povo, 
entendendo que està "lentidào" é fruto de uma cultura 
e também da sua situagào geogràfica e ambientai. 

• Viver de modo modesto e próximo das condigoes do 
povo: a alimentagào escassa, em termos de qualidade 
( farinha e peixe ); distàncias imensas e localidades de 
diflcil acesso. 

• Estar consciente que as injustigas gritantes sào 
consequència de uma opressào secular exercida por 
patròes, comerciantes, madeireiros e pollticos e onde 
a corrupgao é norma. 



53 



• No entanto, apesar destas situagòes de extrema 
misèria, com um amanhà incerto, o povo manifesta 
urna fé profunda e urna esperanga admiràvel e um 
sentido de partiiha, de acolhimento e de hospitalidade 
extraordinàrios. 

Ser do Pai e ser do Povo... 

Pois estas situagòes, vividas à luz da Morte e 
Ressureigào do Senhor, inspiram-nos para: 

• sermos portadores da solidariedade fiumana; 

• assumirmos a causa do povo e estar ao lado dele; 

• Repartirmos o nosso ser e ter, compartilhando os 
seus sofrimentos e também as suas alegrias e 
esperangas. 

O missionàrio ( religioso) faz a experiència de ser servo, 
ser discipuio, escolhido para servir e aprender. Isto exige 
intimidade com Deus e proximidade com o povo. Um 
bispo disse: "Preciso ser do Pai, por isso ser orante e ser 
do povo, por isso amar o povo, amar o chào". 

O plano de Deus ( o direito e a justiga ) està desfigurado. 
Estamos ao servigo da vida e centra as causas da morte 
do povo. Nos movimentos e nas diferentes pastorais da 
Igreja descobrimos a forga transformadora do povo, que 
se torna protagonista de sua libertagào. 

Tal comò o "servo de Deus" ( Biblia ), o missionàrio faz a 
experiència de carregar o pecado e a dor do povo. Mas 
alimentado pela Palavra de Deus vence a tentagào de 
centrar-se sobre si mesmo, sobre o medo da solidào e a 
busca do poder... estar no melo do povo è convite ao 
despojamento pessoal e à descoberta que a graga de 
Deus nos vem pela mediagào do pobre, o grande 
sacramento de Deus. O gastar-se ao servigo do irmào, o 
assumir a atitude de servo, o admitir a fraqueza e o 



54 



fracasso (espécie de martirio) suscitam em nós a 
paciència, o respeito, a resistència e a compaixào. 

Sustentados por estas atitudes aprendemos do povo e 
da nossa experiència de fé a celebrar a esperanga, 
resistindo solidariamente, trabalhando e partilhando os 
dons e festejando a alegria. Quem melhor que o povo 
para nos ensinar a alegria e a esperanga! 

Com a Igreja do Brasil 

A caminhada da Igreja do Brasil e os seus inùmeros 
documentos pastorais sào fonte de inpiragào para todos 
OS agentes de pastoral. Eles falam de evangeiizagào, da 
opgào preferencia! pelos pobres, da promogào humana e 
do protagonismo dos leigos. Podemos caracterizà-Ia 
por: 

• urna igreja que anuncia com carinho e coragem a 
Paiavra transformadora de Deus. 

• uma igreja que acolhe a todos, sem se guiar por 
preconceitos ou discriminagào. 

• Uma igreja que ampara com amor os excluldos e 
marginalizados, em vista de sua libertagào. 

• Uma igreja que mantém a chama da esperanga no 
melo das lutas do povo. 

Na pròpria comunidade 

Embora a realidade do isolamento faga parte da vida 
missionària na Amazónia, devido às enormes distàncias, 
a comunidade locai ou regional é de suma importància 
para que a evangelizagao acontega. Como distrito 
reunimo-nos duas vezes por ano. Pessoalmente tenho a 
felicidade de ter vivido a maior parte de minha vida em 
comunidade. Ultimamente tenho vivido com jovens 
espiritanos de formagào e cultura diferentes. Nào deixa 
de ser um desafio que exige despojamento e "correcgào 



55 



fraterna". Mas sem dùvida a vida comunitària enriquece 
apostolado e educa-nos para a maturidade da fé. 

A Vida Religiosa: urna caminhada de conversào 

A Vida religiosa consagrada deve ser em primeiro iugar 
urna caminhada de conversào: conversào permanente 
para que a Boa Nova seja dentro nós sempre nova, 
renovada, atraente e actualizada. Alguém disse: 
"precisamos da fé de Jesus e nào apenas da fé em 
Jesus". A fé de Jesus levou-0 a despojar-se de tudo, a 
ser obediente até à morte: "Quem nào vive para servir 
nào serve para viver". Precisamos de centralizar a 
nossa Vida em Jesus e acolher humilde e alegremente o 
seu Espirito para que Eie em nós e por nós possa 
concretizar o projecto do Pai. 

Antonio JANSEN 



56 



1.12 espìrito novo numa velha provincia 

Alemanha 

Resignar-se a morrer? 

Se temos em vista a situagào actual do pessoal, temos 
de confessar que a Provincia da Alemanha caminha 
para o seu firn. Verifica-se o facto real de irmos 
envelhecendo e de sermos cada vez menos, de haver 
poucas entradas, de deixarmos muitas actividades, de 
haver em muitos confrades a ideia de frustragào e 
resignagào. 

Urna questào de fé 

So a fé pode triunfar duma tal reacgào. É por isso que a 
animagào espiritual foi uma das prioridades dos 
responsàveis da Provincia. Procuramos dizer claramente 
que afinal de contas, quer dizer diante de Deus, o 
importante nào é viver numa Provincia florescente ou 
moribunda; o importante é escolher bem em relagào à 
nossa situagào real, fazer o que nos é possivel, e 
acreditar que Deus pode fazer surgir a vida da morte. 
Numa sèrie de reuniòes, cada comunidade debrugou-se 
sobre uma triplice questào: em que ponto estamos 
quanto à nossa vida comunitària, à nossa oragao e às 
nossas actividades comunitàrias? Para està troca de 
impressoes, cada comunidade convidava um moderador 
doutra comunidade. 

Destas discussoes nasceu um grupo de confrades que 
procuraram responder às seguintes questóes: 

• Como vejo a situagào da Provincia? 

• Sobre està situagào, o que é que me dizem a minha 
fé e a Sagrada Escritura? 

• Como se apresenta para mim o futuro? 



57 



• Como podemos chegar a perspectivas comuns de 
futuro, que sejam realistas? 

Depois, por ocasiào dum Capitalo, reflectimos com todos 
OS participantes, sobre estas questoes. As dificuldades 
surgiam sempre quando abordàvamos as perspectivas 
comuns de futuro. Um outro aspecto importante, sào os 
encontros que realizamos entre o Nata! e o Ano Novo, 
que sào para todos os confrades um tempo forte 
comunitàrio sob o aspecto religioso. 

Urna questdo de comunicagào e de participagào 

Uma segunda prioridade para nós foi a participagào de 
todos no processo de decisoes. Formàmos comissòes, às 
quais cada um se podia juntar; todos os anos temos uma 
assembleia provincial para a qual cada um é pes- 
soalmente convidado. Estas reuniòes servem para dar 
informagóes, para cada um poder falar, para preparar 
futures capitulos provinciais e trocar impressóes sobre 
capitulos realizados. 

Para se conseguir a participagào dos confrades nos 
acontecimentos da Provincia, supòe-se que haja 
transparéncia, informagào, comunicagào e estima de 
cada um. Os responsàveis provinciais tèm procurado 
fazer visitas frequentes e nào apressadas e tèm-se 
interessado multo pelo bem-estar de cada um. No 
boletim "Noticias da Provìncia", os confrades que vivem 
sós sào convidados a apresentar-se e a falar das suas 
actividades. No que respeita ao pessoal, em caso de 
discordància, temos por principio procurar o bem-estar 
do contrade, antes das necessidades da Provincia. É so 
com pieno acordo dos confrades que Ihes confiamos 
cargos. Procuràmos a transparéncia e justificàmos as 
nossas decisoes. Cada contrade pode consultar os 
relatórios financeiros. O Conseiho Provincial tem a sua 



58 



reuniào mensal em cada comunidade, urna vez por ano, 
para estar em cx)ntacto com as comunidades. 

Um outro ponto importante do nosso trabalho é a 
atenQào dada aos leigos espiritanos. Pensamos que é 
reconfortante para os nossos confrades ver que ha um 
grupo de leigos que se sentem comprometidos com o 
nosso instituto, que reflectem e trabalham connosco. 
Gragas a eles, é possivel reaJizar muitos trabalhos, e, 
mesmo sem nós, algumas actividades podem continuar 
no futuro. 

Urna confìanga reafirmada 

Quais OS resultados dos nossos esforgos? Nào houve 
milagres. Estamos ainda em caminho. Muitas reflexòes 
ainda nào chegaram ao seu termo. No geral, os confrades 
estào satisfeitos com a sua afectagào e com o trabalho 
que realizam. A participagào nas diversas reuniòes tem 
sido boa. O ambiente é bom, marcado mais pela 
confìanga do que pela frustragào ou resignagao. Os 
objectivos vào sendo precisados e abrem-se pequenas 
perspectivas: 

• temos esperanga que o projecto "Missionàrio por 
algum tempo" sera urna semente que de frutos; 

• alimentamos grandes esperangas no movimento dos 
"Leigos espiritanos"; 

• acreditamos nas mùltiplas formas de animagào 
missionària, em colaboragào com os leigos; 

• temos grande esperanga no nosso trabalho na 
Croàcia, com 3 candidatos em formagào e 2 
confrades da Polònia que se preparam para abrir uma 
casa de formagào; esperamos que a Croàcia se tome 
um dia uma circunscrigào autònoma; 



59 



• a nossa Procuradoria das missóes podere ainda 
durante muito tempo prestar bons servigos às novas 
igrejas e às Fundagóes espiritanas; 

• acreditamos na cx)laboragào dentro da regiào Europa; 

• procuramos novos campos de apostolado onde 
poderiamos ter a ajuda dos confrades das jovens 
Provincias. 

Ciarificar o nosso olhar 

Tudo isto significa que ainda nào chegou o momento de 
baixar os bragos, e por agora ainda nào vemos razóes 
para isso. A nós, pertence-nos simplesmente fazer o que 
ainda é possivei; e é muito ainda. Fazendo isto, clarifica- 
se nosso olhar, fica aberto para coisas novas. E penso 
também que quando tivermos esgotado as nossas 
possibilidades, Deus poderà comegar. 

Konrad BREIDENBACH 



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1.13 JUNTOSPARAAMISSÀO 
Paraguai 

Entusiasmo e provas... 

A Igreja post-conciliar viveu tempos de grande vitalidade, 
de fidelidade criativa, fonte de entusiasmo e esperanga. 
Novas iniciativas evangelizadoras e um novo clima 
eclesial surgiram de todos os lados. Foi nesta atmosfera 
que a Congregagào preparou o Capitalo de 1968, que 
inaugurou urna època de reflexào que culminaria com a 
aprovagao da nossa Regra de Vida em 1986. Meste 
perìodo de renovagào e mudanga, chegaram ao 
Paraguai, vindos da Trindade, os dois primeiros 
Espiritanos; assim nasceu o que hoje se chama Grupo 
Internacional do Paraguai que conta 31 anos de 
presenga e trabaiho, fiel ao espirito dos nossos 
Fundadores, ao Concilio Vaticano II, a Medellin, a Puebla 
e aos nossos Capitulos. 

Numa Igreja com grande falta de clero, é um dever 
restituir aos leigos o exercicio de todas as suas 
responsabilidades. Num trabaiho de pastoral de conjunto 
com leigos, religiosos e clero diocesano, todos apoiando 
plano pastoral dos bispos, os nossos confrades foram 
bem sucedidos na formagào e organizagao dos 
campesinos das Comunidades de Base. Mas uma forte 
repressào centra o que os inimigos figadais dos 
campesinos apelidavam de "antros provàveis de 
guerrilheiros", nào se fez esperar. Os nossos confrades, 
com excepgao de dois, tiveram que abandonar o pais. 
Conseiho Geral langou um apelo às circunscrigoes para a 
missào no Paraguai. 

Juntarmos as forgas 

Com a chegada de confrades vindos de Franga, 
Espanha, Portugal, Suiga, Canada e Estados Unidos, o 



61 



Gmpo adquiriu urna configuragao intemacional. Em 
Setembro de 1987 celebràmos o primeiro Capitalo e 
nele elaboràmos o nosso Projecto Comunitàrio. 
nascimento do Grupo criou as condigòes para um 
crescimento harmonioso que, embora lento, permitiu o 
aparecimento de novos projectos de formagào 
espiritana, a coiaboragào com as Obras Missionàrias 
Pontificias na animagào missionària e até o traballio 
entre os indigenas. 

Com novas energias dadas pelo Capitalo Cerai de Itaici, 
Grupo celebrou o seu segundo Capftulo para avallar e 
renovar-se, sobretudo para impulsionar o projecto 
comunitàrio, realgando os seguintes aspectos: animagào 
vocacional e missionària, formagào permanente, missào 
indigena de S. Fedro, projecto para hospedar e orientar 
os muitos campesinos que acorrem à capital para 
resolver os seus problemas, formagào inicial, promogào 
da familia espiritana, justiga e paz. 

Uma coisa està darà num grupo com estas caracterfs- 
ticas: esforgo gasto na organizagào e na planificagào 
em comum valeu bem a pena; embora fracos, con- 
seguimos, corno Grupo Intemacional, fortalecer-nos. 
Mantendo sempre a inspiragào inicial de trabalhar com 
OS mais pobres do Paraguai, os campesinos, os "sem- 
terra", langàmo-nos em novas iniciativas corno a 
formagào inicial e a animagào missionària. 

Estamos conscientes de que o Projecto Comunitàrio 
nos compromete e obriga a juntarmos as forgas, em 
qualquer etapa da caminhada. Também estamos 
conscientes das grandes dificuldades do futuro 
próximo: cresce o nùmero de candidatos e diminuì a 
facilidade financeira. 



62 



Contemplativos e peregrinos 

As nossas reunióes, tanto a nivei locai corno regional, 
ajudam-nos muito. Além do retiro, temos très encontros 
por ano. Cada comunidade junta-se às segundas-feiras 
para celebrar a Eucaristia e ter urna refeigào em comum. 

• O ùnico formador é também ecònomo e secretano do 
Gnjpo. 

• O coordenador do Grupo acompanha o formador. 

• A disponibilidade dos membros, revelada no zelo em 
levar avante o Projecto Comunitàrio, cria um ambiente 
fraterno que certamente convida os de fora a juntar-se 
ao Grupo. 

Num grupo com estas caracterfsticas conseguidas pela 
forga do carisma espiritano, visto a partir da perspectiva 
da teologia Latino-Americana, parece-nos ver aquele 
"fazei-vos africanos com os africanos" na dimensào do 
anùncio, corno um caminhar juntos com este povo 
sofredor, seguindo as pegadas de Jesus que ilumina o 
seu èxodo. O duplo aspecto de contemplativos e 
peregrinos (uniào pràtica) ilumina e fortalece a fé, a 
esperanga e o amor ao povo cristào em marcha. 

Javier BIANCO 



63 



1.14 NAQÓES, ETNIAS E CULTURAS NA 

COMUNIDADE 

Congo-Brazzavìlle 

Porqué viver em comunìdade internacional? 

Em Abril de 1998, urna assembleia geral reuniu todos os 
membros do Distrito. De 15 comunidades, 12 sào inter- 
nacionais, com confrades originàrios de 9 paises 
africanos e 3 europeus. Os confrades foram convidados 
a responder a està pergunta: "Que interesse ve em viver 
em comunidade internacional"? As reflexòes seguintes 
sào o resultado duma partiiha em grupo das diversas 
respostas a està pergunta. As passagens em itàlico sào 
citagoes. 

"Urna missao que me ultrapassa" 

Uma comunidade internacional é antes de mais uma 
comunidade. E viver em comunidade, é "um trabaiho do 
espìhto e do coragào"; isso supòe em cada um uma 
convicgào: "eu preciso do outro para bem cumprir a 
min ha missào que me ultrapassa"! 

Necessidade: 

• de estar à volta da mesma mesa; exclui-se o contrade 
sempre ausente das refeigóes; 

• de rezar em comum: é uma ajuda para cada contrade 
e um testemunho para os cristàos; 

• de organizar em comunidade o trabaiho apostòlico: 
planificagào, confrontagào, verificagào; 

• de partilhar os melos para a subsisténcia e as 
actividades (finangas, transportes...); aceitar a 
transparéncia na gestào dos bens e a verifìcagào das 
despesas. 



64 



Missionàrios, somos enviados ao encontro dos outros... 
"Como ir ao encontro dos outros que me sào confiados, 
se nào vou ao encontro do outro da minha comunidade"? 

A intemacionalìdade, urna riqueza... 

• Riqueza para a comunidade; eia oferece urna com- 
plementaridade dos modos de ver, dos métodos de 
acgào. Cada um traz os seus valores, a sua cultura, 
as suas relagòes pessoais (parentes, amigos, redes 
de ajuda financeira...); o por em comum estas redes 
de ajuda de cada membro multiplica a eficàcia da 
comunidade. 

• Riqueza na ordem do testemunho: os bispos do 
Congo chamam a atengao do povo congolés que 
tende a fechar-se no tribalismo e no regionalismo, 
para o testemunho dos religiosos que vivem "para 
além das fronteiras das nagòes e das ragas". 

...Exigèncias 

• Exigéncia do "esforgo para aprender a lìngua, comò 
esquecimento de si mesmo e movimento de simpatia 
para com o outro"; em très comunidades é o "Ungala" 
lingua locai, que se fala comò lingua comunitària. 

• "Antes de levar as suas próprias tradigòes, saber 
aprender dos quejà là estavam antes.". 

• um nùmero minimo de confrades: "serem trés, multo 
bem". 

• Preparar-se para isso desde a formagào. Este tipo de 
comunidade torna-se "naturai" para aqueles que o 
experimentaram desde a formagao. A aptidào para 
viver com confrades de outras nagóes, ragas e etnias, 
deveria ser um critèrio fundamental no discernimento 
para a vida espiritana: "aquele que se quer alimentar 
comò na sua terra, fique na sua dioceseì". 



65 



Nas alegrias e provagdes 

"Saber alegrar-me com os dons que encontro nos outros 
e que eu nào tenho". Nào se trata semente de se 
suportar, mas de se amar. 

As dificuldades podem provir das diferentes culturas: 
maneira de administrar os bens, nogào do tempo, 
sensibilidades litùrgicas... Mas a maior parte das vezes 
provém mais das pessoas: caràcter, idade... Ter tempo 
em comum é essencial; "ficar-se nas intengòes" é o 
fracasso. 

Sente-se a exigència de se mostrar solidàrio em caso de 
fracasso de um confrade; isso pode levar-nos a dizer: 
"Se meu confrade se suicida, nào sarei eu tanrìbém 
responsàvel"? Mas em casos de "problemas pessoais" 
somos muitas vezes incapazes. 

Sem introversdo 

A internacionalidade "nào é um truque em si"; se nào 
nos leva a melhorar as nossas relagóes com os outros, é 
um esforgo inùtil. Nào vivemos em comunidade para 
olharmos uns para os outros, mas para criar relagóes 
com as pessoas às quais somos enviados, tendo cada 
um urna visào positiva diferente. A concentragào da 
comunidade sobre si mesma, é perigosa; saber "nào se 
fixar demasiado sobre a cruz da internacionalidade!". 

É bom abrir as nossas comunidades aos padres e 
seminaristas diocesanos. Favorecer os lagos e projectos 
comuns entre as comunidades vizinhas, ajuda a 
relativizar os problemas intemos. 

É bom desenvolver cada vez mais a solidariedade inter- 
comunitària. 



66 



A evolugào da Congregagào conduziu-nos pouco a 
pouco a viver em comunidades intemacionais. Estamos 
conscientes deste movimento e acolhemo-lo, mas sem 
aumentar as dificuldades. 

René TABARD 



67 



1.15 UMA EXPERIENCIA DE SOLIDARIEDADE 

VIVIDA 
Zimbabwe 

Urna experlència ùtil 

A minha primeira experiéncia de professor, no Zimbabwe 
ajudou-me particularmente quando fui convidado para 
fazer està apresentagào. A pedido dos professores, tinha 
preparado urna exposigào em 1996, sobre o tema do 
"Ano Internacionai da muiher", e terminava com uma 
cangào que eu pròprio tinha composto: "Somos todos 
solidàhos com as nossas màes e com todas as outras 
mulheres". A cangào teve um sucesso imediato entre os 
professores e alunos, e numa versào ligeiramente 
diferente, a minha composigào tornou-se um canto oficial 
utiiizado em diferentes ocasióes: "Nós somos todos 
solidàrìos com a nossa escola e os nossos professores". 
Nào me lembro do que eu disse, mas conservo viva em 
mim a experiéncia de solidariedade que està cangào fez 
nascer; foi na verdade uma experiéncia marcante. As 
palavras desta cangào podem facilmente adaptar-se ao 
nosso Capftuio: "Nós somos todos solidàrìos com todos 
OS confrades espiritarìos e com todos os Leigos 
associados". 

Solidariedade 

... com a Igreja universal 

A missào da Congregagào é fundamentalmente a missào 
da Igreja. A RVE § 4 diz: "aceitamos de bom grado, 
tarefas para as quais a Igreja dificilmente encontra 
obreiros". Um exemplo recente desta solidariedade com a 
Igreja universal, é a nossa decisào de enviar espihtanos 
para a Asia, nas Filipinas e Taiwan. O Evangeiho de 
Cristo deve chegar a todas as nagóes e a todos os povos. 



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... com a Congregagào 

A nossa solidariedade corno membros da Congregagào 
tem a sua fonte na nossa divisa: "Cor unum et Anima 
una". Sào feitos sérios esforgos para assegurar o uso 
adequado dos nossos recursos em pessoal e em bens 
materiais, de tal modo que nenhuma comunidade ou 
circunscrigào ou provincia, tenha falta das coisas 
eiementares, e o que temos é partilhado no servigo da 
nossa missào comum. A Casa Generalicia tem uma 
responsabilidade particular neste dominio, e muitas 
realizagóes foram concretizadas gragas à linha seguida 
para as primeiras nomeagóes e distribuigóes do fundo 
Cor Unum. 

... com a Regiào 

O espirito de familia que nos une uns aos outros, une- 
nos também a nivel das regióes. No nosso contexto, a 
SCAF (Fundagao da Àfrica Centro Sul) pòs em comum 
recursos para duas casas de formagào, um noviciado na 
Àfrica do Sul e uma casa de filosofia no Malawi. Deste 
modo, recursos limitados sào maximizados e todos sào 
enriquecidos pelo encontro de diferentes culturas. As 
reuniòes da SCAR (Regiào da Àfrica Centro sul) 
realizam-se uma vez por ano, por seu turno, num dos 
paises membros. Està reuniào oferece a oportunidade 
aos confrades das diversas circunscrigoes de se 
conhecerem e partilharem ideias e experièncias. Quando 
uma delas tem um Capitulo ou celebra um aniversàrio, 
todas as outras sào convidadas. Foi o caso dos 25 anos 
de presenga espiritana na Zàmbia. Na preparagào desta 
apresentagào, confrades doutras circunscrigoes 
forneceram informagòes sobre a sua propria experiència 
de solidariedade. 



69 



... na nossa circunscngao 

No Zimbabwe, encontramo-nos très vezes por ano. A 
nivei de zonas encontramo-nos mais frequentemente 
para rezar, falar dos nossos probiemas pessoais, 
espirituais e afectivos; revemos também os nossos 
programas pastorais e elaboramos estratégias para o 
futuro. Encontramo-nos para celebrar juntos as nossas 
alegrias e tristezas. Recentemente um de nós perdeu o 
seu pai, na Nigèria; nós reunimo-nos para rezar com eie. 
Uns compraram-lhe o bilhete, enquanto outros se 
ocuparam de o levar ao aeroporto. mesmo aconteceu 
para celebrar dez anos de ordenagao de um de nós; 
juntàmo-nos para celebrar e prever o necessario para a 
festa. Quando um confrade està doente ou em férias, o 
seu trabaiho pastoral é assegurado pelos outros. Os das 
cidades prestam sen/igos aos do interior, enquanto estes 
OS abastecem de produtos agricolas. Os confrades 
oferecem animais domésticos à nossa quintarola da casa 
do Distrito. Abrimos as portas aos nossos paroquianos 
que vém celebrar connosco as festas espiritanas. Os 
nossos colaboradores diocesanos na Vinha do Senhor 
participam também nas nossas celebragoes e, por sua 
vez, convidam-nos para as suas. A nossa solidariedade 
estende-se também aos nào católicos nas nossas 
celebragoes; estamos também multo atentos para estar 
com eles nas ocasióes de luto. A seca de 1991-1992, 
que deixou tanta gente na misèria, deu-nos oportunidade 
de partilhar o pouco que tinhamos, com as pessoas no 
melo das quais vivemos. A solidariedade vivida tem as 
suas dificuldades, sobretudo no que diz respeito às 
distàncias e às finangas. Mas estas dificuldades nào nos 
imobilizaram no Zimbabwe e temos progredido muito em 
termos de confianga reciproca, de colaboragào e de 
unidade no Distrito. 

Anthony AMADI 



70 



1.16 MULTIPLOS ASPECTOS DA VIDA 

COMUNITÀRIA 

Franga 

Diversidades 

Entre os quase 700 cx)nfrades originàrios da Provincia 
de Franga, cerca de 400 vivem e trabaiham na Provincia 
de Franga. As diversas formas de vida comunitària sào 
muitas. Antes de mais é preciso lembrar a centena de 
confrades que, por diversas razòes, nào vivem em 
comunidade espiritana. As próprias "comunidades 
regionais" às quais estào ligados, sào muito variadas: 
por vezes simples encontros de amizade e de troca de 
informagoes, por vezes também encontros mais a sèrio 
em que ha partilha de vida espiritual e preocupagoes 
apostólicas. 

Entre as 23 comunidades locais, seis delas sào de 
confrades idosos; embora na reforma, aqueles a quem 
saùde o permite, ainda vào tendo actividades: ministério, 
acolhimento, manutengào da casa, servigos diversos... 
Desde que a Franga participou no Noviciado inter- 
provincial de Dublin em 1992, a Provincia so tem duas 
comunidades de formagào inicial: o primeiro ciclo em 
Lille e segundo ciclo em Clamart, sendo està ùltima 
comunidade muito internacional. A forma das 
comunidades "activas " ou "apostólicas" depende em 
grande parte do traballio a que se dedicam: educagào, 
animagào missionària e pastoral dos emigrantes, servigo 
da Missào, animagào da Provincia, acolhimento, etc. 

As comunidades podem ser compostas apenas por 
alguns membros ou por mais de cinquenta. Salvo 
ranssimas excepgòes, habitam vàrias casas que a 
Provincia herdou do trabaiho dos nossos predecessores 



71 



e que é preciso manter continuamente, restaurar e 
adaptar às novas necessidades. Muito frequentemente 
outras pessoas partilham, em diversos graus, a vida 
comunitària: em reciclagem, religiosas nas nossas casas 
dos idosos, leigos associados espiritanos, membros das 
Fraternidades espiritanas, jovens em discemimento 
vocacional, etc. 

Mudangas ìmpostas ou desejadas 

A Vida comunitària està longe de ser uma realidade 
estàtica. EvoluQòes, impostas ou desejadas, modificam 
todos OS anos o aspecto da comunidade. Em primeiro 
lugar, o acolhimento cada vez maior de confrades 
originàrios doutras circunscrigóes contribuì para 
rejuvenescer uma Provincia em que a respeitàvel mèdia 
etària é de 70 anos e permite-lhe continuar activa e 
criativa. Igualmente os progressos notàveis das 
Fraternidades Espìnto e Missào fazem-nos redescobrir a 
imensa riqueza espiritual e apostòlica do P. Libermann e 
dào-nos horizontes mais vastos sobre o dinamismo e as 
necessidades da Igreja em Franga. Devido ao 
envelhecimento e diminuigào dos nossos confrades, 
devido também às profundas mudangas na vida social e 
religiosa do nosso melo humano, foi preciso redefinir os 
projectos apostólicos de vàrias comunidades. 

Estas mudangas nào se vivem sempre na calma 
serenidade pròpria daqueles para os quais as convicgoes 
imutàveis evitam o desconforto dos problemas e das 
dùvidas. É preciso ponderar, consultar, experimentar, 
enganar-se, mudar, até ao momento em que finalmente, 
num determinado tempo e lugar, a comunidade encontra 
ou reencontra um projecto apostòlico estàvel e coerente. 
Tendo a firme intengao de continuar ao servigo da 
Missào tanto ad extra comò ad intra, a Provincia nào 



72 



quer sacrificar nem urna nem outra: sendo urna simples 
base de actividades realizadas longe dela,(ad extra) a 
Provincia corna o risco de se dissolver rapidamente; 
unicamente preocupada com o traballio apostòlico no 
seu interior, seria infiel à missào da Congregagào. 

Fontes de unidade 

Onde encontram as nossas comunidades tao diversas e 
tao mutàveis, o centro firme da sua unidade? Em 
primeiro lugar na profunda espiritualidade de cada 
confrade e de cada comunidade. As nossas origens, as 
nossas experiéncias passadas, as nossas opinióes 
teológicas e pastorais sào tao diversas que nào é fàcii 
vivermos verdadeiramente na unidade. So o Espirito 
Santo, vivendo e orando em nós, pode operar o 
estupendo milagre de fazer com que um grupo de 
homens fracos e pecadores, possa viver unido, pois que 
deixado a si mesmo teria depressa a tendéncia para 
explodir. É por està razào que desde ha alguns anos é 
proposto pelo Conseiho Provincial um "Programa de 
AnimaQào dos Confrades e das Comunidades" (PACC) 
com fim de favorecer e aprofundar a vida espiritual. 

De modo mais visivel, a unidade da Provincia assenta 
também num tipo de organizagào, que embora 
permanecendo maleàvel, permite a cada comunidade 
viver em iigagào profunda com toda a Provincia e teda a 
Congregagào. A eiaboragào do "projecto comunitàrio" 
està no centro desta organizagào. Os servigos de 
unidade e de animagào (Superiores locais e regionais, 
ecónomos...) permitem que este projecto comunitàrio se 
tome viva realidade. 

Os confrades que se dedicam particularmente à pastora! 
da juventude e à animagào vocacional, verificam desde 
ha muito que estes jovens andam à procura de trés 



73 



coisas: o servigo dos pobres, urna vida espiritual 
autèntica, urna vida de comunidade fraterna. Nem 
Poullart des Places nem Libermann deixariam de estar 
de acordo com eles! Em Franga corno em qualquer outra 
parte, nós continuamos a tentar viver este mesmo ideal 
tao antigo e tao jovem! 

Jean-Paul HOCH 



74 



1.17 A MISSAO NUMA PROVINCIA A ENVELHECER 

Inglaterra 

O dilema 

A Provincia da Inglaterra é urna "Provincia a envelhecer", 
cujo nùmero vai diminuindo. Apesar disso, eia quer 
cumprir a sua missào espiritana. Como fazé-lo nas 
actuais circunstàncias, é precisamente o dilema que 
afecta cada parte da vida da Provincia. 

Olhar para o exterior 

A ordena9ao de Derek McCartney este ano, a primeira 
que tivemos depois de vàrios anos, é um Sinai de 
esperanga, um estimulo e uma alegria para a Provincia. 
A sua nomeagào para os Camaroes, sublinha que o 
objectivo principal da Provincia foi e continua a ser a 
missào "ad extra". Nos nossos dias ha mais confrades a 
entrar na reforma, do que aqueles a nomear para o 
exterior. No entanto, um tergo dos confrades trabalham 
ainda fora da Provincia. Este olhar langado para o 
exterior contribuiu para a Provincia conservar o seu 
dinamismo. Mas, vista a falta de efectivos, interrogamo- 
nos por quanto tempo ainda poderemos enviar 
confrades em missào. Um dos melos que temos utilizado 
para tentar resolver isso, é a rotatividade do pessoal. 

Utillzagào màxima dos recursos 

Para atrair vocagóes e prosseguir uma animagào 
vocacional, foram chamados confrades do ultramar. 
Temos procurado garantir que estes confrades, depois 
de algum tempo, possam regressar à circunscrigào 
donde foram retirados. Isto permitiu ao mesmo tempo 
que aqueles que assim regressaram, pudessem retomar 
contacto com a sua Provincia de origem e actualizar a 



75 



sua teologia e os seus aspectos pastorais. A rotatividade 
funcionou melhor na teoria que na pràtica. 

Colaboragao com "outros" 

A nossa busca para prosseguir a nossa missào levou- 
nos a voltarmo-nos para os nào espiritanos. No nesso 
ministério junto dos jovens, muitos colaboradores sào 
eles mesmos jovens. Eles organizam os retiros e o 
traballio de animagào. A nossa intenQào é confiar-lhes a 
direcQào deste ministério. Os espiritanos continuarào 
ainda com este trabaiho, mas a sua continuidade nào 
dependerà dos espiritanos professos. 

Trabalhamos estreitamente com os Leigos associados. 
Eles tèm a responsabilidade do trabaiho J&P na 
Provincia. Um leigo associado é o representante da 
Provincia na rede "Africana-Europeia de Justiga e Paz- 
UK". Um outro associado està comprometido no trabaiho 
de servigo aos imigrantes e aos que procuram asilo. 

Temos estado em colaboragào com outras Provincias 
espiritanas. Temos sido ajudados pelas provincias da 
Nigèria e da Irlanda e pela WAF. Pelo seu apoio e ajuda 
estamos muito reconhecidos. 

Diferentes formas de comunidade 

O projecto "Kairos Community" quer acolher os sem 
domicilio fixo e as vitimas da droga e do alcoolismo. Os 
confrades comprometidos neste projecto vivern em 
comunidade com aqueles que vém da rua. É um 
elemento terapèutico fazè-los entrar numa comunidade 
onde eles se sentem acolhidos. Nem todos os confrades 
estào dispostos nem sào aptos para viver neste estilo de 
comunidade. 

"Youth Apostolate" quis abrir as nossas comunidades 
a jovens trabalhadores leigos que partilham a nossa vida 



76 



de espiritanos. Também aqui, nem todos os confrades 
estào prontos para viver em tais comunidades. Sem 
querer excluir os confrades das suas "casas", também 
nào queremos comprometer o nosso trabaiho junto dos 
jovens. 

Problemas qua bloqueiam o crescimento 

Ha menos gente para tomar cargos de responsabilidade 
da missào ou da administragào da Provincia. Pela 
primeira vez, nào temos estudantes na Provincia, 
embora tenhamos um em estàgio no Quénia. 

Dois ou très confrades vivem fora de comunidade. 
Outros, eles próprios se puseram à margem dos 
encontros e das actividades da Provincia. Outros ainda 
sào reticentes em seguir reciciagens, temendo talvez 
encontrarem-se face a face com eles mesmos, e terem 
de mudar a sua atitude. 

Urna nova forma de existìr? 

A nossa maior preocupagào é saber comò fazer face ao 
nùmero decrescente de confrades. Poderemos continuar 
a existir corno Provincia? Daqui até ao próximo Capitulo 
GeraJ seremos menos que os sessenta confrades que 
somos hoje. Nào sera possivei existir da mesma 
maneira que hoje. 

Brian FULTON 



77 



1.18 ESPIRITANOS PROFESSOS E LEIGOS 
ASSOCIADOS 
Conseiho Geral 

Manifestar incessantemente o Evangeiho ao nosso 
mundo 

As apresentagòes das experièncias missionàrias ao logo 
deste Capitulo, confirmam a minha convicgào de que a 
nossa Congregagao està em contacto muito directo com 
muitas questòes respeitantes à actual situagào do 
mundo. Nào fazemos a nossa agenda missionària a 
partir do nosso escritório nem de grandes teorias; 
procuramos partir das questòes reais, as que surgem do 
contacto com as pessoas. Para isso temos trunfos 
fantàsticos: antes de tudo a nossa fé, que nos dà acesso 
a uma Boa Nova capaz de dar sentido à vida; depois a 
nossa longa história, semeada de experièncias da 
"tradugào" desta Boa Nova em culturas tao diversas. 
Estamos convencidos que està Boa Nova é sempre 
actual. 

Os nossos projectos missionàrios e programas pastorais 
devem estar adaptados à situagào das pessoas às quais 
somos enviados. As respostas às perguntas que nos sào 
postas virào da sua experiència e também da nossa, 
mediante um estudo e reflexào sobre a "tradugào" do 
Evangeiho no nosso mundo contemporàneo. Està 
tradugào nào é nunca fixada uma vez por todas; tem 
necessidade de ser continuamente incarnada nas novas 
situagòes da vida. Para nos ajudar a isso, temos a 
inspiragào dos nossos fundadores, a dos espiritanos de 
outrora e de hoje, a sua maneira de reagir diante das 
situagòes. 



78 



Olhar sobre o futuro da missào 

Diante da situagao actual do mundo, muitos se 
interrogam se a missào ainda tem futuro. Mas o Espirito 
Santo trabalha. Em lugar de nos encerramos nesta 
questào, nào nos conduzirà o Espirito, através da 
pròpria situagào do mundo, a mudarmos a nossa 
maneira de ver, a abrirmo-nos a outros horizontes? 
Estou convencido que Deus continua a chamar obreiros. 
E felizmente este chamamento nào é so para o 
espiritano se comprometer. Também o espiritano nào é 
ùnico que possui os carismas necessàrios para a vasta 
obra da evangelizagào. Todo o baptizado é convidado a 
partilhar a sua experiéncia com os outros, a trazer a 
especificidade e as riquezas que Ihe vèm da sua fé. Eie 
fa-Io com a sua presenga ao lado dos outros e com o 
seu compromisso na construgào dum mundo melhor, do 
Reino de Deus. 

Por em comum o que herdamos e as nossas 
esperangas 

Espiritanos, porque nào permitir a outros que aproveitem 
da nossa experiéncia, da nossa espiritualidade e do 
nosso entusiasmo pela missào no seguimento de Jesus 
Cristo? Muitos sinais a isso nos encorajam. Desde 
alguns anos, num nùmero cada vez maior de paises, ha 
leigos que se mostram interessados na nossa familia 
espiritana. Alguns sào atraidos mais pela nossa vida 
comunitària, pelas nossas fontes de reflexào e oragào; 
outros pelas duas coisas ao mesmo tempo, com acentos 
diversos. 

Como ser fiéis ao espirito dos nossos fundadores? 
Verificamos que leigos e espiritanos professos, sào comò 
que atraidos uns pelos outros. Dum lado, a Congregagào 
procura valohzar a sua identidade, os seus carismas, a 
sua espiritualidade, a sua tradigào corno uma contribuigào 



79 



ùtil para o futuro deste mundo, para o estabelecimento do 
Reino de Deus; é neste espirito que eia oferece o seu 
contributo. Por outro lado, muitas pessoas recxDirem às 
suas tradigòes religiosas, em busca de um sentido para a 
sua Vida; muitos procuram companheiros de com- 
promisso para constmir um mundo meilior para todos. 

Para nós, nào se trata unicamente de dar da nossa 
riqueza, da nossa experiència de 300 anos. Recebemos 
também muito deles. Os testemunhos dados por très 
pessoas associadas mostram bem o que significa 
"receber muito deles". A Congregagào pode enriquecer- 
se grandemente com este contributo formidàvel de 
experièncias da sua vida cristà e social: postas em 
comum com as nossas, elas poderiam provocar comò 
que um reacgào quimica, fonte de novas energias e de 
entusiasmo prometedor. 

Fiéis à criatividade dos nossos fundadores 

Nos anos 80, na Provincia da Holanda, jovens pediram 
para estar ligados à Congregagào. Nós dissemo-nos: 
"nào é inteiramente certo que seja o Espirito Santo a 
impulsionar-nos para nos langarmos nesta aventura de 
associagào, mas de momento nào vemos outro caminho 
possivel. Se hoje nào respondermos positivamente, 
passaremos talvez ao lado dum destes "sinais dos 
tempos", oferecido pelo Espirito. Tentemos ao menos 
fazer qualquer coisa. Se isso nào vem do Espirito, falharà 
de qualquer maneira". 

Juntos com os associados deveriamos reencontrar o 
entusiasmo, a criatividade e a imaginagào que tinham os 
nossos fundadores quando comegaram a sua nova 
aventura. Com eles, deveriamos comprometer-nos num 
esforgo de dar novas respostas aos problemas e 
necessidades de hoje. A história da missào é rica em 
imaginagào e em grande visào. Espiritanos professos e 



80 



nào professos, deveriamos prosseguir nesta linha para 
tentar encontrar o caminho de Deus nas realidades 
humanas vividas hoje. Juntos, tenhamos a coragem de 
enfrentar o mundo actual. O nosso compromisso 
religioso em solidariedade pode libertar, realizar novas 
formas de unidade; a históha nos mostra que isso é 
muito possivel. 

Ao servìgo do Reino 

O Conseiho Geral està convencido que vale a pena 
fazer està caminhada: companheiros de estrada com os 
nossos irmàos e irmàs associados, acreditamos que nos 
enriquecemos mutuamente em cada passo que damos 
juntos. O que importa mais, nào é o nosso Instituto mas 
a vinda do Reino de Deus. Pelo Reino vale a pena 
responder positivamente aos sinais dos tempos, às 
iniciativas do Espihto Santo. Caminhar com os 
associados, nào sera talvez o sinal mais arrojado deste 
tempo? 

FransWIJNEN 



81 



1.19 UMA EXPERIÉNCIA DE MINISTÉRIO 
PARTILHADO 
Transcanadà 

Ha Leigos associados nas quatro Provincias da America 
do Morte, e apesar das diferengas no modo de conceber 
asta fungào, ha muitos tragos comuns. Reunioes anuais 
regionais da America do Morte, permitiram aos delegados 
permutar as suas experièncias e elaborar objectivos 
comuns. Està apresentagào limita-se à experiència do 
Transcanadà, comò uma ilustragào particular da relagao 
do Leigo associado com a Congregagào, e o significado 
do ministério partilhado no contexto da America do Morte. 

A nossa história 

Dermot e Deirdre McLoughlin foram os primeiros 
espiritanos leigos no Transcanadà, em 1975, formando o 
nò dum grupo com base em Toronto e que se 
desenvolveu à volta deles. A sua casa foi durante muitos 
anos lugar de encontro dos Leigos espiritanos do 
Transcanadà, até ao momento em que, em 1997, eles 
foram para Sioux Lookout, no norte de Ontario. A minha 
mulher e eu proprio fizéramos o nesso compromisso 
oficiai comò leigos espiritanos em 1991, depois de 
durante seis anos, termos frequentado o grupo de 
Toronto. meu primeiro contacto com os espiritanos 
teve lugar em St Mary's College (Trindade) comò 
estudante e depois, brevemente, comò professor. Como 
casal tinhamos reatado este relacionamento nos meados 
dos anos 70, comò membros da comunidade católica 
dirigida pelos espiritanos, na universidade McMaster de 
Hamilton. Com a mudanga de duas familias de Toronto, o 
grupo do Transcanadà conta actualmente cince casais, 
divididos em duas equipas: a de Toronto-Hamilton e a 
outra, mais dispersa, de Winnipeg - Sioux Lookout. 



82 



A nossa vida 

Manual dos ieigos espiritanos da Provincia do Trans- 
canadà descreve-nos corno "urna pessoa comprometida 
com a Congregagào do Espirito Santo e acolhida para 
trabalhar com a Congregagào na construgào do Reino 
de Deus, reino de amor, de justiga e de paz". Como 
Leigos espiritanos, procuramos viver os très aspectos 
fundamentais do nesso compromisso - oragào pessoal, 
comunidade e defesa dos fracos e marginalizados - 
tendo em mente o espirito da nossa situagào de vida. Os 
Leigos espiritanos de Toronto e de Hamilton tèm cada 
um da sua parte uma comunidade de oragào, que inclui 
uma missa cada més; e também nos deslocamos para 
nos juntarmos regularmente. Apesar das distàncias, o 
grupo de Winnig e de Sioux-Lookout comunicam por 
telefone, e também por encontros quando é possivel. 
Apreciamos muito o apoio do P. Pat Fitzpatrick, que nos 
acompanha. 

nosso servilo 

Estamos comprometidos em actividades muito variadas 
pela J&P, tais comò o traballio com as comunidades 
aborigenes, o ensino e o apoio aos imigrantes, a ajuda 
juridica, a participagào activa no trabaiho de defesa no 
quadro da Organizagào Canadiana Católica para o 
Desenvolvimento e a Paz, a ajuda para preparar volun- 
tàrios para o servilo no exterior com o VICS (Servigo 
Internacional dos Voluntàrios Cristàos), o ensino religioso 
e a participagào numa equipa da capelania da escola, e o 
trabaiho comò especialista de ètica cllnica. Num sentido 
mais geral, o dia a dia da familia, do trabaiho e da vida 
civica é um lugar privilegiado para o servilo e o 
testemunho dos leigos que podem inspirar-se na 
espiritualidade espiritana Como Leigos espiritanos, 
trabalhamos para construir o Reino de Deus sobre o 



83 



amor, a justiga e a paz, pela visào que levamos e as 
escolhas que fazemos na nossa familia, na nossa vida 
profìssional e social. 

Atraìdos pelo carisma espiritano 

Os leigos que trabalham no exterior ou no Canada com 
OS espiritanos nào tèm todos o desejo de se tornarem 
Leigos espiritanos. Alguns dentre nós fizeram està 
escoiha porque foram atraìdos pelo carisma espiritano, 
sobretudo porque o tinhamos visto incarnado em con- 
frades bem concretos, que conhecemos corno amigos 
ou dos quais admiramos o traballio. Estamos também 
interessados pela possibilidade de aprofundar a nossa 
espiritualidade e pela comunidade intemacional com a 
qual nos podemos identificar. Temos recebido multo 
estimulo no Transcanadà da parte de vàrios provinciais 
sucessivos. O seu apoio fiel e a proximidade com os 
confrades da Provincia, resultante de numerosos 
encontros por ocasiào dos Capitulos, retiros, funerais e 
reunióes amigàveis, acabaram por neutralizar todo o 
cepticismo sentido, ao menos no principio, por alguns 
confrades no que respeita à nossa participagào comò 
leigos espiritanos. 

Inventar novos modelos de colaboragào 

Nós nào chegamos de màos vazias; levamos a nossa 
experiéncia, os nossos talentos e a nossa competéncia 
para a Congregagào. Como leigos podemos elaborar 
convosco novas formas de colaboragào, apoiando ou 
tomando a responsabilidade de trabalhos especificamente 
espiritanos, abrindo novos campos de apostolado, e 
levando a espiritualidade espiritana a zonas da vida 
secular que podemos atingir mais facilmente que os 
nossos confrades professos. 

Gary WARNER 



84 



1.20 UMA LEIGA ASSOCIADA DA EUROPA 
inglaterra 

Embora esteja aqui corno representante dos Leigos 
associados espiritanos da Europa, o que vou dizer 
refere-se principalmente à minha experiència corno 
Leiga associada da Provincia da Inglaterra. 

As mìnhas origens 

Quando crianga fui refugiada da guerra, e mais tarde 
estive ao servigo dos refugiados hùngaros na Irlanda do 
Norte (1956-1957); educada pelas religiosas missionàrias 
e envolvida por um ambiente duma familia amorosa, sou 
naturalmente atraida por um ideal de justiga; é neste 
contexto que teve lugar o meu casamento com Tony, 
naturai da India. 

Influéncìa espiritana 

No meu primeiro encontro com os espiritanos em 1990, 
na Inglaterra, fiquei impressionada pela sua maneira de 
lidar com a juventude, abrindo-lhe inteiramente a sua 
casa, numa atitude isenta de julgamento. Convidada a 
juntar-me à equipa da Pastoral da juventude em 1991, 
trabalhei neste contexto de diversas maneiras, par- 
ticipando durante cince anos na peregrinagào das "100 
milhas" na Inglaterra, Escócia e Irlanda e desde 1996, 
sou coordenadora para a J&P na Provincia da Inglaterra. 
Pergunto-me se os espiritanos se deram conta da prenda 
que me ofereceram? 

Leigos associados espiritanos na Inglaterra 

Emi 992, seis outros leigos e eu pròpria depois de vàrios 
periodos de compromisso, tendo seguido um programa 
de formagào, fizemos o nesso compromisso formai na 
Congregagào por très anos, a 02 de Fevereiro de 1993. 



85 



Temos renovado este compromisso, e entretanto outros 
cinco se juntaram a nós, fazendo o seu compromisso em 
Mar90de1998. 

Quem sào os associados? 

Na primeira reuniào organizada em Maio de 1998 pelos 
leigos da Europa ligados à Congregagào, os Leigos 
espiritanos e os Associados de cinco paises da Europa 
encontraram-se em Gemert, na Holanda; a troca de 
experièncias foi um enriquecimento mùtuo. Com aiguns 
confrades espiritanos da Europa, falàmos dos problemas 
que andam à volta das diferentes formas de compromis- 
sos dos leigos. Aiguns acharam que o termo "associado" 
necessitava de esclarecimentos, porque as formas de 
associagào variam de urna Provincia para outra na 
Europa. 

Muitos leigos desejam comprometer-se com os 
espiritanos professos, no traballio, na ora^ào e mais 
frequentemente em ambos. Na Europa, chamamo-lhes 
Leigos espiritanos. 

Aiguns sentem-se atraidos para fortalecer a sua 
espiritualidade seguindo de mais porto "a visào e os 
objectivos da Congregagào, no espfrito dos seus 
fundadores e do Evangeiho de Cristo, acolhendo o 
nosso apelo baptismal de fazer frutificar os nossos dons 
e talentos" (Regra dos Leigos espiritanos - Provincia da 
Inglaterra). Depois de ter seguido um percurso de 
formagào, eles tomam diante da Congregagào um 
compromisso sèrio, com um centrato mùtuo, adoptando 
a espiritualidade missionària da Congregagào e ligando- 
se a urna tarefa especlfica da Provincia. É o que na 
Europa nós chamamos Leigos associados espiritanos. 

A expressào "Leigo espiritano" e "Leigo associado 
espiritano" no sentido em que o entendemos na Europa 



86 



podem nào incluir a mesma realidade noutras circun- 
scrigóes. 

Na Provincia da Inglaterra, a maior parte dos Leigos 
associados tém um trabaiho remunerado fora da 
Congregagào, e até hoje nào vamos para missóes no 
exterior. Noutras Provincias da Europa, a missào ad 
extra é muitas vezes o inicio do contacto, que levare os 
leigos a tornarem-se associados. primeiro com- 
promisso na Provincia da Inglaterra, é viver a 
espiritualidade espiritana na nossa vida quotidiana. O 
nesso contraete com a Provincia tem estas palavras: 
"Pelo meu compromisso estou pronto para oferecer a 
livre disposigào de mim mesmo, corno Leigo associado 
espiritano, na sinceridade e fìdelidade, num espirito de 
verdadeiro amor e fé". 

Que fazemos nós? 

Nós somos considerados membros da Provincia. Alguns 
de nós estào comprometidos num servigo junto daqueles 
que estào à margem da sociedade, nas organizagòes 
para os que procuram asilo, ou para ajudar as pessoas 
que vivem nas ruas das nossas grandes cidades. Outros 
trabalham na pastoral da juventude. 

Em 1995, foi entregue aos Leigos associados a 
responsabilidade da secgào da J&P da Provincia. Isto 
levou-nos a um Centro de informagào, ligado a outras 
organizagòes trabalhando principalmente pela J&P, e 
também a um contacto regular com os que procuram 
asilo, detidos no aeroporto de Manchester. Na Inglaterra, 
actualmente, vemos que a nossa missào é no lugar onde 
vivemos. 



87 



Propostas para o Capìtulo 

Os pontos seguintes, fruto do encontro dos Leigos 
associados em Gemert, foram preparados para serem 
apresentados ao Capitalo. 

1. Os Leigos associados de cada Provincia devem eles 
próprios elaborar as estruturas mais convenientes ao 
seu grupo e ter um espiritano corno interlocutor, 
designado pelo Provincial e aceite pelos leigos. 

2. Temos consciència de fazer parte da familia espiritana, 
esperando que isso podere ser concretizado em cada 
Provincia. 

3. Desejamos que o compromisso dos Leigos associados 
seja promovido em cada Provincia, tanto pelos leigos 
corno pelos espiritanos professos. 

4. Associados leigos de algumas Provincias europeias 
pediram que houvesse para eles um fundo especial 
em cada Provincia. 

Maureen SOARES 



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1.21 PEREGRINA PELO REINO 
Brasil - Porto Rico 

Vocagào baptismal 

Nasci em Valadares (Minas Gerais), onde conheci alguns 
Espiritanos holandeses. Como boa peregrina, mudei para 
Belo Horizonte. Là comecei a trabalhar na catequese e 
depois na Sociedade de S. Vicente de Paulo. Aquela 
coisa de "assistir" as familias me inquietava. Assim, 
come9ando por reunir as familias nas favelas onde 
moravam para que se conhecessem, ajudassem e 
celebrassem a "Vida", passamos a fazer ceiebraQòes de 
aniversàrios, providenciar os registos dos filhos e o 
casamento civil. Comegamos as vigilias de Pàscoa, 
Natal, Festa Junina e camaval no saiào comunitàrio. Em 
1964 iniciamos um curso de alfabetizagào. O padre e 
toda a comunidade paroquial ajudaram no lanche de 
encerramento. Poi tao bom que dai surgiram cursos de 
jardinagem, pedreiro, hidràulico, etc... 

Um povo que faz a sua história 

Por trabalhar num departamento de educagào do 
governo, fui transferida para Brasilia. Nesta època, os 
operàrios que trabalharam na construgào da nova capital 
viviam em Vilas ou "Invasòes". Ao chegarem construfam 
seus barracos de madeira, perto de outra familia con- 
hecida, mas sem seguranga. Eram em grande maioria 
originàrios do nordeste do pais. Construlda a capital o 
governo planejou a retirada dos operàrios para um locai 
distante 30 Km do centro da cidade. A mudanga foi boa, 
mas a forma de actuagào foi bruta!. Eram 90.000 os 
habitantes desta terra "prometida" a que deram o nome 
de Ceilàndia - cidade para a erradicagào dos invasores. 
Fui trabalhar nesta cidade. Vendo o problema de 
comportamento dos alunos comecei a visitar as familias. 



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Là estavam os espiritanos holandeses que me 
convidaram a trabalhar na equipa pastoral da Paróquia da 
Ressurreigao. Éramos trés padres, très religiosas e duas 
leigas, urna das quais enfermeira. Para melhor trabalhar 
mudàmos para Ceilàndia. Num trabalho mais planejado, 
nós visitàvamos as familias para conhecimento da 
realidade e partir para acgào pastoral. Todas as semanas 
reuniamos em equipa para trocar ideias e planejar o 
trabalho da semana seguinte. A partir de cursos de 
croche e tricò oferecidos a criangas, jovens e adultos 
fomos descobrindo gente para o curso de fomiagào para 
futures catequistas, comegar o trabalho com os jovens, 
criagào da pastoral de saùde, circulos biblicos nas casas, 
com reflexos na vida social quotidiana. Cada conquista 
era comemorada: chegada da luz, da àgua, do ónibus. 
Reunfamos todos: católicos, pentecostais, macumbeiros e 
cantàvamos e agradeciamos a Deus. 

À luz da Palavra de Deus descobrlamos a nossa 
dignidade e iste era o alimento para as próximas acgóes. 
Comegàvamos a pensar na formagào de uma entidade 
com mais forga juridica. Velo a Associagào de 
"incansàveis moradores". A OAB deu a assistència 
juridica. Em 1979 foi feita a primeira Directoria composta 
so com moradores de Ceilàndia. Iste porque o govemo 
nesta època estava cobrando um prego alto pelos lotes e 
a especuiagào imobiliària estava aproveitando dos 
menos avisados, que, assustados, com mede de perder 
seu pedago de terra, vendiam o direito de moradia e se 
mudavam para Goiàz ou iam viver em casa alugada. 

Aqueles que fincaram os pés no chào e confiaram em 
Deus, bom Pai, là estào para confirmar que com fé, 
esperanga e caridade se constrói a Igreja, Povo de Deus 
que caminha e faz a sua história! 



90 



Estar là onde os operàrios sào poucos 

Os Espiritanos porto-riquenhos que deram continuidade 
aos trabalhos na paróquia da Ressurreigào, regressando 
a Porto Rico, convidaram-me para trabalhar em seu pais 
ajudando no projecto do Centro de Animagào 
Missionària. trabaiho é incentivar as pessoas leigas a 
assumirem seu lugar na Igreja. Divulgar que cristàos 
movidos pela fé se póem ao servigo da irmà e do irmào 
abandonado, excluido pela sociedade corrompida pelo 
ter e poder. Vejo a Igreja corno um tecto comum onde 
todos sào acolhidos. 

Leigas, leigos sào pessoas cristàs que, aquecidas pelo 
Espirito Santo, póem em comum os dons que, de 
presente, receberam pelo baptismo e querem fazer seu 
Projecto de Deus. Leigo Associado Espiritano: aquele 
que, comprometido com a Igreja de Deus, quer viver o 
carisma espiritano, fazendo seu o projecto dos filhos 
adoptivos de Libermann que é ir e estar là onde a Igreja 
tem dificuldades para encontrar operàrios. Sou 
associada espiritana porque vivendo a felicidade que so 
conhecem aqueles que vivem o "etemo abandono" nas 
màos de Deus Pai, conheci os Espiritanos e com eles 
busco viver num so coragào, numa so alma. Meu 
trabaiho é fazer com que està grande familia cresga em 
sabedoria, graga e santidade. 

Maria Lucia ANDRADES 



91 



1.22 ASSOCI ADOS COM OS LEIGOS 
Fundagào da Àfrica Central 

Primeiras experiéncias 

Dos meus pais e parentes, do humus familiar senegalès, 
aprendi a hospitalidade, a entre-ajuda, a solidariedade. 
Por ocasiào da minha ordenagào, recebi deles està 
mensagem: "Tu és padre e religioso; acredita que na 
Igreja tu nào estàs so, nós somos teus amigos, teus 
irmàos, teus pais". Exercendo o meu ministério de jovem 
padre nos Camaróes, esforgava-me por viver entre os 
leigos a simplicidade espiritana, padre para eles, irmào 
com eles. Primeiras experiéncias de colabora^ao... 

A Assoclagào BROTTIER 

Pelo fim dos anos 80, encontrava-me no escolasticado 
da FAC em Brazzaville, no Congo. Com os outros 
formadores, decidimos fazer a experiéncia duma 
comunidade-famllia com parentes e amigos próximos do 
escolasticado. Eles perguntam-nos: "Que esperam de 
nós"? Em 1991, por ocasiào dum encontro com 
numerosos amigos congoleses e nào congoleses, nasce 
a ideia de fundar uma associagào. Em 1992, essa ideia 
concretiza-se na "Associagào Padre Brottier" com os 
seguintes objectivos: 

• conhecer a espiritualidade e o carisma espiritanos; 

• apoiar a comunidade do escolasticado; acompanhà-la 
na suas alegrias e tristezas; 

• favorecer, em vista da acgào missionària, os lagos 
entre leigos e espiritanos que trabalham no Congo; 

• acompanhar acgòes de desenvolvimento em favor 
dos mais desfavorecidos. 

Para os leigos, a questào é a seguinte: "corno viver 
eficazmente com os espiritanos o servigo de Deus"? Sào 



92 



planeadas acgoes concretas em concertagào com os 
espiritanos do Congo: 

• jornadas "portas abertas" no escolasticado; aco- 
Ihimento fraterno nas nossas respectivas casas; 

• refeigào familiar com os membros da associagào no 
principio de cada ano escoiar; 

• apadrinhamento dos estudantes; participagào na 
organizagào das ordenagóes diaconais e presbiterais; 

• recoiecgòes e tempos de oragào em comum. 

• Em 1 993-94, a guerra estala em Brazzavilie; os lagos 
entre a associagào e os espiritanos pemnitem acgòes 
de solidariedade em favor dos sinistrados e doutras 
familias nos bairros da cidade. 

• urna ONG de mulheres, criada em 1994, desenvolve 
vàrias actividades de ajuda social e sanitària em favor 
dos órfàos e dos doentes da Sida; é apoiada pelos 
espiritanos. 

A cerai Paul ONDIA 

Paul Ondia foi o primeiro espiritano e o primeiro padre 
religioso do Congo. Depois da sua morte, num addente 
em 1994 no Senegal, formou-se uma coral com os seus 
antigos alunos e amigos leigos: tem por fim perpetuar a 
sua memòria através do canto que eie tanto amava; e 
também cooperar com a acgào missionària dos 
espiritanos. Paul Ondia dizia: " a verdadeira familia 
ultrapassa as ragas e fai de todos nós irmàos 
universais". Vàrios jovens aspirantes à vida missionària 
foram acompanhados e apresentados por està coral, 
para entrar na formagào espiritana. 

Lagos criados em Kinshasa... 

Por ocasiào dos contactos em Kinshasa preparando a 
tomada de posse duma nova paróquia pelos espiritanos 



93 



da FAC, descobrimos urna vasta famìlia: a Uniào 
Nacional dos Antigos Alunos dos Espiritanos (UNAES). 
Os seus membros, alguns deles hoje com respon- 
sabilidades importantes na sociedade congolesa, 
querem continuar o lago familiar criado entre eles e a 
nossa Congregagao. Por ocasiào das festas espiritanas, 
foram criados lagos entre estes leigos de Kinshasa e os 
de Brazzaville. 

... e em Lìbreville 

Trés meninas da regiào dos Grandes Lagos faziam urna 
experiéncia de vida missionària, com os nossos con- 
frades, entre os pigmeus Bakas no sudeste dos 
Camaróes. Elas próprias se puseram o problema duma 
eventual colaboragào e associagào com os espiritanos. 
Foram feitas diligéncias que levaram uma delas a reunir- 
se em Libreville e a fazer um pedido mais formai de 
compromisso neste sentido. Isso levantou vàrias 
questòes e convidou a fazer um discernimento. Uma 
questào permanece ainda para nós: comò ajudar uma 
mulher leiga africana a realizar a sua vocagào 
missionària? 

Os desafìos duma colaboragào 

As vocagóes religiosas em Àfrica sào cada vez mais 
numerosas e as necessidades financeiras das nossas 
casas aumentam. Através do fundo Cor Unum, é bem 
real a solidariedade da Congregagao. Mas hoje, que 
estas fontes atingiram o auge, quais sào as nossas 
perspectivas? 

O despertar de uma rede de amigos e de benfeitores 
africanos é urgente. Trata-se de levar as nossas familias 
a ajudar-nos, em vez de esperarem a nossa ajuda. Està 
colaboragào é possivei: os leigos estào dispostos a 
realizarem o seu compromisso baptismal connosco e ao 



94 



nosso lado. Mas isso supóe que enfrentemos vàrios 
desafios: 

• que a nossa vida comunitària nào seja um contra- 
testemunho, mas verdadeiramente um lugar de 
oragào, de solidariedade e de partiiha; 

• que nosso relacionamento mùtuo seja inspirado por 
urna verdadeira caridade fraterna: que procuremos 
"ser salvadores" uns dos outros em vez de sermos 
"juizes" impiedosos, nós que, segundo a palavra de 
Libermann, "somos todos uns pobres homens...". A 
presenga dos leigos é um apelo à nossa conversào; 
eles podem renovar o nosso dinamismo nos 
momentos dificeis; 

• que a nossa solidariedade com os pobres e os mais 
desfavorecidos seja verdadeiramente efectiva, tanto 
nos nossos compromissos missionàrios corno nas 
nossas casas de formagào; 

• que estejamos dispostos a comprometermo-nos com 
OS leigos nas obras de desenvolvimento e na 
dignidade das populagóes abandonadas. 

Benoìt DIEMÉ 



95 



1.23 CONTINUIDADE DO CARISMA ESPIRITANO 

NOS COLÉGIOS 

Irlanda 

Urti compromisso forte 

A Provincia da Irlanda està, desde a sua fundagào, 
fortemente comprometida com a educagào. Quase 4500 
alunos frequentam as oito escolas primàrias e 
secundàrias da Provincia. Doze espiritanos trabalham a 
tempo inteiro neste apostolado, e outros vinte prestam os 
seus serviQos corno capelàes, no traballio administrativo, 
etc. Cerca de 275 professores leigos tèm ai o seu 
emprego, aos quais se junta um grande nùmero de 
pessoal de servigo. 

Colaboragao com os leigos 

Està colaboragào existiu sempre nas escolas da Irlanda. 
Mesmo se no principio os leigos eram pouco numerosos, 
houve sempre uma grande unidade entre os espiritanos 
e OS seus colegas leigos. Està colaboragao està na 
origem deste brio dos leigos em trabalhar com fidelidade 
nas obras da Congregagào e nas suas escolas - uma 
fidelidade que nào é so pròpria dos professores, mas 
que se estende aos outros empregados. À sua maneira, 
eles contribuem de maneira significativa para forjar o 
espirito dos colégios. 

O espfrito que nos caracteriza 

Diante da diminuigào do nùmero dos espiritanos, os 
colégios tèm de se interrogar: o que ha nos nossos 
institutos que nós consideramos valores e que 
gostariamos de preservar? Qua! é o espirito que nos 
caracteriza? Que elementos da nossa tradigào na 
educagào nos parecem importantes, que se eles nào 



96 



continuassem a ser transmitidos, seria urna grande perda 
para o pais, para a Igreja e para o trabaiho missionàrio 
da Congrega^ào? 

Projectos educativos 

Em cada colégio, tem-se reflectido sobre a "missào" da 
obra. Estas trocas de impressoes nào foram so entre os 
espiritanos, mas nelas participaram também leigos, 
antigos alunos e outros. Organizaram-se jornadas de 
reflexào; foram redigidos documentos provisórios, dis- 
cutidos e modifìcados. Finalmente dai saiu um projecto 
educativo, que cada um podia reconhecer comò seu e 
dar seu apoio. 

Estes projectos educativos so tèm valor na medida em 
que influenciam a vida quotidiana do colégio. Seria muito 
fàcii redigir um belo projecto para o meter na gaveta, 
sem ter nenhuma influència na vida da escola. É preciso 
tirar dai as consequéncias. 

Os leigos no trabaiho pastoral 

Era evidente para as escolas que, diminuindo o nùmero 
de espiritanos, muitas actividades tradicionalmente 
realizadas pelos confrades, nào o poderiam ser mais. A 
maior preocupagào foi a da dimensào religiosa e pastoral 
da educagào. Foi preciso recrutar catequistas leigos 
competentes, comprometer ou formar conselheiros 
psicológicos. Hoje, a maior parte destas fungoes, estào a 
cargo dos leigos, homens ou mulheres. Enquanto a maior 
parte dos programas de conscientizagào social tinham 
sido langados pelos espiritanos, a realizagào desses 
objectivos agora està nas màos dos leigos. 



97 



Leigos na administragào 

Muitos postos administrativos dos nossos colégios sào 
ocupados por leigos - so um nos oito principais colégios 
é ainda espiritano. Onde os confrades estào ainda a 
trabaihar na administragào, é sobretudo com urna fungào 
de apoio. Sào realizados encontros regulares entre os 
directores das escolas espiritanas - mas por certo ainda 
nào sào bastantes - com vista a criar lagos entre eles e 
OS encorajar a realizar os objectivos missionàrios dos 
colégios, tais comò os projectos educativos os definem. 

Assegurar o futuro 

As escolas e os colégios pertencem à Congregagào. A 
Provincia tem considerado seriamente a situagào em 
que muito poucos - se houver alguns - confrades 
estarào presentes nestas instituigóes. Como saberà 
entào a Congregagào o que se passa nos seus 
colégios? Como poderà ter influència na realizagào dos 
seus objectivos? Para responder a isto, a administragào 
provincial com a ajuda de conselheiros juristas, estuda a 
ideia de criar uma sociedade cuja tarefa seria velar pelo 
trabaiho educativo das escolas. Nào um cào de guarda, 
mas um estimulo e um apoio em caso de necessidade. 
Està sociedade incluiria confrades e leigos, homens e 
mulheres, com uma Clara visào espiritana da educagào. 

Brendan HALLY 



98 



2. A MOSSA MISSÀO 

A nossa experiéncia missionària recente foi largamente 
lem brada ao longo do Capftulo, particularmente através 
das otto primeiras apresentagòes dos capitulantes e da 
partiiha que se seguiu. 

centro da nossa vida espirìtana é sempre a missào 
comò anùncio da Boa Nova do Reino (RVE 1). Mas hoje 
desenha-se mais claramente uma certa maneira de ser 
missionàrio espiritano: insiste-se sobre a proximidade, a 
qualidade de vida e de presenta junto das pessoas, a 
solidariedade, a abertura a novos horizontes e sobre 
uma mais ampia colaboragào... A aventura missionària 
leva-nos a partilhar com muitas pessoas um caminho 
que nos estimula a crescer espiritualmente, a renovar o 
sentido do nosso compromisso. 

Através da reflexào dos capitulantes, este estilo de 
missào é fonte de inspiragào para os próximos anos, 
convida-nos também a rever certos aspectos da nossa 
formagào e o modo de nos organizarmos. 



ORIENTAQÒES E DECISÓES 

Caracteristicas da misscio espirìtana contemporànea 

Elas aplicam-se a todas as situagòes vividas pelos 
espiritanos: compromisso em contexto nào cristào ou 
muito perto de comunidades eclesiais, em obras sociais, 
educativas ou paroquiais, etc. Estas caracteristicas sào 
lembradas por algumas expressòes significativas: 

Presenga 

A razào principal porque vamos para junto das pessoas, 
nào é para desempenhar tarefas, mas para estar com 



elas, acompanhà-las, escutà-las e partilhar a nossa fé. 
No centro das nossas relagóes estào a confianga, o 
respeito e o amor. 

2.1 Para melhor comunicar com as pessoas, cada 
circunscriQào, cada comunidade é convidada a 
comprometer-se num esforgo de anàlise e de 
interpretagào das situagóes em que elas vivem. 

Solidariedade 

A solidariedade é urna dimensào essencial da relagào 
missionària com povos diferentes e gmpos humanos 
desfavorecidos. 

2.2 Somos chamados a uma solidariedade activa com 
as populagoes entre as quais vivemos, particularmente 
OS mais pobres, os mais fracos, os excluidos da 
sociedade. 

Espirìtualidade 

Espirito precede-nos no caminlio da missào; sinais da 
sua presenga acompaniiam o nosso trabalho. A missào 
é portento peregrinagào, aventura, contemplagào, 
descoberta da obra do Espirito. Eia é essencialmente 
testemuniio pela qualidade da nossa vida. Somos 
chamados à conversào, à transformagào por um 
caminho de despojamento pessoal. 

2.3 A compreensào actuai da missào impulsiona-nos 
a uma revisào de vida pessoal e comunitària no que 
se refere à qualidade da nossa relagào com Deus, ao 
nosso estilo de vida e ao nosso olhar sobre o mundo. 

2.4 Temos de ter a preocupagào de ter os nossos 
confrades idosos informados sobre a vida da 
Congregagào para alimentar a sua oragào missionària. 



100 



Passagem de fronteiras e abertura a novos horìzontes 

Antes de mais a missào nào é urna transposigào 
geogràfica mas urna passagem de fronteiras culturais e 
um movimento ao encontro dos grupos desfavorecidos, 
excluidos, oprimidos. Como estas fronteiras e situagòes 
mudam, as frentes da missào deslocam-se. É preciso 
encontrar um equilibrio entro a consolidagào das 
actividades jà empreendidas e a abertura a novos 
horizontes. 

2.5 As orientagòes da RVE 4 serào os critérios a 
partir dos quais avaliaremos os compromissos jà 
tomados e discemiremos as escolhas de novos 
campos missionàrios, tendo em conta as nossas 
possibilidades. 

2.6 Para preparar os membros da Congregagào 
para urna missào transcultural e os formar para uma 
maior abertura, os capitulantes encorajam o 
movimento para comunidades intemacionais e 
insistem sobre a importància de permutas, sobretudo 
em pessoal, entre as circunscrigòes espiritanas. 

Colaboragào 

A colaboragào a todos os nfveis é uma necessidade 
para a missào hoje: colaboragào com as Igrejas locais, 
as outras Congregagòes, as outras Igrejas cristàs, os 
seguidores de outras religiòes, as ONG, as instàncias 
sociais e administrativas nacionais... 

2.7 Cada circunscrigào é chamada a examinar a sua 
solidahedade e a alargar as fronteiras da sua 
colaboragào (cf. capitulo 5). 



101 



Diàlogo e proclamagào 

diàlogo respeitoso é um elemento constitutivo da 
missào actual. Eie nào se opòe à proclamagào da Boa 
Nova; dà-lhe a sua dimensào de respeito e de estima 
pelos outros. 

2.8 Os capitulantes insistem sobre a abertura aos 
crentes de outras religiòes e sobre o diàlogo res- 
peitoso, corno atitudes indispensàveis para urna 
missào autèntica. 

2.9 A indiferenga religiosa e a descrenga sào novos 
desafios que pòem problemas ao fundamento e à 
caminhada da nossa acgào missionària. 

Apelo no interior das Igrejas locais 

A nossa missào especifica no coragào das Igrejas locais 
é despertà-las para o sentido da missào universal, da 
justiga e da fraternidade entre os povos. 

2.10 É tarefa das circunscrigoes: 

• Comprometer-se no despertar da consciéncia 
missionària das comunidades cristàs; 

• Procurar apoiar as vocagóes à vida espiritana; 

• Promover uma animagào missionària em que o 
voluntariado missionàrio temporàrio e o com- 
promisso dos leigos associados sejam apresen- 
tados corno formas especificas do servigo da 
missào. 

Os campos especìficos da nossa missào 

Desde comego, a nossa missào foi sempre a favor dos 
pobres; ao longo da história apareceram aspectos 
especìficos. Hoje reafirmamos o nosso compromisso de 
levar a Boa Nova aos pobres, pondo em evidéncia trés 
dimensòes que muitas vezes se compenetram: 



102 



Prìmeira evangelizagào 

A primeira evangelizagào està no centro do nosso 
carisma espiritano para o sen/igo do Reino. Muitos con- 
frades estào nela comprometidos e chegam-nos novos 
apelos. 

2.11 Os membros do capitulo sublinham com 
insisténcia que a primeira evangelizagào exige urna 
longa aprendizagem em vista dum conhecimento 
aprofundado da história, da lingua, dos costumes dum 
povo ou grupo humano ao qual somos enviados. 

2.12 Este tipo de compromisso implica também, da 
parte do pessoal missionàrio, uma presenga 
demorada. Para as phmeiras nomeagòes e 
movimentos de pessoal, os vàrios responsàveis devem 
ter em conta està exigència. 

Educagào 

A educagào formai e informai nào é algo de marginai 
mas fai parte integrante da nossa missào 
evangelizadora. (cf Ecclesia in Africa n° 93, 112, 115...). 
Està convicgào assenta num duplo fu nda mento: por um 
lado, este ministério social junto do pobres liberta-os e 
confere-lhes a dignidade de filhos de Deus; por outro, o 
contacto privilegiado que a educagào permite ter com 
mundo dos jovens, pode ser uma maneira de comunicar 
Evangeiho, particularmente pelo testemunho de vida 
do educador. 

2.13 Devemos ter a preocupagào de sensibilizar os 
jovens para os problemas da pobreza e para as 
estruturas de injustiga na sua sociedade e no mundo. 

2.14 Onde for possivei, comprometeremos mais os 
leigos na administragào das nossas obras educativas, 
mantendo sempre uma presenga espiritana comò 



103 



testemunho e fonte de inspiragào. Colaborando com 
OS leigos procuraremos transmitir-lhes o espirilo da 
nossa tradigào espiritana. 

2.15 A formaQào dos educadores deve ser urna 
prioridade. 

2.16 Procuraremos que alguns confrades se 
especializem em educagào e especialmente para o 
servigo dos pobres. Està orientagào supoe um estudo 
prèvio das necessidades e sera feita conforme os 
nossos recursos. 

Justiga e Paz 

O Capitalo verificou que a conscientizagào sobre a 
Justiga e Paz progrediu muito na Congregagào. l\/las iià 
ainda muito a fazer para precisar as modalidades de 
acgào. Nào se irata semente de denunciar, é preciso 
agir com sabedoria e promover também o aspecto 
positivo. 

2.17 Cada circunscrigào estabelecerà um programa 
Justiga e Paz. 

2.18 Participaremos nas diferentes redes de infor- 
magào e procuraremos meios para infiuenciar as 
decisòes politicas nacionais e internacionais 
(refugiados, comércio de armas, problema da divida, 
ecologia...). 

2.19 Cada espiritano deve procurar os lugares de 
acgào ao seu alcance (homilia, catequese, formagào 
de leigos, grupos Justiga e Paz ..) para ser a voz dos 
sem voz (pessoas sem domicilio fixo, sem terra, sem 
emprego, vitimas dos conflitos étnicos, da 
corrupgào...). 



104 



2.20 Nos próximos seis anos, o cuidado dos 
refugiados sera tido corno um aspecto muito 
importante da missào espiritana. 

2.21 Os confrades que trabalham nos paises do 
Morte sào convidados a apoiar activamente a causa 
dos refugiados e dos emigrantes que ai procuram 
fixar-se. 

2.22 Nos próximos seis anos, prestaremos especial 
atengào ao papel da mulher na Igreja e na sociedade. 

2.23 Daremos uma aten?ào particular a tudo o que 
sirva para promover a reconciiiagào e a resoluQào dos 
conflitos. 

2.24 Empregaremos meios para a formagào dos 
agentes Justiga e Paz. 

A formagào para a missào contemporànea 

novo estilo de missào, com os seus trés campos 
especìficos, trai consequéncias para a formagào inicial 
que deve preparar os Jovens para enfrentar os desafios. 
Verificamos que alguns dos nossos confrades perderam 
a paixào pela missào; dai a necessidade de pormos em 
relevo, na formagào inicial e permanente, as nossas 
motivagòes. 

2.25 Os programas de formagào devem tomar mais a 
forma duma aprendizagem com oportunidades para 
OS estudantes experimentarem concretamente as 
caracteristicas da vida missionària hoje (cf. 3.4). 

2.26 Ter-se-à em atengào informar os estudantes 
sobre a vida da Congregagào e as suas phoridades 
(cf. Circular sobre os pedidos e phoridades, enviada 
cada ano pelo Conseiho Cerai). 



105 



2.27 Durante o percurso da formagào os estudantes 
serào ajudados a clarificarem as suas próprias 
motivagòes; far-se-à um esforgo para identificar e 
promover as suas qualidades pessoais em vista da 
missào. 

2.28 Desde o inicio do segundo ciclo, haverà um 
diàlogo entre os diversos intervenientes (estudantes, 
formadores, Conseiho Geral) tendo em vista orientar 
um candidato para uma situagào missionària 
prioritària. 

2.29 Os superiores, em certos casos, darào a pos- 
sibilidade de um estudante fazer os ùltimos anos de 
estudo ("teologia") na regiào para onde eventualmente 
possa ser nomeado. 

2.30 Os responsàveis da formagào prestarào uma 
atengào especial aos seguintes dominios: 

• Formagào para a Justiga e Paz; 

• Médias, comunicagào; 

• Linguistica. 

(cf. Directório da Formagào Espiritana n° 31; 146) 

2.31 A formagào dos formadores é prioritària: nos 
próximos seis anos eia sera uma das maiores 
preocupaQóes dos responsàveis a todos os nfveis. 

2.32 A Universidade de Duquesne sera um dos 
lugares de pesquisa e de especializagào para a 
formagào superior dos espiritanos, segundo as 
necessidades da Congregagào. 

Recursos e coordenagào 

Na Congregagao, desenha-se claramente uma evolugào 
no sentido de grupos mais pequenos e cada vez mais 
internacionais. Ao mesmo tempo tomamos consciéncia 
da fragilidade de alguns dos nossos compromissos 



106 



prìoritàrios, porque faltam recursos em pessoal e em 
finangas. Dai a necessidade de urna solidahedade que 
nSo origine urna nova dependéncia, mas deixe aos 
grupos autonomia e dignidade. 

2.33 Sera consolidada a colaboragào existente entre 
certas Provincias e Grupos internacionais; e onde nào 
existe ainda, sera organizada sob a responsabilidade 
do Conseiho Geral. 

2.34 Em todas as situagóes a que dizem respeito, as 
directivas do n° 65 do Directório da Organizagào^ 
serào aplicadas, sobretudo a que se refere à respon- 
sabilidade do Conseiho Geral e à suas possibiiidades 
de intervengào. 

2.35 A nivei do Conseiho Geral sera estabelecida 
urna coordenagào para gerir, segundo os recursos 
disponlveis, as necessidades em pessoal e finangas 
nas circunscrigóes. 

2.36 Quando uma Provincia nào està jà em con- 
digòes de fomecer pessoal para um Grupo que 
depende dela e cujos compromissos sào phoritàrios. 



Directório da Organizagào, n.° 65: 

Nos Grupos internacionais, sobretudo sendo de dimensào 
restrita, a estabilidade em pessoal é dificil. A regra geral é que o 
regresso de um contrade para a sua circunscrigào de origem nào 
pode depender dum simples "chamamento" do Superior desta: 
precisa duma decisào expressa do Superior da circunscrigào à 
guaio contrade estava afectado (RVE 156; 159). 

Além disso, para esses Grupos, é necessaria uma concertagào 
entre as circunscrigóes de origem dos membros do Grupo, 
sobretudo se elas sào muitas. 

O Conseiho Geral tem também a este respeito uma 
responsabilidade pròpria. Um dos melos de a exercer é fazer uso 
efectivo da possibilidade de inten/engào que Ihe reconhece o n.° 
159 da Regra de Vida. 



107 



Conseiho Geral assumirà a responsabilidade de 
fomecer pessoal a este Grupo. 

2.37 O Conseiho Geral determinare a melhor maneira 
de assegurar, a seu nivei, a coordenagào para a 
formagào, a educagào e Justiga e Paz. 

2.38 Eie estudarà a possibilidade de estabelecer em 
Àfrica um Centro Espiritano para coordenar o nosso 
apostolado junto dos refugiados neste continente. 



108 



3. AS NOSSAS FONTES DE INSPIRAQÀO 

À luz do relato das experièncias e da partilha sub- 
sequente, o Capitulo salientou a necessidade que temos 
de mais urna vez recxirrermos à nossas fontes de 
inspiragao, se queremos revitalizar o nosso compromisso 
missionàrio-religioso no mundo contemporàneo. As 
fontes sào muitas e podem ser diferentes de pessoa para 
pessoa, mas para todos a fonte primària sera sempre o 
pròprio Esplrito Santo, o "Protagonista da Missào" 
(Redemptoris Missio). O Espirito infunde em nós o desejo 
de servir os pobres e oprimidos e modela os nossos 
coragóes para responder a este desejo. Eie està por 
detràs de todas as fontes de encorajamento e inspiragào 
que tèm ohentado e apoiado os membros da nossa 
familia missionària no decorrer dos séculos - sagrada 
escritura, oragào pessoal e comunitària, vida de 
comunhào com os nossos confrades e com aqueles aos 
quais somos enviados, o exemplo e os escritos dos 
espiritanos que nos precederam. Discemir a acgào e 
inspiragào do Espirito Santo caracteriza a autèntica 
espiritualidade que nos foi transmitida pelos nossos 
fundadores e predecessores e que é parte essencial do 
"ser espiritano". 



ORIENTAgÓES E DECISÓES 

O Espirito Santo e a missào 

3.1 O verdadeiro nome de "Espiritano" significa que 
somos pessoas consagradas a seguir os caminhos do 
Espirito; a nossa espiritualidade deve estar por isso 
baseada no discernimento, disponibilidade e uniào 
pràtica com Deus. Maria é um modelo a seguir na sua 
docilidade à acgào do Espirito que eia manifestou 



109 



cumprindo a sua propria e ùnica missào. Com o seu 
exemplo, podemos redescobrir a dimensào contem- 
plativa de teda a missào, a garantia de que seremos 
instrumentos do Espirito de Deus, em vez de confiar 
nas nossas forgas tais comò as imaginamos. 

A nossa intimidade com Cristo deve ser cada vez 
mais intensa; eie foi enviado pelo Pai para levar a Boa 
Nova aos pobres e por sua vez enviou-nos o seu 
Espirito para podermos completar a sua missào. Para 
atingir està finalidade, devemos redescobrir a 
Sagrada Escritura comò uma fonte de espiritualidade 
pessoal e da nossa missào, por meio duma leitura 
piedosa e um continuo esforgo de ligar a Palavra de 
Deus à experiéncia humana e aos acontecimentos de 
cada dia. 

3.2 Aqueles que na Congregagào desempenham 
fungòes de lideres, tém uma missào especial de 
ajudar os seus confrades para desempenharem a sua 
missào com estes sólidos fundamentos. Devem 
encorajà-los a ter um ritmo de vida regular e 
equilibrado, onde o Espirito se possa fazer ouvir. Os 
retiros podem ser organizados baseados nas nossas 
fontes de inspiragào. Os responsàveis procurarào 
consciencializar os confrades sobre a necessidade de 
um auto-conhecimento e de os incentivar para a 
formagào permanente, que a RVE tanto inculca. (RVE 
142, 145.3 e DF 125). Um "confidente" ou 
companheiro espiritual é muito ùtil para examinar 
objectivamente a nossa vida espiritual e por as coisas 
em perspectiva. 

A missào corno fonte de inspiragào 

Vàrias vezes, aqueles que apresentaram experiéncias 
designaram as pessoas no meio das quais viviam e 
trabalhavam, corno fonte fundamental da sua inspiragào. 



110 



/A presenga e acgào do Espirito pode ser discernida na 
Vida destas pessoas, especialmente nos pobres e 
oprimidos. Eles inspiram-nos com a sua hospitalidade, 
simplicidade, generosidade e profunda fé. Quanto mais 
nos identificamos com eles e com o seu sofrìmento, mais 
compreendemos o Evangeltio que pregamos (RVE 
24. 1).lsso exige de nós reavaliar o nesso estilo de vida e 
trabalhar com eles centra as estruturas opressivas. 
Meste servigo e fraternidade sentimo-nos mais próximos 
de Jesus e da sua Boa Nova do Reino. Encontramo-nos 
fazendo parte duma nova e mais vasta familia, 
recedendo energias inesperadas nos momentos difìceis, 
da parte daqueles com quem vivemos e trabalhamos. 

3.3 Para urna nova nomeagào, mas especiaimente 
para as primeiras nomeagóes, dificilmente podemos 
exagerar a importància da imersào na história, na 
lingua e cultura de um povo ao qual somos enviados. 
Por isso, as primeiras nomeagóes serào feitas 
normalmente para um longo periodo. A acQào do 
Espirito é mais facilmente discernida num contexto 
bem conhecido e compreendido. (C.2.11 & 2.12). 

Aqueles que tém posigóes de comando, tém urna 
responsabilidade particular neste campo da incul- 
turagào e na assistència aos confrades para ler bem 
OS sinais dos tempos, reconhecendo o movimento do 
Esplrito no mundo. 

3.4 Està proximidade sera mais facilmente alcangada 
se a formagào é modelada por um tipo de apren- 
dizagem, onde os estudantes permanegam muito 
próximos da realidade vivida pelas pessoas, 
sobretudo dos pobres. Quanto mais os Espiritanos 
apreenderem outras culturas e religióes, através da 
experiéncia, mais bem preparados estarào para 
perceber a acgào do Esplrito (Cf.2.25). 



111 



3.5 E preciso encontrar meios para transmitir as 
experièncias missionàrias significativas vividas pelos 
confrades que ofereceram a sua vida para o servigo da 
missào. Muito frequentemente, nào conhecemos bem 
estas experièncias que poderiam ser encorajantes e 
instrutivas para outros que se encontram em situagòes 
semelhantes. 

A inspiragào da nossa tradigào espìritana 

conhecimento e amor pelas nossas raizes e tradigòes 
espiritanas, a visào dos nossos fundadores e a vivéncia 
desta visào pelos nossos predecessores, foi sempre 
urna fonte importante da nossa inspiragào. Durante o 
Capitalo, a Regra de Vida, os escritos dos nossos 
fundadores e todos os documentos da Congregagào 
foram mencionados para figurar de modo particular 
neste contexto. Do mesmo modo, um bom conhecimento 
dos documentos da Igreja, universa! e locai, ajudaram- 
nos a ver a nossa familia missionària no seu contexto 
eclesial. 

3.6 O Capitulo pediu que as Informagòes Espiritanas 
e Vida Espiritana aparecessem mais regularmente. 
Està ùltima poderia utilizar artigos aparecidos nos 
boletins cu revistas das circunscrigòes. Seria preciso 
pensar em fazer reviver o Boletim Geral, talvez 
incluindo nele todas as publicagoes do Conseiho 
Geral cu pelo menos algumas. 

Os escritos espirituais de Poullart des Places e de 
Libermann devem ser apresentados de uma forma 
acessivei às pessoas e com uma linguagem do nesso 
tempo. Porque nào pensar num site na Internet? 

3.7 A pesquisa sobre as nossas fontes espiritanas e a 
história da Congregagào, deve ser encorajada a todos 
OS niveis, incluindo cada circunscrigào. Mas é impor- 



112 



tante que o estilo e o conteùdo sejam motivantes, de 
modo que isso possa ser bem aceite por todos os 
membros, tanto agora corno no futuro. Como 
preparagào para os próximos centenàrios, cada 
circunscrigào estabelecerà um programa de reflexào e 
renovamento baseado nas nossas fontes e no apelo à 
missào que nos é dirigido hoje (Cf. 8.6). 

A nossa vida em comum corno fonte de inspiragào 

O Capitulo reconheceu que para cumprir a nossa 
missào, nós próprios precisamos daquilo que 
procuramos nos outros - a amizade, o respeito, a ajuda 
mùtua, a capacidade de desafiar e ser desafiado quando 
necessario, o encorajamento, o amor e a alegria. 
Deveriamos poder encontrar tudo isto nas nossas 
comunidades, porque foi assim que Libermann viu a vida 
de comunidade: nào comò um firn em si mesmo, mas 
comò uma fonte de forga e encorajamento para 
continuar o envio de Cristo a toda a familia humana. 
Recebemos a nossa inspiragào uns dos outros, 
sobretudo da fé corajosa dos confrades que vivem e 
trabalham em situagóes dificeis, por vezes no meio de 
conflitos e de guerra, com risco mesmo da pròpria vida; 
mas outro tanto da fidelidade pouco espectacular 
doutros confrades, com quem partilhamos o quotidiano, 
vivendo simplesmente o seu compromisso religioso e 
missionàrio, dia após dia. testemunho pacifico dos 
nossos confrades idosos, vivido muitas vezes no 
sofrimento e numa sensagào de isolamento, pode ser 
também uma grande fonte de inspiragào. 

3.8 Os confrades devem lembrar-se frequentemente que 
a Vida de comunidade, longe de ser um arranjo de 
conveniència, é uma fonte essencial de inspiragào para 
cumprimento da sua missào. Fortalecemo-nos a nós 
mesmos e uns aos outros. pela oragào pessoal e 



113 



comum, pela partilha da nossa fé, pela amizade e pelo 
apoio. Nos nossos dias as possibilidades de apoio 
mùtuo, sào mais vastas; com a chegada de Leigos 
Associados à Congregagào, os espiritanos professos e 
OS leigos podem edificar-se mutuamente, cada um 
levando o seu carisma pròprio. 

3.9 Ninguém se deveria sentir so ou menos apreciado 
numa comunidade espiritana. Com frequéncia, talentos 
sào inutilizados ou passam despercebidos. Os confrades 
interessar-se-ào pelo traballio de cada um, e os que 
trabalham juntos, fà-lo-ào em equipa e nào comò 
indivfduos. A comunidade é o lugar em que reflectimos e 
discernimos juntos a nossa missào, avaliando o que 
temos feito e elaborando projectos para o futuro. Além 
de tudo isto, é um lugar de encorajamento mùtuo, 
sobretudo para os confrades que passam por momentos 
dificeis; eles tém direito a esperar afecto e apoio efectivo 
dos seus irmàos. 

3.10 As comunidades nào sào simplesmente estruturas 
para o trabaiho; elas sào a casa duma familia espiritana. 
Como em toda a famflia, mostraremos verdadeiro 
interesse pelos familiares e amigos dos outros, pela 
celebragào dos aniversàrios, pelas festas patronais e 
outras ocasioes particulares. Em certos paises, a 
relagào entro a comunidade e a familia alargada dos 
seus membros pode revestir uma importància particular. 

3.11 As amizades podem ser poderosas fontes de apoio 
e inspiragào. A RVE diz: "as nossas amizades, quando 
verdadeiras, sào Sinai do amor de Cristo no melo dos 
seus discìpulos: contri buem para a desenvolvimento da 
personalidade e alentam a nossa vida apostòlica" (59.2). 
Uma boa comunidade favorecerà a vida afectiva dos 
confrades, que encontra uma das suas expressoes num 
alegre e positivo compromisso na castidade. 



114 



3.12 Os confrades na reforma e os doentes precisam 
dum apoio particular por parte da comunidade, que os 
ajudarà a ver nesta fase da sua vida o prosseguimento 
da sua missào. Onde isso é possivel, eles serào 
encorajados a desempenhar tarefas adaptadas à sua 
situagào, por exemplo um ministério junto de pessoas 
idosas, a pesquisa e a tradugào das fontes espiritanas, 
etc. Por vezes é um apoio muito importante para eles, se 
puderem continuar comò reformados na casa onde 
trabalharam, contribuindo assim para dar aos confrades 
mais jovens o sentido da continuidade e da identidade. 

3.13 Dentro das circunscrigóes e também entre 
circunschgóes vizinhas, serào organizados encontros 
que sejam motivo de inspiragào. 

3.14 Os confrades serào ajudados a tirar a inspiragào 
de certos documentos da Igreja, universa! ou locai. 

3.15 Finalmente, num sentido muito real, os nossos 
predecessores fazem sempre parte das nossas 
comunidades e nós podemos continuar a beneficiar da 
sua ora^ao e do seu exemplo. Um necrològio 
actualizado ajudar-nos-à a lembrarmo-nos deles e a 
desenvolver o sentido da comunhào com aqueles que 
partiram antes de nós. 



115 



4. ANOSSA VIDAEM COMUM 

Comunidade espirìtana 

As diferentes expehéncias apresentadas no Capltulo 
mostraram corno a vida de comunidade é um apoio para 
OS confrades. Vàrios faiaram dos beneficios que 
pessoalmente receberam da vida em comum, tais corno 
a amizade, o apoio mùtuo e a aceita^ào das nossas 
diferen^as. A comunidade ajuda-nos a viver o nosso 
testemunho de castidade. 

Foi repetido que a vida comum é a norma da vocagào 
espirìtana. A RVE (§ 27) retoma palavra por paiavra a 
directiva de Libermann na Regra de Vida de 1849, que 
"a Congregagào tomou comò sua regra fundamental a 
Vida comum. Todos os seus membros viverào sempre 
em comunidade". Na nossa Regra comprometemo-nos a 
viver em comunidade, seja locai seja regional, com o fim 
de nos ajudarmos mutuamente a viver os conselhos 
evangélicos e a responder ao nosso apelo para a missào 
(RVE 27-28). 

Alguns confrades, por diversas razòes, vivem fora de 
comunidade; deste modo, eles sào, infelizmente, 
prìvados do apoio e do enriquecimento que nos vém da 
Vida fraterna. Os capitulantes pediram que a 
Congregagào assegure uma vida de comunidade real 
para cada espiritano. 



ORIENTAQÓES E DECISÒES 

4.1 Todos OS confrades responderào de um modo 
sincero e autèntico ao apelo para viver em comunidade. 



116 



4.2 Tanto quanto possivei urna comunidade espiritana 
nào terà menos de très confrades, corno é indicado na 
RVE 153.1. 

4.3 Assegurar-se-à aos confrades em primeira 
nomeagào urna vida de comunidade, bem corno os 
conselhos e o acompanhamento fraterno de que terào 
necessidade. 

4.4 As circunscrigóes esforgar-se-ào por adaptar as 
comunidades regionais ao modelo descrito na RVE 
32,32.1, 153.2,247.1.1. 

4.5 De futuro, a Congregagào nào aceitarà um 
ministério que exija aos confrades viverem fora de 
comunidade de uma maneira habitual. 

Preparagao para a vida de comunidade 

Acentuando sempre as vantagens que nos podem advir 
da Vida de comunidade, foi reconhecido abertamente no 
Capitalo que eia pode ser dificil. O facto de vivermos 
debaixo do mesmo tecto, nào é garantia suficiente para 
que haja uma autèntica vida comum; està supòe uma 
qualidade de presenga, de comunicagào e de partilha. 
Alguns julgam que a vida em comunidade internacional 
ou inter-cuìtural é particularmente exigente; foi por isso 
que Capitulo sublinhou a necessidade de uma 
preparagao para a vida em comum, comò um meio 
importante de responder a estas exigéncias. 

4.6 Durante o tempo da formagào, os candidatos 
deverào mostrar aptidòes para a vida em comum e 
uma vontade firme de atingirem o ideal, conservando 
a ideia que caminhamos cada vez mais para 
comunidades restritas e internacionais. 

4.7 Tanto quanto possivei, o periodo do estàgio 
pastoral e os estudos do segundo ciclo serào feitos 



117 



em ambiente inter-cultural e intemacional, corno 
preparagào para os diferentes estilos de comunidades 
em que cada um pode ser chamado a viver. 

4.8 Durante os próximos seis anos, as circunscrigoes 
farào um esforgo particular para o renovamento, a 
revitalizagào e a autenticidade da vida de comunidade. 

Construir a comunidade: um desafio constante 

A construgào da comunidade nào podere nunca ser 
responsabilidade de urna so pessoa. O Capitulo lembrou 
papel fundamental de cada contrade neste campo 
delicado. É um traballio continuo. Qualquer estrutura 
ficarà vazia e sem vida, se cada contrade nào estiver 
pronto a dedicar-se inteiramente ao espirito e ao ideai 
que as animam. isso exige uma conversào quotidiana. 

4.9 As equipas provinciais e os Superiores locais 
terào em conta que a construgào das comunidades é 
uma parte essencial do seu servigo. 

4.10 Cada comunidade terà reunioes regulares, com 
os seguintes objectivos: 

• organizar a vida em comum; 

• promover a confianga mùtua e a partilha da fé; 

• prever e avaliar o nesso apostolado comum; 

• partilhar as responsabilidades e gerir os nossos 
recursos; 

• escutar-nos uns aos outros com respeito. 

Procuraremos viver todos os aspectos da vida comum 
num espirito de partilha e de solidariedade. 

4.11 Um elemento essencial para uma autèntica vida 
religiosa, mas que muitas vezes é desprezado ou 
ignorado, é todo o dominio de relagóes exteriores à 
comunidade, sobretudo no que se refere ao nesso 
compromisso de uma vida de castidade evangèlica. A 



118 



atmosfera de urna comunidade deveria ser tal que os 
problemas que se póem neste campo delicado, 
pudessem ser partilhados de uma maneira aberta e 
confìante entre os confrades. 

4.12 Os que sào chamados a um servilo de 
responsabilidade na Congregagào, serào ajudados a 
desenvolver uma maneira de ser pastoral para a 
assistència aos confrades em dificuldade. 

4.13 Os elementos seguintes sào caracteristicas 
duma Vida de comunidade espiritana: um ritmo 
regular de oragào e de refeigoes em comum, as 
trocas de impressoes e reflexào sobre a nossa vida 
religiosa e apostòlica, o descanso e os recreios em 
comum, uma disponibilidade para a correcgào 
fraterna e para a reconciliagào se for necessaria. 

4.14 Cada membro da comunidade sera tratado com 
o mesmo respeito, e ser-lhe-à proporcionado o 
espago necessario para o seu crescimento pessoal. 

4.15 Todo traballio empreendido por um espiritano 
sera visto comò fazendo parte do projecto comum; 
isso supòe pertanto o acordo prèvio da comunidade. 

testemunho da vida comum 

Confuto, discriminagào racial e o culto do individualismo, 
existem multo no nosso mundo de hoje. Vivendo em 
comum, nós que vlmos de lugares e de culturas 
diferentes, dizemos aos nossos irmàos e Irmàs que a 
unidade da raga humana nào é um sonho impossìvel. 
Neste sentido, a nossa vida comum é parte integrante da 
nossa missào e um poderoso testemunho na mensagem 
do Evangelho. No mesmo espirito, nós integramos o 
traballio apostòlico das nossas comunidades na vida e 
nos projectos pastorais da comunidade cristà locai. 



119 



testemunho dos nossos confrades idosos e doentes é 
um outro meio de proclamar os valores do Reino. A sua 
oragào e o seu sacrifìcio sào a continuagào do traballio 
missionàrio que eles realizaram quando eram jovens e 
estavam em melhor forma. Capìtulo pede à 
Congregagào para continuar a manifestar-lhes um amor 
particulare a procurar concretamente o seu bem-estar. 

4.16 Nós preparamo-nos para viver em comunidades 
internacionais e inter-culturais corno um testemunho 
ao Evangelho. Mas antes de nomear um contrade 
para determinada comunidade, deverà haver a 
preocupagào de saber se eie é apto para este estilo 
de Vida, e assegurar-se-lhe-à uma preparagào 
adequada. Durante os próximos seis anos, este ponto 
sera objecto duma atengào particular. 

4.17 Cada comunidade espiritana velare para integrar 
o seu apostolado no traballio pastoral da Igreja locai, 
em vez de agir comò uma entidade separada. 

4.18 Os Superiores de circunscrigào convidarào e 
ajudarào os confrades mais idosos a preparem-se 
para se retirarem. Farào o melhor que puderem para 
que as comunidades de idosos sejam lugares de fé 
profunda, de esperanga e de alegria. 

Vìver afastados da Congregagào 

As experiéncias apresentadas no Capftulo apresentaram- 
nos a triste reaiidade de confrades que vivem afastados 
da Congregagào. Nós desejamos estender uma mào 
amiga a todos estes irmàos e convidà-los a restabelecer 
OS lagos vitais que os unem à sua circunscrigào e a toda a 
Congregagào. 

4.19 O Conseiho Cerai e os responsàveis de circun- 
scrigoes procurarào caminhos de contacto e de diàlogo 



120 



com OS confrades que vivem actualmente afastados da 
Congregagao. 

4.20 Ajudar-se-ào os confrades que persistem em 
viver assim à margem, a precisar qual sera no futuro 
a sua relagào com a Congregagào. 

Leigos associados 

Damos gragas a Deus pelo modo corno a vida espiritana, 
a sua missào, a sua espirìtualidade e comunidade, 
exercem actualmente um atractivo sobre os leigos, que 
vém nisso uma maneira de responder à sua pròpria 
vocagào. As experiéncias pessoais apresentadas no 
Capitulo pelos leigos associados que para eie foram 
convidados, exprìmiam este atractivo de maneira 
comunicativa. Nós acolhemos com alegria està forma de 
associagào comò um dom do Espirito de Deus e 
incentivamos a Congregagào a desenvolvé-la em todo o 
mundo espiritano. 

4.21 Encorajamos e continuamos a procurar diferen- 
tes modos de estar em ligagào com a nossa familia 
espiritana (colaboradores, fraternidades espiritanas, 
associados com compromisso formai, etc), e as 
nossas comunidades acolherào e colaborarào com os 
nossos irmàos e irmàs leigos. 

4.22 Em coordenaQào com o Conseiho Geral, os 
leigos espiritanos serào encorajados a elaborar as 
suas próprias estruturas, segundo as necessidades 
particulares de cada grupo. 

4.23 Em cada circunscrigào onde haja Leigos 
associados, sera nomeado um contrade professo 
para os acompanhar. 



121 



Ajuda mùtua e apoio 

Urna maneira encorajante na nossa maneira de cumprir 
a nossa missào, foi o desenvolvimento e colaboragào a 
nivei regional. Està ajuda mùtua toma formas variadas - 
colaboragào entra os Superiores Maiores, formadores, 
coordenadores J&P, arquivistas, ecónomos, redactores 
de revistas, elementos comuns de formagào inicial e 
permanente, etc. 

A nossa solidariedade a nivei da Congregagào nào deve 
ser vista simplesmente em termos de ajuda Norte-Sul; a 
ajuda deve vir de toda a parte e ir para todos os pontos 
das nossas implantagòes espiritanas. Numa mesma 
regiào, as circunscrigòes podem ajudar-se de muitas 
maneiras. O ideal é fàcii de formular e sem equivoco: os 
qua tém (em pessoal, competéncias ou finangas) 
partilham com os que nào tém. 

Capìtulo sentiu que ha via uma maneira inaceitével do 
nivei de vida entre diferentes grupos de espiritanos. 
Algumas comunidades e circunscrigòes tém mais do que 
é preciso para as suas necessidades, enquanto que 
outras tém apenas o necessario para viver. Apesar de 
muitos exemplos de grande generosidade e de partiiha, 
ha no entanto necessidade duma solidariedade e dum 
apoio mais vastos. 

4.24 Capìtulo pede que revejamos o nosso modo 
de Vida habitual à luz do espirito de pobreza e de 
simplicidade querido peios nossos fundadores. Os 
Superiores insistirào para que haja transparència de 
contas em matèria de finangas. 

4.25 Procuraremos fazer crescer a nossa 
solidariedade, nas regióes e entre regiòes. Està 
partiiha em pessoal e em finangas, que é a expressào 
elementar da nossa solidariedade espiritana, tem a 



122 



sua fonte na preocupagao e no respeito mùtuo entre 
innàos e irmàs que participam na mesma missào. 

4.26 Durante os próximos seis anos, o Capitulo 
deseja ver desenvolver-se a colaboragào entre as 
novas Provincias e as Fundagoes, bem corno entre as 
regióes da America latina e as da Àfrica. 



123 



5. MINISTERIO PARTILHADO 

carisma espiritano 

As experiéncias apresentadas no Capìtulo salientaram 
que a colaboragào é urna dimensào essencial da missào 
contemporànea. A missào hoje é de tal modo complexa 
que, sós, nào podemos realizà-la eficazmente. Trabalhar 
com outros fortalece-nos no nesso compromisso e 
aproveita às pessoas que connosco tém objectivos 
comuns. 

No passado, os espiritanos encontraram-se em situagòes 
onde nào havia grande alternativa: individualmente ou 
em Congregagào, os confrades no seu campo de 
traballio, praticamente tinham de se desenvencilhar sós, 
a partir dos seus próprios recursos. Hoje, isto é raro; é 
preciso portento mudar radicalmente a nossa maneira de 
ver e de nos organizarmos. 

Ficando discretamente inteiramente fiéis ao nesso 
carisma e à nossa identidade, seremos solicitos em 
colaborar tanto quanto possivei com outras pessoas e 
grupos, quer sejam de leigos, das Igrejas locais, ou dos 
nào católicos, ou doutros grupos religiosos, das ONG ou 
doutros organismos de desenvolvimento, ou de qualquer 
outro agnjpamento que tenha objectivos deste tipo. 



ORIENTAgÓES E DECISÓES 

Colaboragào com as Igrejas locais 

É a Igreja locai que tem primariamente a responsabilidade 
da missào. Os Espiritanos tornam-se membros da Igreja 
locai nos lugares para onde sào enviados e Ihes levam a 
sua visào do mundo e o seu carisma próprios, comò um 



124 



dom feito a està Igreja. Eles participam nas suas 
actividades na linha da sua vocagào especifica (RVE 13). 

5.1 Nós queremos ajudar a Igreja locai a realizar a 
sua vocagào missionària, particularmente trabalhando 
para incrementar a consciència missionària. (RVE 18- 
19). (cf. também Maynooth 2.10). 

5.2 Quando isso nos for pedido e depois de ter 
estabelecido um acordo com o Ordinàrio do lugar, 
acolheremos seminaristas diocesanos que vèm 
trabalhar nas paróquias confiadas à Congregagào e 
estaremos prontos a acompanhà-los na sua formagào 
pastoral. Nas mesmas condigòes e por razòes 
pastorais, acolheremos de bom grado sacerdotes 
diocesanos nas nossas comunidades. 

5.3 Nos lugares onde ainda nào foi feito, 
procuraremos estabelecer um centrato assinado com 
Ordinàrio do lugar, comò pede a RVE 19 e 235. 

5.4 Se necessario, e após discernimento entro nós e 
com Bispo, nào hesitaremos em ser uma voz 
profética na Igreja locai. 

Colaboragào com os leigos 

Tem havido sempre alguma colaboragào com os leigos 
na missào espiritana, mas o Vaticano II, com a sua visào 
da Igreja corno povo de Deus, iniciou um movimento que 
atribui aos leigos a sua fungào pròpria e insubstituivel na 
Vida e na missào da Igreja - a sua participagào nas 
responsabilidade e iniciativas, o seu ministério especial 
na Igreja-familia eclesial, a sua responsabilidade 
missionària na sociedade em geral. 

Com a chegada dos leigos à nossa familia espiritana, 
nào é despropositado que eles tomem parte nas nossas 
assembleias importantes para a reflexào e tomada de 



125 



decisòes; o Capitalo de Maynooth foi abengoado com a 
presenga de trés leigos associados, duas senhoras e um 
homem, vindos de trés continentes diferentes. A sua 
presenga e a sua participagào influenciaram a nossa 
reflexào e as nossas tomadas de decisòes e ajudaram- 
nos a tornar corìsciéncia de que a nossa pròpria vocagào 
espiritana na Igreja tem corno dimensào essencial a 
colaboragào. 

5.5 Em qualquer lugar onde os Espiritanos trabalhem, 
respeitarào e encorajarào o ministério dos leigos na 
Igreja locai e universal e na sua missào particular 
relativamente à sociedade em geral na qual vivemos. 

5.6 Daremos urna atengào e um acolhimento 
especiais àqueles que se sentem atraidos pela nossa 
espiritualidade e pelo nosso trabalho. Ajudà-los-emos 
a discernir a sua vocagào pròpria na Igreja. 

5.7 O facto de termos actualmente mulheres entro os 
membros da nossa famflia espiritana, torna-nos mais 
conscientes do dover de trabalhar pelo reconhe- 
cimento da dignidade e dos direitos da mulher, nos 
lugares onde estivermos, tanto na sociedade comò na 
Igreja. Ajudà-las-emos a discernir a sua vocagào 
particular na missào da Igreja (cf. 2.23). 

5.8 Nos seus pedidos de pessoal, as circunscrigòes 
indicarào que postos poderiam ser ocupados pelos 
leigos. 

Colaboragào com outras Igrejas e religides 

l-louve tempo na nossa història em que as outras 
religiòes e mesmo as outras Igrejas cristàs eram vistas 
comò um obstàculo à evangelizagào. Com urna con- 
cepgào diferente da missào e dos modelos de Igreja, 
consideramo-las corno irmàos e irmas, com os quais 
podemos hoje colaborar. 



126 



5.9 A Administragào Geral continuare a encorajar e a 
apoiar os espiritanos que trabalham em estreita 
colaboragao com outras Igrejas e religióes. 

Colaboragào com as ONG e outros organismos de 
desenvolvimento 

As Organizagóes Nào Govemamentais sào um 
fenòmeno que se vai desenvolvendo, e muitas delas 
inspiram-se em valores que nós também consideramos 
importantes. Mesmo se elas nào sào cristàs, as pessoas 
que delas fazem parte sào muitas vezes norteadas por 
um elevado ideal e disso dào provas no seu trabaiho de 
grande competéncia profissional. Os nossos objectivos 
comuns podem ser atingidos directa ou indirectamente, 
gragas à colaboragào e ao relacionamento que com elas 
mantivermos. 

5.10 Estamos prontos a colaborar com qualquer 
organizagào com a qual partilhamos objectivos 
comuns. Estaremos atentos a que a colaboragào com 
certas ONG nào seja mal interpretada. 

5.11 A Administragào Geral investigarà as vantagens 
e OS inconvenientes que adviham para a Con- 
gregagào, em ter diante da ONU um estatuto de 
ONG. 

Colaboragào com outros institutos 

5.12 Desenvolveremos a nossa colaboragào entre os 
institutos espiritanos e os outros institutos com os 
quais trabalhamos, sobretudo em matèria de formagào, 
de J&P e de animagào missionària. papel da 
Administragào Geral sera importante no alargamento 
deste tipo de cooperagao. 

5.13 Continuaremos a dedicar particular atengào à 
partilha de formadores, nào semente na Congregagào, 



127 



mas também com outras congregagóes e cxim as 
Igrejas locais. 

Formagào para a colaboragào 

5.14 A ocasiào de por em acgào diferentes modos de 
colaboragào e de desenvolver os jeitos necessàrios 
para isso, deveriam fazer parte dos nossos 
programas de formagào. A teologia da vocagào do 
laicado sera parte integrante da formagào inicial e 
permanente e dar-se-à a possibilidade de por està 
teologia em pràtica (DF 38). O mesmo vale para o 
conhecimento das ONG, a sua relagào com a nossa 
missào e a maneira de colaborar com elas. 

5.15 O clericalismo é um obstàculo a todo o 
ministério partilhado. Tanto na formagào inicial comò 
permanente, deveremos procurar erradicar està forma 
de dominagào (DF 38). 



128 



6. FINANQAS 

Imperativos financeiros e compromisso missionàrio 

Ouvindo OS nossos confrades falar dos seus com- 
promissos, tomamos mais consciéncia da importància do 
aspecto financeiro no nosso projecto comum: muitas 
vezes a situagào fìnanceira limita as acgòes, condiciona 
as iniciativas. Olhando ao conjunto da Congregagào, 
damo-nos conta que todas as medidas técnicas jà 
ponderadas, nào sào suficientes para resolver o maior 
problema financeiro: as nossas entradas regulares 
diminuem e sào cada vez mais insuficientes para prover 
às nossas necessidades. 

Por outro lado, a pobreza é uma fraqueza que nós 
escolhemos. Eia permite abandonarmo-nos totalmente 
ao Pai no seguimento de Cristo (RVE 63). Eia toma-se 
Sinai e caminho da proclamagào do Remo que està no 
centro do nosso compromisso; faz-nos optar por uma 
maneira de viver simples e sòbria. Este estilo de vida 
aproxima-nos dos pobres, dos desfavorecidos e dos 
desenraizados e torna-nos mais solidàrios. A pobreza 
pessoal e comunitària dà credibilidade ao nosso anùncio 
do Evangeiho (RVE 70; 71). 

apelo mais urgente que os capitulantes acolhem e 
querem levar com eles é o convite a uma vida mais 
sòbria e mais pobre, ao lado dos pobres que queremos 
servir (RVE 71). E lembramo-nos que a primeira 
manifestagào do espirito de pobreza é a submissào à lei 
comum do traballio (RVE 72.1). Sem uma submissào a 
um tal espìrito, nào encontraremos caminhos de futuro. 

Essencial também é a solidariedade financeira entre 
nós; é uma das expressòes privilegiadas da nossa 
preocupagào de mais justiga e fraternidade dentro da 
nossa familia missionària. Uma verdadeira solidariedade 



129 



implica a transparéncia na gestào dos recursos postos à 
nossa disposigào, mas que de facto pertencem à 
Congregagào e estào todos ao servigo da sua missào. 
Entre nós nào pode fi aver ricos e pobres: a nossa 
vocagào compromete-nos a uma partitila autèntica. 
(RVE65, 70.1, 72.5,230). 



ORIENTAQÒES E DECISÓES 

Responsabìiidade e rigor na pràtica da pobreza 

Em coerència com a nossa mensagem missionària, 
optamos por um estilo de vida sòbrio e conforme à 
pobreza evangèlica. 

6.1 A maneira mais simples de viver a pobreza é a 
luta a todos os niveis contra a ma gestào e o esban- 
jamento. 

6.2 Os bens que estào à nossa disposigào (carros, 
material de escritório...) sào tidos comò bens 
comunitàrios. 

6.3 Como pessoas e comò comunidades ou circun- 
scrigóes, aceitamos a exigència de ter de prestar 
contas, de uma maneira responsàvel, dos bens e 
finangas que nos sào confiados. 

6.4 Para isso, queremos empregar os melos mais 
simples: 

• Ter uma contabilidade rigorosa. 

• Estabelecer um orgamento com avaliagào no fim 
do periodo. 

• Ter uma gestào comunitària das finangas: as 
contas e os orgamentos duma comunidade ou 
duma circunscrigào sào comunicados regularmente 



130 



aos confrades; serào apresentados pelo economo 
e submetidos a discussào. 

• Estes meios simples de praticar a pobreza de 
maneira responsàvel, devem ser aprendidos desde 
a forma^ào inicial. Os estudantes serào informados 
da situagào financeira das casas de formagào. 
Participarào tanto quanto possfvel na sua gestào, 
mesmo que seja de urna forma limitada. 
Aprenderào um mètodo de contabilidade simples 
mas rigoroso. Velar-se-à para que as casas de 
formagào tenham um nivei de vida modesto 
(Directório da Formagào Espiritana n° 28 a 32). 

6.5 Cada circunscrigào tenha um conseiho financeiro 
e escoiha um economo verdadeiramente competente 
na gestào financeira. Procure também meios de 
autofinanciamento e de formagào a confrades aptos 
para acompanhar iniciativas que sejam fontes de 
recursos. 

Solidariedade e autonomia 

Na nossa história recente, a exigéncia da partUha tomou 
formas diversas, à medida que foram evoluindo as 
relagòes entre as circa nschgòes. Capitalo de 1968-69 
dizia: "o excedente das casas sera enviado ao 
Economato provincial ou do Distrito e o das Provincias e 
Distritos ao Economato Geral (n° 317). A Regra de Vida 
de 1987 vai mais longe: "Ao elaborarmos os orgamentos, 
a qaalquer nivel de competéncia do Instituto, temos em 
conta as necessidades manifestadas fora das nossas 
comunidades, das nossas circanscrigòes..." (RVE 72.4). 
Deste modo a Regra de Vida pede que a partiiha nào se 
limite so ao "excedente", mas também ao necessario; e 
qae nào se pense nisso so no firn do periodo, mas jà 
quando se faz o ornamento. 



131 



A Regra de Vida prevé urna larga autonomia das 
diferentes circunscrigòes e ao mesmo tempo urna 
grande solidarìedade entre elas: 

6.6 A solidarìedade entre nós nào é juridicamente 
imposta nem tarifada; todavia desejamos que seja 
ainda mais efectiva e melhor organizada. 

6.7 Conseiho Geral està encarregado de supervisar 
a solidarìedade entre todas as circunscrigòes, de a 
organizar e orientar. Com este firn, para o bem de toda 
a Congregagào, eie administra: 

• O Fundo Cor Unum; este fundo é destinado às 
necessidades da formagao; excepcionalmente pode 
servir para outras necessidades da Congregagao. 

• A Conta Especial para os Projectos Apostólicos. Eia 
pennite apoiar novos projectos ou compromissos 
que nào tenham outros recursos. Està conta deve 
ser regularmente reforgada pelas contribuigòes 
voluntàrias e por outros melos. Sera desejàvel que 
asta conta venha a ser um fundo de capitai. 

Cada ano, o Ecònomo Geral dà conhecimento da 
evolugào destes capitais quando fizer um apelo à 
solidarìedade a todas as circunscrigòes. 

6.8 Quando existe uma colaboragao entre as circun- 
scrigòes, no sentido em que a entende o capftulo 2 ">A 
Nossa Missào" (cf n° 2.33; 2.34), o montante das 
ajudas directas figura no relatório financeiro anual que 
cada circunscrigào envia à Casa Generalicia. 
Ecònomo Geral publica cada ano a lista completa das 
ajudas directas, ao mesmo tempo que a das 
contribuigòes ao Cor Unum. 

6.9 Cada circunscrigào deve ter comò objectivo chegar 
à autonomia financeira; é responsabilidade tanto da 



132 



pròpria circunscrigào (RVE 232.4) corno de toda a 
Congregagao. 

• Para as Fundagòes e as novas Provincias este 
objectivo deve ser insistentemente recomendado 
pela Administragào Geral em concertagào com os 
Supenores das circunscrigòes. 

• Os Gnjpos pequenos devem ser ajudados de tal 
modo que possam viver sem serem paralisados 
pelas preocupagoes financeiras: està ajuda é 
organizada segando as ohentagóes do Directório 
da Organizagào, particularmente nos n° 36, 63, 64. 

Fundo Cor Unum: instrumento privilegìado da 
nossa partiiha 

Fundo Cor Unum ajuda as circunscrigòes que tém 
maiores necessidades para assegurar a formagào dos 
candidatos. È neste campo que é precisa hoje maior 
solidariedade dentro da Congregagao; depende dela o 
futuro da Congregagao. 

6.10 O Fundo Cor Unum é alimentado pelas 
contribuigóes das circunscrigòes, convidadas assim a 
entrar no jogo da solidariedade. Todas as circun- 
scrigòes devem contribuir para eie cada ano, mesmo 
que a contribuigào seja um tanto simbòlica para as 
que tenham menos recursos. Ecònomo Gercl 
publica cada ano o montante dos fundos reunidos e 
distribuidos, mencionando o destino dos subsidios: 
formagào, construgòes, necessidades extraordinàrias. 

6.11 Para a distribuigào dos subsidios segundo estes 
très sectores, o Conseiho Goral adaptà-la-à cada ano 
procurando aproximar-se da proporgào seguinte: 

- Subsidios ordinàrios (despesas ordinàrias da 
formagào) 70% 



133 



- Subsidios para despesas de construgoes 
(formagào) 20% 

- Subsidios extraordinàrios 1 0% 

6.12 No que respeita às despesas para a formagao, o 
Conseiho Geral darà um conjunto de critérios objec- 
tivos e equitativos para fixar o montante dos subsidios. 
Se a fonmagào é muito dispendiosa num pais, é 
preciso estudar solugóes alternativas: iigar-se a outros 
centros de formagào, mudar de iugar, limitar o nùmero 
de candidatos, etc. 

6.13 Os projectos de construgoes para a formagào 
devem ser geridos de maneira separada, o que 
permitirà propor o financiamento de tal ou tal 
construgào a uma circunscrigào ou a um benfeitor que 
deseje apoiar um projecto concreto. Enviar-se-lhes-à 
um relatório da utilizagào do subsidio. 

6.14 Como OS abonos fornecidos pelo Cor Unum nào 
cobrem nunca todas as despesas da formagào, as 
circunscrigòes devem apoiar-se nos próprios meios e 
procurar outras fontes de financiamento. 

Directivas e decisdes partìculares 

6.15 Economo Geral proporà, segundo uma escala 
regional, elementos de formagào aos ecónomos de 
circunscrigào e a todos aqueles que tém servigos im- 
portantes de gestào. Pedimos também aos ecónomos 
que aproveitem as oportunidades de formagào tècnica 
que possam encontrar nos seus diversos paises. 
Seria bom igualmente organizar a partiiha de 
experièncias, alcangadas ou nào, em matèria de 
autofinanciamento. 

6.16 Por ocasiào das visitas às diferentes circun- 
scrigòes, OS membros do Conseiho Geral verificam o 



134 



estado dos livros de contabilidade e estào atentos à 
situagào financeira da circunscrigào visitada. 

6.17 Superior de circunscrigao deve estimular os 
seus confrades a por em pràtica o compromisso da 
pobreza e verificare corno eia é vivida. 

6.18 Ecònomo de circunscrigào terà um conseiho 
financeiro incluindo, se for possivei, especiaiistas nào 
espiritanos. 

6.19 Nas dioceses em que trabalhamos, procuramos: 

• Separar claramente a contabilidade das obras e a 
da Congregagào (RVE 235,4); 

• Estabelecer um centrato precisando as nossas res- 
ponsabilidades bem corno os compromissos da 
Igreja locai que nos acolhe (RVE 19; 235). 

6.20 Queremos que entre nós se proceda convenien- 
temente quanto aos pedidos de ajuda financeira para 
as nossas obras ou projectos: 

• Os pedidos enviados às Provincias ou à Adminis- 
tragao Geral devem ser apresentados pelos 
Superior de circunscrigào. Os pedidos feitos a 
organismos nào espiritanos devem ser apresen- 
tados pelo responsàvel da obra e assinados pela 
respectiva autoridade eclesiàstica (em geral é o 
Ordinàrio do lugar). 

• É preciso prestar contas do uso das ajudas 
recebidas. 

• Os fundos destinados a esses projectos ou obras 
nào sào nunca langados em contas individuais. 

6.21 Para aumentar as receitas da Administragào 
Geral, as modalidades da contribuigào pessoal para 
cada ano sào modifìcadas comò segue: 

• A idade limite vai até aos 70 anos. 



135 



• O montante por pessoa sera aumentado; o 
Conseiho Geral fixarà este aumento. 

6.22 É de encorajar a angariagào de fundos. É 
pedido ao Conseiho Geral que supervisione està 
angariagao de fundos, quando isso diz respeito a toda 
a Congregagào. 

6.23 É pedido ao Conseiho Geral para estudar o 
melhor modo de reduzir as despesas das 
assembleias gerais da Congregagào: Capitulo Geral e 
Conseiho Geral Alargado. 



136 



7. DIRECTÓRIO DA ORGANIZAQÀO 

Devido à sua extensào, nào é possivei reproduzir aqui 
lodo Directórìo; o que se segue é apenas urna 
introdugào. Eie sera publicado sob a forma de um livrete, 
independentemente deste. texto integra as trés 
emendas mais pequenas pedidas pelo Capitalo Geral, 
das quais se trata mais abaixo em 7.4.2. 

7.1 Como nasceu este Directórìo? 

Este documento foi originado pelo pedido do Capitulo 
Geral de Itaici "para se fazer ama revisào completa do 
Capitulo 7 da Regra de Vida" (Itaici 40). Pareceu ao 
Conseiho Geral que este nào era o momento de se fazer 
està revisào. Em tempo de evolugào, correriamos o risco 
de ter de redigir o capitulo 7 ainda mais vezes. 

Pareceu que era preciso antes apresentar indicagoes 
para bem gerir as mudangas, uma direcgào geral, formas 
de estruturas nào defìnitivas, pontos de referència para 
uma instituigào em marchia. É isso que o presente 
Directórìo se propóe fazer. 

Conseiho Geral Alargado de Dacar em 1995 concordou 
com a ideia de que a revisào do capitulo 7 nào era 
necessaria, salvo se as orìentagóes tomadas durante o 
próximo Capitulo Geral exigissem modificagóes. 

7.2 Sentido do Directórìo: as mudangas suscitarti 
novas estruturas 

O fim deste documento é orientar as decisóes res- 
peitantes à organizagào da Congregagào em situagóes 
de evolugào. Eis aqui alguns exemplos de mudangas e a 
forma comò o Directórìo Ihes responde. 



137 



7.2.1 Pequenas circunscrigdes na linha da frente 
da missào 

Desenvolvem-se circunscrigòes mais pequenas do 
que antigamente. Elas sào numerosas, distribuidas 
em todos os continentes, e tomam-se quase todas 
internacionais. 

Grupos e Distritos 

Foram fundados Grupos para novos compromissos 
missionàrios. À partida eram pequenos e o gènero de 
evangelizagào, muitas vezes discreto e a ritmo lento, 
nào exigia grandes grupos. Por opgào ou por 
necessidade - devido à dificuldade em encontrar 
bastantes confrades aptos e voiuntàrios numa so 
Provincia - estes grupos eram muitas vezes 
internacionais. 

Os Distritos tèm a tendència de se tornarem mais 
pequenos. Foram passadas obras ao clero locai. A 
presenta espiritana, que se desloca para tarefas mais 
especificas do nosso carisma, é naturalmente mais 
reduzida. Os Distritos diminuem também devido ao 
envelhecimento dos confrades e à falta de vocagóes 
nas Provincias de origem dos seus membros. Para 
encontrar ainda assim um minimo de pessoal novo, os 
Superiores de Distrito batem a todas as portas, em 
particular às das Fundagòes e novas Provincias 
espiritanas. Os Distritos tomam-se assim, 
praticamente, todos intemacionais. 

Estas circunscrigòes por agora consen/am os seus 
nomes de "Grupo" ou "Distrito" mas nào ha diferenga 
fundamental entro eles. Mais tarde poder-se-ia utilizar 
um so nome, por exemplo o de "Grupo". 



138 



Verdadeiras circunscrigóes 

Estes Gmpos e Distritos sào, ou deveriam tomar-se 
progressivamente, verdadeiras circunscrigóes, com 
um Superior Maior. Nào se criarào pertanto mais 
Grupos, chamados por vezes "provinciais", depen- 
dendo duma Provincia longinqua, simplesmente 
porque se tomam internacionais e também porque o 
seu compromisso missionàrio exige um estatuto de 
circunscrigào autònoma. 

Grupos e Distritos, muitas vezes situados muito longe 
das Provincias de origem dos seus membros, con- 
stituem de facto a iinha da frente da nossa missào, 
uma missào que pede uma fidelidade criativa, com 
iniciativas, muito discernimento e tomadas de respon- 
sabilidade. É bom dar-lhes consisténcia. É preciso 
que eles possam ter uma certa autoridade sobre o 
seu pessoal e que este nào possa simplesmente ser 
chamado pela circunscrigào de origem dum contrade. 

Solidariedade da Congregagào 

Uma solidariedade sem dominagào, fundada sobre a 
confianga e a generosidade, mas bem organizada, 
estimulada e orientada pelo Conseiho Geral, é 
necessaria aos Grupos e também, cada vez mais, aos 
Distritos. 

Estes Gmpos e Distritos pelo facto mesmo da sua 
autonomia, devem assumir também responsabilidades. 
Ora eles sào fràgeis. A sua missào exige membros em 
piena forga e muito motivados. A partida de um deles 
pòe jà muitas coisas em questào e para encontrar um 
substituto é preciso bater a muitas portas. 

Quase sempre, o tipo de compromisso destas 
circunscrigóes e as regióes onde trabalham, nào Ihes 



139 



permite esperar, nem mesmo prever num futuro 
próximo, urna autonomia fìnanceira. 

Quer seja em pessoal ou enri finangas, tém portanto 
necessidade da solidariedade da Congregagao. Para 
que a solidariedade nào gere dependència, para que 
eia nào destrua mas promova relagoes de confianga e 
de generosidade, nào queremos encerrar-nos num 
funcionamento juridico de contrato "troca por troca" ou 
de contribuigóes tarifadas pelo Generalato. Nós 
apostamos no espirito da nossa tradigào "Cor Unum 
et Anima una" comò motor da solidariedade. 

Os Grupos e Distritos sào os primeiros responsàveis 
pelo seu pessoal e finangas. O apoio necessario da 
solidariedade vir-lhes-à: 

• Do Generalato para as nomeagóes e por abonos da 
Conta especial para os compromissos missionàrios 
ou excepcionalmente do fundo Cor Unum; 

• Da Regiào de que fazem parte, permitindo as 
reunióes regionais avallar as necessidades e as 
possibilidades de ajuda; 

• De circunscrigoes ligadas a eles duma maneira ou 
doutra, podendo algumas destas, por exemplo 
fornecer pessoal, outras uma ajuda fìnanceira 
regular. 

• A organizagào destas formas de solidariedade 
evitare que as circunscrigoes pequenas estejam 
constantemente preocupadas pela falta de 
recursos indispensàveis. 



140 



7.2.2 Fundagdes e Provìncias para as vocagdes e 
a formagào de hoje 

Fundagóes e novas Provìncias 

Verifìcamos que nas antigas Provìncias, feitas para 
acolher e formar jovens, temos muito poucos 
candidatos, e que as vocagóes espiritanas surgem 
nos Grupos e Disthtos nas fronteiras da missào. Nào 
as vamos recusar sob pretexto que estas 
circunschgóes pequenas nào foram feitas para a 
formagào dos candidatos. Desta realidade nasceram 
OS postulantados que constituem os embrióes duma 
Fundagào. 

Depois do postulantado, os jovens vào para urna casa 
de formagào numa Provincia ou regiào. Mais tarde 
podere nascer um 1° Ciclo, depois um Noviciado e um 
2° Ciclo. Em determinado tempo e segando certos 
critérios, urna nova Provincia pode ver a luz do dia. 

É darò que estas Fundagóes e novas Provìncias tèm 
necessidade da Congregagào para as apoiar no 
comego e sobretudo nos desenvolvimentos impor- 
tantes que algumas tèm tido. Elas representam o 
patrimònio essencial da nossa solidariedade, gerida 
através do fundo Cor Unum. Està solidariedade 
condiciona o crescimento da nossa familia espiritana. 

Antigas Provìncias 

Algumas Provìncias vào enfraquecendo cada vez 
mais e tèm falta de pessoal para fazer face aos seus 
compromissos. Precisam da solidariedade da 
Congregagào que podem receber doutras Provìncias 
antigas, no contexto duma Regiào. Beneficiam 
igualmente do contributo das novas Fundagóes e 



141 



Provincias. Assim estas antigas Provincias tornam-se 
igualmente intemacionais. 

Elas estào conscientes que a missào espiritana Ihes 
compete também e tomam compromissos, por 
exemplo no servigo dos imigrantes e refugiados ou 
junto da juventude. Participam também em actividades 
mais vastas de apoio e defesa dos pobres. Estes 
compromissos podem dar testemunho da missào 
espiritana e mais facilmente suscitar vocagoes - de 
professos ou leigos associados - do que os relatos 
sobre compromissos ionginquos. 

7.3 Urna certa visào da organizagdo da Congregagào 

Assim a Congregagào toma novas formas e um novo 
funcionamento. A RVE, porque antes de tudo comunica 
um espirito e nào define pormenores, permite inovagóes. 
Directório da Organizagào dà orientagóes e novos 
pontos de referència que se juntam à Regra de Vida sem 
a contradizer. 

Nós deixamo-nos orientar pela experiència, com discer- 
nimento e concertagao. Procuramos descobrir aonde 
nos conduz o Esplrito. Formas de organizagào nascem 
de necessidades concretas e de apelos interiores, antes 
de serem elaboradas sistematicamente. 

A RVE integrou assim vàrias mudangas. Itaici convidou- 
nos a continuar a avaliagào. As propostas do Directório 
foram feitas a partir de movimentos jà em curso. Nestes 
movimentos temos presenciado a conduta do Esplrito 
para uma missào espiritana sem dominagào, na cor- 
responsabilidade, testemunhando, num mundo dilacera- 
do, a unidade na diversidade. 

Directório dà orientagòes para acompanhar a 
evolugào e organizar a vida espiritana de maneira mais 
operacional e mais significativa Eie promove uma certa 



142 



qualidade de relagoes: de confìanga, de respon- 
sabilidade, de solidariedade. Convida a criar novas 
relagoes entre as circunscrigóes para o seu apoio mùtuo: 
fusào de circunscrigóes nos lugares onde se encontram 
lado a lado com comunidades humanas que tém urna 
unidade real; integragào de Distritos numa Fundagào 
que se tornou nova Provincia; colaboragào regional. 

Directório nào prevé poderes juridicos mais extensos 
para o Conseiho Geral. Devido ao seu servigo de 
direcgào, o Conseiho Geral é convidado a recon'er mais 
às possibilidades de intervengào que Ihe dà a Regra de 
Vida, a usar da sua autoridade moral e a confiar na 
generosidade dos confrades. Deste modo contribuirà 
para uma melhor distribuigào do pessoal, particularmente 
para os novos projectos e a formagào. Estimularà e 
organizarà mais a solidariedade em favor das circuns- 
crigóes mais fràgeis e mais necessitadas. 

O Directório é assim fiel à RVE e à nossa tradigào 
espiritana fazendo confianga na acgào do Espirito no 
coragào de cada um e nas nossas relagoes missionàrias 
e comunitàrias. 

7.4 Decisdes do Capìtulo 

Capitulo Geral de Itaici pedira ao Conseiho Geral para 
preparar uma "revisào completa" do capitulo 7 da Regra 
de Vida Espiritana. (Itaici 40). 

Embora o documento sobre a organizagào elaborado 
pelo Conseiho Geral nào corresponda exactamente ao 
pedido de Itaici, é fiel ao seu espirito bem comò às 
determinagóes dadas pelo Conseiho Geral Alargado de 
Dacar. 

documento tem em conta o facto de nào ser 
desejàvel, nesta situagào em mudanga impedir a 
maleabilidade da organizagào da Congregagào; globai- 



143 



mente dà orientagoes satisfatórias para a organizagào 
da Congregagào nos próximos seis anos. 

Depois das emendas, sera utilizado até ao próximo 
Capitulo Gerai corno um Directório pràtico de organizagào 
e administragào. No caso de algumas disposigóes deste 
Directório nào parecerem de acordo com a Regra de Vida 
Espiritana, sera està que deve ser aplicada. 

Capltulo pede ao Conseiho Gerai para constituir urna 
comissào juridica encarregada de estudar a 
possibilidade e a maneira de integrar o Directório no 
capitulo 7 da Regna de Vida. Està comissào submeterà o 
resultado do seu trabaiho ao próximo Capitulo Gerai. 



144 



8. HISTORIA-ANIVERSARIOS 

A nossa história desperta um interesse crescente na 
Congregagào. É sem dùvida a evolugào da missào e as 
orientagòes do Vaticano II que nos levaram a procurar 
fontes que pudessem inspirar urna nova criatividade na 
nossa Vida missionària. Urna destas fontes privilegiadas, 
encontramo-la nas nossas raizes e na nossa tradigào 
espiritana, que alguns dos nossos historiadores descob- 
riram nos ùltimos decénios. 

Os anos futures oferecer-nos-ào a oportunidade de 
celebrar dois aniversàrios importantes da nossa Con- 
gregagào. Em 2002 sera o segundo centenario do 
nascimento de Libermann e o 150° aniversàrio da sua 
morte; em 2003 a Congregagào celebrare o terceiro 
centenario da sua fundagào. Lembraremos o que o 
Espirito realizou na Congregagào ao longo da sua 
história, sem esquecer os aspectos negativos que nos 
convidam à vigilància... É toda està heranga que sera 
evocada pelas celebragoes nas Igrejas locais onde nós 
estamos presentes. 



DECISOES 

Organizagào dum Ano Espiritano 

8.1 Os membros do Capitulo pedem ao Conseiho Cerai 
para preparar, em colaboragao com as diversas circun- 
scrigóes, a organizagào dum Ano Espiritano; comegarà 
em 02 de Fevereiro de 2002 e terminare no Pentecostes 
de 2003. objectivo deste Ano Espiritano é favorecer 
renovamento da Congregagào e a difusào da 
espiritualidade missionària espiritana. 

8.2 Conseiho Geral e as circunscrigòes trabalharào 
em conjunto para preparar estes aniversàrios; velarào 



145 



para simplificar a sua organizagào e evitar muitas 
despesas. 

8.3 Os trabalhos preparatórios dos aniversàrios, tanto 
no generalato corno nas circunscrigòes, deverào ser 
apresentados por ocasiào do próximo Conseiho Geral 
Alargado de 2001. Este Conseiho Geral Alargado 
deverla reunir as pessoas comprometidas na preparagào 
do Ano Espiritano; este tema deveria ser um dos 
assuntos principais a tratar. 

8.4 Os trabalhos históricos em curso, o Diàrio da 
Congregagào, a Antologia Espiritana e a Biografia de 
Libermann devem ser concluidos. (cf Itaici 41). 



SUGESTÓES 

8.5 Os membros do Capitulo propdem ao Conseiho 
Geral: 

• Preparar diversos materiais para uso das 
circunscrigòes, tais corno: um folheto apresentando 
de uma forma breve a vida espiritana, destinado à 
pastoral das vocagóes; um dossier de imprensa; um 
esquema para uma entrevista radio ou T.V.; um 
dossier de fotos históricas da Congregagào, etc. 
Propor periodicamente aos confrades um tema de 
reflexào a partir de documentos sobre Poullart des 
Places e Libermann e de materiais sobre a missào. 

• Estudar o projecto dum ou mais "seminàrios" sobre a 
Missào, abertos a um vasto pùbiico, centrados sobre 
a visào espiritana actual da missào, em referéncia à 
sua tradigào. 

• Aproveitar as diversas possibilidades que as técnicas 
actuais nos oferecem, para comunicar a todos os 



146 



espiritanos as suas informagòes e as actividades 
ligadas aos aniversàrios. 

• Nomear urna comissào "ad hoc" que coordene os 
trabalhos de preparagào e as actividades do Ano 
Espiritano. 

8.6 Os membros do Capitulo propdem a cada 
circunscrigào: 

• Organizar sem demora urna reuniào alargada da 
circunscrigào para pianificar as actividades a 
empreender localmente em vista do Ano Espiritano, e 
designar um coordenador; vàrias circunscrigoes podem 
organizar-se regionalmente para diversas actividades. 

• Estabelecer um programa de actividades segundo as 
possibilidades locais: conferèncias, celebragòes, 
seminàrios, peregrinagóes... Algumas poderiam ser 
feitas em coiaboragào com as Igrejas locais e as 
obras nas quais estamos comprometidos. Os Centros 
de animaqiào missionària podem integrar a história e a 
espiritualidade espiritana na elaboragao dos seus 
programas. 

• Escrever, se isso ainda nào foi feito, o seu diàrio e a 
sua história; preparar um dossier de imprensa para os 
medias locais; encorajar as comunidades a redigirem 
seu diàrio. 

• Encorajar a participagào de todos, jovens e menos 
jovens, professos e associados, na preparagào do 
Ano Espiritano (testemunhos, recitativos, cassetes ou 
videos, cànticos, teatro...). 

• Fazer "reviver" os fundadores e os lugares de 
fundagào que Ihes sào próprios; pode-se pensar por 
exemplo, nos cemitérios "históricos" das primeiras 
missoes. 



147 



• Convidar os confrades com bons conhecimentos dos 
nossos fundadores, a estarem disponiveis para a 
animagào de retiros nas diversas circunscrigòes. 

8.7 Peregrinageio Histórica Espiritana 

Diversos lugares importantes da nossa história 
encontram-se na mesma regiào: Rennes, Paris, 
Saverne, Amiens, etc. Eles poderiam estar incluìdos no 
projecto duna peregrinagào espiritana: "Seguindo os 
passos de Poullart des Places e Libermann". 

Os membros do Capitulo pedem ao Conseiho Cerai que 
seja feito um estudo pela Provincia de Franga em 
ligagào com a Casa Generalicia e talvez com a 
coiaboragào das Provincias da Europa, e que seja 
apresentado no próximo Conseiho Goral Alargado. Està 
peregrinagào seria proposta aos amigos e benfeitores da 
famiiia espiritana, e adaptada aos diferentes grupos 
linguisticos que nela participassem. 

Também poderia ser feito um estudo, em concertagào 
com as circunscrigòes e respectivas regióes, sobre a 
possibilidade de peregrinagoes a outros lugares 
significativos da nossa história espiritana: Roma-Assis- 
Loreto, Dacar, Haiti, Reuniào, Mauricia, Bagamoio, 
Gentinnes, etc. 



148 



9. MODIFICAgÓES À REGRA DE VIDA 

Capitalo Geral decidiu dois conjuntos de mudangas: 

9.1 Para dar mais autorìdade ao Conseiho Geral em 
matèria de formagào. 

• Em RVE 105, substituir "...em diàlogo com o Conseiho 
Geral" por: "com o consentimento do Conseiho Geral". 

novo nùmero 105 por isso é corno se segue: 

"Compete ao Superior de circunscrigào, com o 
consentimento do seu Conseiho, precisar as 
orientagdes da formando, em colaboragào com a 
equipa de formadores e com o consentimento do 
Conseiho Geral"/ 

• Antigo 106.3 permanece imutàvel, mas fica com o 
nùmero 106.4. 

• É acrescentado um novo 106.3: 

"Eie vela para que as orientagdes da Congregagào 
em matèria de formagào sejam aplicadas nas 
circunscrigdes e intervèm quando o julgue 
necessario." 

9.2 Devido à nova situagdo das Provlncias e à 
dificuldade de organizar capitulos. 

• Em RVE 180.1, omitir: "da Provìncia". 



Està mudanpa do nùmero 105 das "Constituigóes " da nossa 
Regra de Vida foi aprovada pela Congregagào para os Institutos 
de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostolica, com 
data de 30 de Outubro de 1998. 



149 



• Os antigos 180.2 e 180.3 sào totalmente suprimidos. 
Eles sào substituidos por um novo 180.2: 

"Vela-se para que seja assegurada urna re- 
presentagào adequada dos confrades afectados a 
outras cìrcunscrigdes". 

Foi designada urna fungào ao Conseiho Geral: 

9.3 A propòsito de RVE 213, no que respeita à 
periodicidade dos capitulos gerais ordinàrios e das suas 
consequèncias para os mandatos dos membros do 
conseiho Geral: 

Capitulo pede ao Conseiho Geral para estudar 
està questào com as suas ìmplicagdes e 
apresentar o resultado das suas pesquisas ao 
próximo Capitulo Geral. 



INDICE 

"FAZ-TE AO LARGO" ii 

INTRODUgÀO 1 

1. APRESENTAQÒES 

1.1 EVANGEUZAQÀO ENTRE OS NÓMADAS 

DO PAiS BORANA - Ef/óp/a 16 

1.2 PERCURSO DE PRIMEIRA EVANGELIZAQÀO 
Senegal, Guiné-Conakry, Guiné-Bissau, 
Mauritania, Argélia 20 

1.3 A EDUCAQÀO NA MISSÀO ESPIRITANA 
Estados Unidos / Este 24 

1.4 EDUCAgÀO INFORMAI DAS CRIANQAS 
Bangui 28 

1.5 ONDE ESTAMOS, QUANTO AO NOSSO 
COMPROMISSO PELA JUSTIQA E PAZ? 
Coordenador da Casa Generalìcia para J&P 31 

1 .6 UMA VOZ DOS SEM VOZ - Brasil 34 

1.7 MINISTÉRIO JUNTO DOS REFUGIADOS NA 
PROVINCIA DA ÀFRICA DE LESTE 38 

1.8 JUSTIQA E PAZ NO DIA A DIA - Camaróes 42 

1.9 SITUAQÀO DE CONFLITO: TEMPO DE GRAQA 
Angola 46 

1.10 UMA EXPRESSÀO AFRICANA DO 

CARISMA ESPIRITANO - WAF 49 

1.11 A EVANGELIZAQÀO DE UM MISSIONÀRIO 
Amazónia 52 

1.12 ESPIRITO NOVO NUMA VELHA PROVÌNCIA 
Alemanha 56 

1.13 JUNTOS PARA A MISSÀO 

Paraguai 60 



1.14 NAQÒES, ETNIAS E CULTURAS NA 
COMUNIDADE - Congo-Brazzaville 63 

1.15 UMA EXPERIÉNCIA DE SOLIDARIEDADE 
y\y\DAZimbabwe 67 

1.16 MÙLTIPLOSASPECTOSDAVIDA 
COMUNITÀRIA -Franca 70 

1.17 A MISSÀONUMA PROVINCIA A 
ENVELHECER /f?g/aterra 74 

1.18 ESPIRITANOS PROFESSOS E LEIGOS 
ASSOCIADOS - Conseiho Geral 77 

1.19 UMA EXPERIÉNCIA DE MINISTÉRIO 
PARTILHADO - Transcanacfà 81 

1 .20 UMA LEIGA ASSOCIADA DA EUROPA 
Inglaterra 84 

1.21 PEREGRINA PELO REINO 

Brasil - Porto Rico 88 

1.22 ASSOCIADOS COM OS LEIGOS 

Fundagào da Àfrica Central 91 

1.23 CONTINUIDADE DO CARISMA ESPIRITANO 
NOS COLÉGIOS - Irlanda 95 

2. A MOSSA MISSÀO 98 

3. AS NOSSAS FONTES DE INSPIRAQÀO 108 

4. A MOSSA VIDA EM COMUM 115 

5. MINISTÉRIO PARTILHADO 123 

6. FIMANQAS 128 

7. DIRECTÓRIO DA ORGAMIZAQÀO 136 

8. HISTÓRIA-AMIVERSÀRIOS 144 

9. MODIFICAgÒES À REGRA DE VIDA 148 



Finito di stampare 

nel mese di gennaio 1999 

dalla 

Scuola Tipografica S. Pio X 

Via degli Etruschi, 7 

00185 Roma 



3 5282 00644 8917 



Duquesne Universi 




3 5282 00644 8917 



CONGREGAZIONE DELLO SPIRITO SANTO 
CASA GENERALIZIA 
CLIVO DICINNA, 195 
00136 ROMA